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Bruno Perillo

Parceria contra o crack

Há 50 mil usuários em Goiânia | 03.07.12 - 22:25
Ser empresário é conviver diariamente com números e pesquisas. Estatísticas econômicas e financeiras moldam o cenário para a maior ação do gestor, a tomada de decisões. Ocorre que há pouco mais de dez anos também entrou em cena o conceito de “responsabilidade social” que ganhou força, ao contrário do que muitos acreditavam. Deixou de ser uma mera expressão e veio para mudar tanto as decisões quanto as estatísticas que devem ser avaliadas.

Segundo o Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp), há  cerca de 50 mil usuários de crack em Goiânia. Estudo divulgado recentemente aponta que em todo o Estado de Goiás o percentual de consumidores da droga aproxima-se de 4%. Números que devem ser considerados e analisados junto à missão empresarial.

Infelizmente, muitos membros do setor produtivo ainda não compreendem como uma questão de saúde pública pode afetar diretamente a vida de seu negócio. A lógica é simples. Se aproximadamente 4% da população goiana consomem o entorpecente, é alta a chance de se ter no futuro um colaborador que engrosse essas estatísticas. Os prejuízos para a empresa que lida com um dependente químico podem ser facilmente enumerados: maior possibilidade de acidentes de trabalho, faltas, atrasos, queda significativa na produtividade,dificuldade de relacionamento e quem sabe até mesmo violência contra os colegas de trabalho.

Como sabemos, essa violência alastra-se pelas cidades. Só em Goiânia temos cerca de 11 pontos de consumo, as chamadas “cracolândias”, que intensificam a formação de grupos que praticam assaltos, assassinatos,estupros e outros crimes graves. Contudo, devemos ter em mente que esta não é apenas uma questão de segurança pública, sendo resolvida exclusivamente com investimentos em policiamento.

O momento é de dar sentido à palavra “parceria”, de maneira que todos os setores da sociedade se envolvam num projeto concreto e efetivamente participativo. É papel dos empresários, nessa iniciativa, unirem-se para discutir o problema, abrir as portas para que outras entidades da sociedade promovam campanhas de prevenção e conscientização no ambiente de trabalho.

 A Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg)  já é atuante no que diz respeito a apoio de ações e projetos junto aos empresários, promovendo por meio de fóruns, debates, palestras e cursos maior integração na própria comunidade empresarial e maior aproximação com o Poder Público.

A Acieg Jovem, com sangue novo e empreendedor, almeja levar essas e outras questões à comunidade, pois estabelece como meta o incentivo de jovens empresários goianos a buscarem constante atualização sobre o mercado e a economia em geral. A entidade já discute e propaga a ideia de negócios mais responsáveis socialmente. Nada mais oportuno o combate ao consumo do crack e de outras drogas tornar-se um diálogo social de juventude para juventude.

Temos, portanto, a convocação para um desafio de grandes proporções, no qual nós, empresários, necessitamos discutir inclusive projetos de leis, como a renúncia fiscal. E se alguns impostos fossem convertidos em investimentos na prevenção e recuperação de usuários de crack? É apenas um questionamento entre outros tantos que podem ser levantados. Está aberta a temporada de debates.


Bruno Perillo é advogado, pós graduado em direito público, membro do Fórum de Combate ao Crack, diretor da Acieg Jovem e da AJE/GO.

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