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Lis Lemos

Daiane, Patrícia e Maria da Penha

Estado precisa avançar | 06.08.11 - 16:53

Lis Lemos

Duas mulheres que provavelmente nunca se encontraram. Em comum, elas têm o medo. E não é medo de pouca coisa não. É medo da morte.
 
Daiane tem 20 anos. Era manicure em Goiânia e fazia Química na Puc Goiás. Abandonou sua vida, sua família, seus amigos, o trabalho e o curso depois de ser ameaçada pelo namorado com uma faca em plena Praça Universitária. Nunca mais se soube dela.
 
Patrícia tem 33 anos. Era cabeleireira. Abandonou seu trabalho, sua casa depois de ser mantida por 15 dias em cárcere privado pelo namorado. Nunca mais se soube dela.
 
Nos dois casos, mais algumas semelhanças. Daiane e Patrícia foram violentadas depois de decidirem romper a relação que mantinham com os namorados. Inconformados com a rejeição, os homens resolveram que podiam ameaçar de morte, coagir e machucá-las. Eles não entendiam que tanto Daiane quanto Patrícia são mulheres, que são sujeitas de suas próprias vidas. Elas não são meros objetos dos quais eles podem dispor.
 
A fuga de Daiane e Patrícia de Goiânia revela não só o medo que têm desses homens. A fuga delas é um exemplo de como o Estado aplica a Lei Maria da Penha e os cuidados que tem com suas mulheres. Dia 7 próximo, a lei completa cinco anos. Cinco anos de luta em busca de sua efetivação. É só dar uma caminhada pela Deam de Goiânia para ver como as mulheres são tratadas.
 
Falta pessoal, falta equipamento, falta quem faça a segurança dessas mulheres, faltam casas abrigo, falta interesse. Basta ir até a única casa de abrigo de Goiás e ver as mulheres escondidas com seus filhos, porque o Estado não consegue garantir suas vidas.
 
Cabe ao estado brasileiro, e no nosso caso, ao Estado de Goiás, tratar as mulheres de forma digna e justa.
 
Profissionais que lidam diariamente com mulheres violentadas e fragilizadas física e emocionalmente devem fazer seu trabalho com respeito. Esses profissionais têm a obrigação de saber tratar uma mulher que viu sua casa e sua filha pegarem fogo e não fazer piadinha sobre a condição dessas mulheres, como infelizmente eu ouvi de uma escrivã da Deam. 
 
Este mês a Lei Maria da Penha completa cinco anos. É um bom momento para a reflexão de todos e, principalmente, de nossas autoridades, para a questão da violência contra a mulher. A Lei é um avanço importante, mas não adianta apenas a Lei, é necessária a estruturação de equipamentos públicos para que as vítimas sejam assistidas e, desse modo, para que a Lei seja cumprida de fato.

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