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João Geraldo Maia

Cotas para negros

Estado deve oferecer Educação de qualidade | 03.08.12 - 11:23

Compartilho com a opinião, quase unânime, de que o sistema de cotas para negros nas Universidades Federais traz grande carga de injustiça. Melhor seria utilizar critérios que levem em conta as desigualdades sociais, e que o CERTO seria o Estado oferecer educação de qualidade, especialmente nos níveis básicos. 
 
Concordo, é injusto! Só que mais injusto ainda é manter a maior parcela da população, negros e descendentes, vivendo à margem da vida econômica, cultural e social do país, mesmo sabendo que quase toda riqueza produzida no Brasil, ao longo de séculos, veio de seu suor e de seu sangue! Os braços do negro foram decisivos para o sucesso da indústria do açúcar, da mineração e da agricultura do café, grandes vetores de desenvolvimento. Constatamos com tristeza que ainda hoje esses incansáveis trabalhadores vivem em moradias precárias, e sem acesso aos serviços de saúde, educação e segurança. Como vem ocorrendo há mais de 400 anos.     
 
Há um ano eu não tinha opinião formada a esse respeito. Casualmente, observei em um casamento em Frutal-MG, cidade onde nasci, que na igreja havia apenas dois negros. Na festa, oferecida pelos noivos, o número se multiplicava, pois a maioria dos garçons, seguranças e manobristas eram afrodescendentes.  
 
Logo após, na semana seguinte, estive em um casamento em Belo Horizonte, o mesmo fato se repetiu. Alguns meses depois, em Goiânia e São Paulo pude observar situações similares. Resumindo: apesar de geograficamente distante, a realidade era sempre a mesma: negros e descendentes só estavam presentes em reuniões sociais, como serviçais. 
 
Como a maioria das pessoas é contra as cotas, só há uma maneira de corrigir essa deformação, é sermos intolerantes com a incompetência do Estado em oferecer educação de qualidade, uma vez que não há alternativa para eliminar o fosso que separa negros de brancos, pobres de ricos, que não seja uma educação gratuita, de qualidade, para todos! 
 
Sendo tão tolerantes, nos tornamos cúmplices dessa injustiça. Nesse ritmo, nos próximos 500 anos não haverá alteração do quadro. Primeiro vamos manter as cotas, e tão logo tenhamos educação pública realmente de qualidade, o sistema de cotas deve ser suspenso. Vai depender de nós exigirmos isso do poder público. 
 
 
João Geraldo S. Maia é engenheiro civil 

Comentários

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  • 14.08.2012 03:21 LÃ?DIA CRISTINA NEVES CUNHA

    Até que enfim um argumento a favor das cotas. Também sou a favor, apesar de não ser negra. Estudei sempre em escolas públicas e sei muito bem as dificuldades para entrar nas ufs. Seus exemplos retratam bem essa desigualdade. E não é só isso. Posso dar um exemplo pessoal. Em toda minha vida nunca fui atendida em um hospital por um médico negro. Só conheci um odontólogo negro em toda minha vida. Não conheço (pessoalmente) engenheiros negros também. Advogados negros, já vi alguns, não muitos. Está mais do que na hora de virar essa página e dar chances iguais para pessoas iguais. Ainda que os critérios sejam diferentes.

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