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Catherine Moraes

Mais que mãe, pai!

Dia dos pais nunca foi muito querido por mim | 14.08.11 - 11:33



Dia dos pais nunca foi um dia muito querido pra mim. Nunca sabia a quem destinar as lembrancinhas produzidas na escola, algumas eu jogava na rua durante o caminho de casa, outras escondia em lugares super secretos para não serem encontrados. Por raras vezes, entregava ao meu padrasto, que apesar da relação de bastante respeito, nunca foi realmente um pai.

Catherine Moraes Silva, com dois sobrenomes da minha mãe. Nordestina, saiu de casa aos 13 anos para morar com aquele que seria meu pai biológico.  Aos 21, terminou o relacionamento e descobriu a gravidez de duas semanas. Não quis reatar, achou que seria ruim para uma criança ter um pai usuário de drogas. Esperou por dois meses o bendito aparecer para incluir o sobrenome no registro da filha. Sem resposta, dois sobrenomes da mamãe.


Para o batizado, novo dilema, as igrejas da Capital Federal não batizavam filhos de mães solteiras. Sem desistir, percorreu cada canto de Brasília e entorno até que encontrou uma igreja em Taguatinga que me tornou filha de Deus, ao invés de apenas criatura.


Na infância, a referência masculina foi de um tio mais próximo. Aos meus 10 anos ele morreu com complicações respiratórias, hepatite e falência múltipla de órgãos. Era homossexual e portador de HIV. Ou seja, uma referência não tão masculina assim. Também não tive avós, nem maternos, em paternos. A família do pai, eu nunca conheci. Minha mãe, assim como eu, não conheceu seu progenitor.


Quando decidi me casar, outro problema. Quem entraria comigo na igreja? Pensei em procurar meu pai com anúncio no jornal, ou participar de um quadro de TV que reencontra familiares. Não dava, sempre achei essas coisas ridículas, sei que não teria nenhum sentimento de emoção, afinal de contas, é alguém que nunca participou da minha vida. Optei por um amigo, daqueles por quem tenho grande carinho.


Maria da Conceição de Moraes Silva, nome de santa, da mãe de Cristo, que ela preferiu reduzir a Conceição. Nesse dia em especial, o presente vai pra ela, que educou, respeitou, acreditou sempre no meu sucesso. Nordestina, costureira, que passou fome e criou irmãos, casou nova e perdeu a virgindade na infância. Foi mais que mãe, foi pai também!

 

Catherine Moraes é jornalista


Comentários

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  • 16.08.2011 20:33 Kelly Lorena

    Emocionante! Parabéns pois você também é uma vitoriosa assim como sua mãe e sua irmã, e eu também sei o que é essa ausência. Sucesso colega.

  • 14.08.2011 14:51 Julianna Adornelas

    Parabéns pelo artigo, adorei!

  • 14.08.2011 13:43 Márcia Abreu

    Que homenagem linda, Cathe. Parabéns pelo artigo!

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