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Lúcia Vânia

Traços que ganharam o mundo

Uma homenagem a Oscar Niemeyer | 10.12.12 - 17:36

Goiânia - Por tudo o que significou por mais de um século de vida, não poderia deixar de prestar a minha homenagem e do povo de Goiás, ao arquiteto Oscar Niemeyer, falecido na noite de quinta-feira última.
 
Podemos dizer, certamente repercutindo o pensamento de cada brasileiro neste momento de dor, que Niemeyer fica na história do Brasil e do mundo como um gênio da arquitetura moderna.
 
Além de arquiteto e engenheiro, foi um ativista político, escritor, poeta, compositor e um amante da contemporaneidade.
O cartunista Ziraldo resumiu bem os sentimentos que possamos expressar pela morte do arquiteto: “Foi um privilégio ter a presença de Niemeyer nas nossas vidas”.
 
Reproduzindo palavras do próprio arquiteto podemos sentir como ele percebia, politicamente, o mundo: “Sempre fui um revoltado. De família católica eu esquecera os velhos preconceitos, e o mundo parecia-me injusto, inaceitável. A miséria a se multiplicar como se fosse coisa natural e aceitável”.
 
As suas obras, expressas em prédios públicos e privados, monumentos, esculturas e igrejas, marcam a paisagem das cidades brasileiras, principalmente Brasília, Niterói e Belo Horizonte. Em Goiânia temos o Centro Cultural Oscar Niemeyer. Pelo mundo suas obras estão em vários países como Estados Unidos, França, Espanha, Alemanha, Itália, Argélia, Israel e Cuba, entre outros.
 
Niemeyer tinha o prédio do Congresso Nacional como o projeto de que mais gostava em Brasília, e explicava que era por causa da “simplicidade das duas cúpulas soltas”. Dizia ele: “O sujeito sobe a rampa e pensa: aqui tem inovação”. 
 
Diversificada, a sua obra chegou também às esculturas e mobiliários. Além disso, lançou um disco de samba e, simbolicamente, em sua última aparição pública, ele visitou as obras de reforma do Sambódromo, no Rio de Janeiro. Aplaudido pelos operários, disse que estava muito feliz, porque “essa obra não é só minha, é do grupo que trabalha comigo e foi feita para alegrar o povo”, afirmou.
 
Como um dos mais importantes arquitetos da era moderna, Niemeyer foi um defensor fervoroso da humanidade e amante da vida. Numa das entrevistas que deu ao longo da vida, disse: “... a razão de estarmos aqui é muito precária. Mas ninguém que ir embora”.
 
 O tempo é de saudade, mas o poeta das curvas, que imprimiu liberdade e sensualidade ao concreto, sempre estará entre nós por meio da sua obra.

Lúcia Vânia é jornalista e senadora da República pelo PSDB 

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