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Fernando Augusto Machado Alves

A higiene bucal na saúde pública

É possível modificar o pensamento coletivo | 08.01.13 - 16:06
Muitos são os problemas provenientes de uma má higienização bucal e esta é o ponto chave para a resolução da maioria dos problemas bucais evitáveis. A cárie, sendo a doença de mais alta prevalência mundial, requer atenção ímpar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e, em um caráter maior, no contexto brasileiro deve ser um ponto forte de erradicação, com base na informação e investimentos em infraestrutura e didática apropriada para os hábitos de Higienização Bucal.

Outro foco importante é a desmistificação do atendimento odontológico como sendo algo ruim e evitável, para um entendimento coletivo da necessidade vital de ter e permanecer em um bom estado de saúde bucal. Esta luta é diária e muito lenta, pois é o hoje, frente há séculos e séculos de tratamentos dolorosos e traumáticos, onde o “boticão” certamente seria utilizado.

No trabalho com a equipe de Saúde Bucal, da Unidade Básica de Saúde-Caraíbas no município de Aparecida de Goiânia, estado de Goiás, Brasil, foi possível perceber as reais necessidades da população e com isso estabelecemos um planejamento estratégico que visou inicialmente às ações de educação em saúde, e a conscientização de que mais do que um simples tratamento curativo, o serviço odontológico estaria para servir como adjuvante nos cuidados preventivos.

Muitos temas foram abordados, sendo a demanda mais voltada para a necessidade diária da população, dando voz as dúvidas e sendo fonte de novas dúvidas e interesses sobre os dentes, a boca, o câncer bucal, a doença periodontal, entre outros assuntos.

Visitamos algumas creches e percebemos realidades certamente diferentes, entre uma e outra, porém infelizmente ainda é grande a negligência por parte dos pais perante a higienização da boca, refletindo em verdadeiras “panelas” nos “dentes de leite” onde a dor e o desconforto são indescritíveis para uma mente infantil. E, incapazes, a responsabilidade dos horários certos da higienização é dos pais, ou responsáveis, somente.

No planejamento estratégico programamos quatro encontros mensais para palestras educativas com temas diversos, e também fazíamos participação nos grupos dos Diabéticos e Hipertensos, gestantes onde, neste caso, os temas são mais voltados para os problemas específicos nas suas respectivas condições, grupos que sempre se mostraram participativos e interessados em informação, o que a meu ver é um sinal benéfico do trabalho do SUS, sempre voltado para informação e mídia.

A doença periodontal, assim como a cárie, é uma doença que também incomoda muito a população e, na nossa realidade diária, isso não se fez diferente.

A mudança progressiva do pensamento coletivo irá depender de qual será o foco do atendimento odontotólogo ao paciente. E isso deve ser inserido ao pensamento individual de cada um da área abrangente. É possível modificar o pensamento coletivo, porém isso requer tempo, paciência e dedicação pessoal por parte da equipe profissional envolvida, para que cada paciente se sinta acolhido e com isso parceiro e instrumento chave para a erradicação da cárie e de outros problemas da boca.

Fernando Augusto Machado Alves é cirurgião dentista e clínico geral.

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