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Anapaula de Castro Meirelles

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Quer dar sua opinião? Então, pague. | 07.03.13 - 15:28
 
Goiânia - Quer dar sua opinião à vontade? Então, pague. Curto e grosso, esse é o resumo da nova política de comentários de site de um famoso jornal. Essa resposta veio de uma ombudswoman, o termo é utilizado para designar o representante dos leitores dentro de um jornal.
 
Essa política reduz o espaço para debates e opiniões e restringe para um grupo que tende a ter uma postura menos crítica as suas reportagens, editoriais e colunas. Jornais que adotam essa postura e jornais que exigem cadastro para que as matérias sejam lidas, estão agindo como a velha mídia que são, entendendo que o espaço digital segue as mesmas regras monopolizadoras do papel.

Tratam a informação como apenas um produto sempre à venda (e muitas vezes até a pauta segue regras do mercado anunciante e dos grupos de poder que lhes são favoráveis). Buscam, com isso, afastar os críticos, temendo ter suas "verdades absolutas" contestadas e derrubadas por argumentos melhores. São tentativas de barrar o debate, mas que se diluem na infinidade de informação aberta e postada por inúmeras fontes que hoje há nos meios digitais e no poder de mídia que estes conferiram a cada pessoa conectada.
 
Assim, a velha mídia vai se fechando em seus nichos, tendendo a ficar como revistas e jornais, hoje respeitados apenas por um pequeno público reacionário da elite e bancada por governos que torram dinheiro público com assinaturas e anúncios em troca de reportagens favoráveis. Esse tipo de mídia terá o mesmo fim que a indústria fonográfica. Esses são só alguns sinais da queda inevitável.
 
O desafio é o modelo de negócio em face da nova vocação da internet, que é a interação e a descentralização das fontes de informação. Na tentativa de sobreviver, a velha mídia se fecha e radicaliza o tratamento do conteúdo como um negócio (tanto para se vender ao consumidor final quanto para ajustar pautas e enfoques a "patrocinadores"). Esse caminho é o do desespero e o da perda de credibilidade.
 
O cadastro é importante, sim, para as estratégias da empresa. Mas é um caminho que incomoda o leitor. O jornal que se vendia em banca não se sabia quem comprava e não era necessário preencher formulário para comprá-lo. Barreiras na navegação online só fazem as pessoas mudarem de site. E o grande propósito desses cadastros é jogar nossos dados ao telemarketing, ao e-mail marketing e a todo tipo de chateação. Sem contar que é também um caminho para se fechar o conteúdo num segundo momento.
 
Minha pergunta é: será que algum adolescente ultraconectado, como são os adolescentes, saberá destes jornais daqui a uns dez, vinte anos? Sorte das novas gerações!
 
*Anapaula de Castro Meirelles é publicitária.

Comentários

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  • 25.03.2013 23:24 Felipe de Queyroz

    Anapaula já li outros artigos aqui seus e sempre me surpreendo com eles. Gosto muito da sua visão crítica. Parabéns.

  • 24.03.2013 07:33 Michelle Mendonça

    Se eu tiver que pagar pra ter informação vou ficar desinformada. Em pleno século 21 e ainda tem veículos de comunicação que criam barreiras. Um absurdo que vai custar caro.

  • 21.03.2013 16:17 Mariota Lage

    Very good, Anapaula Castro Meirelles! Não sou adolescente, mas nunca mais volto em um site destes. O comentário perde todo gás ao preenchermos um formulário. Congratulações por sua escrita e opinião. Mari.

  • 18.03.2013 10:21 Letícia Montenegro

    Pagar pra dar opinião é o fim.

  • 14.03.2013 06:36 Ana Lúcia Capaneda

    Se os veículos não acompanharem a velocidade desta evolução da comunicação serão engolidos. Jornais impressos serão extintos como fez New York Times.

  • 12.03.2013 01:42 Moacyr Fragoso

    Anapaula queria falar com você. Me envie seus contatos pelo email saladadecomunicacao@gmail.com

  • 10.03.2013 10:56 Vilmar Ferreira

    Essa Ana Paula é genial.

  • 10.03.2013 10:42 Carlos Soares

    Criou dificuldades para navegar eu mudo mesmo.

  • 10.03.2013 08:41 Suzi Barbosa

    Inaceitável mesmo é escrever inaceitável com ç. De qualquer maneira concordo com a idéia do texto. Pagar por informação é o fim dos tempos e do jornal. Fica a dica para os jornais que adotam esta política ultrapassada.

  • 09.03.2013 21:28 Jorge Salomão

    Por um momento achei que era o jornal impopular, mas ombudswoman e ombudsman é coisa de peixe grande. Informação nos tempos atuais paga é um retrocesso inaçeitável.

  • 08.03.2013 20:40 Ronaldo S. Conti

    Essa história de pagar para ter informação é um erro que a comunicação moderna e ágil não perdoa. Ótima crítica. Concordo e desaprovo essa política.

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