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Andressa Costa

Alfabetização financeira

Uma necessidade urgente | 28.03.13 - 14:36


GoiâniaPesquisa realizada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) mostra que a parcela de famílias inadimplentes no Brasil aumentou consideravelmente em fevereiro de 2013. 

Tal situação não é nenhuma novidade em um país em que a mídia reforça o consumismo compulsivo, o imediatismo e estimula as “facilidades” de crédito e pagamentos a prazo. Além disso, o Brasil não possui uma cultura em que os pais ensinam seus filhos a serem empreendedores e a cuidar de suas finanças, não importa o volume. 

Nós nunca aprendemos com nossos pais e avós a investir ou a ter o próprio negócio. Sempre aprendemos a trabalhar para pagar as contas e não ficar no vermelho no fim do mês. Os tempos eram outros. As oportunidades eram menos numerosas. Ainda não havia a maratona tecnológica que opera um processo de mudanças constantes. 

Mas, hoje, é suficiente manter o ritmo de nossos pais e avós? Creio que os indicadores de inadimplência provam que não. E ela é resultado palpável da pressão consumista dos dias de hoje.

Nesse cenário, a educação financeira não é somente uma questão de se ter uma planilha de controle de gastos e ou de se conseguir fazer sobrar um dinheirinho depois de pagar todas as contas do mês. É uma questão de disciplina e de escolhas. É saber fazer o dinheiro trabalhar a seu favor para a realização de sonhos e de um futuro sustentável. 

Por isso, educação financeira deve ser ensinada na escola, sim!

Em 2010, foi instituída a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), criada com o apoio do Banco Central do Brasil, da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), da Secretaria de Previdência Complementar, da Susep (Superintendência de Seguros Privados), da Bolsa de Valores de SP – BM&F Bovespa e outras instituições. 

Tal estratégia tem como objetivo tornar a educação financeira uma nova disciplina na matriz curricular, a princípio, do Ensino Médio. Foram realizados projetos pilotos em algumas escolas do país, mas não houve a expansão necessária do projeto (até o momento). Por quê? Por falta de professores capacitados? Por falta de uma metodologia adequada? Provavelmente sim. 

Precisamos formar nossos professores, ou novos professores, para esse tema específico e trabalhar de uma forma inovadora na sala de aula. Usar cartilhas e livros para passar a teoria (como no modelo tradicional de ensino) não é suficiente. O que nossos alunos precisam é de contextualização. Isso mesmo! Atividades que promovam situações reais. 

O jogo, por exemplo, é uma atividade de contextualização fantástica, pois faz com que os alunos absorvam, de fato, o conteúdo enquanto se divertem. Aliás, o jogo é muito eficaz até para ensinar adultos. Nossos alunos precisam aprender sobre o nosso Sistema Financeiro Nacional, sobre poupança e investimentos, sobre ações e taxas que interferem nas nossas finanças etc. 

E, se isso não for passado de uma maneira prazerosa, não causará a transformação que esperamos. Segundo a educadora financeira Silvia Alambert, não importa quantos salários você ganha, e, sim, como você administra qualquer quantia que venha a receber. Quem sabe administrar bem R$ 1,00 saberá administrar bem R$ 1.000.000,00. 

Para concluir, observe mais uma citação de Silvia Alambert: “É melhor dizer ao seu dinheiro para onde ele vai do que perguntar, depois, para onde ele foi”. Essa é a lição que nossos alunos precisam aprender.


Andressa Costa é gestora e educadora financeira; consultora de língua inglesa e orientadora educacional da Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br)

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