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Heloísa Lima

O novo alvo de Assange

Fundador do Wikileaks ataca a imprensa | 02.09.11 - 20:15 O novo alvo de Assange Fundador do Wikileaks, Julian Assange participa de videoconferência na Infotrends (Kirsty Wiggelsworth/Associated press/AE)


De São Paulo
Especial para o AR

O fundador do Wikileaks, Julian Assange, que ficou famoso mundialmente por revelar dados guardados a sete chaves por governos, escolheu um novo alvo: grandes veículos de comunicação. Para uma plateia de brasileiros que participavam do Infotrends - evento que trata de tecnologia e tendências no mundo digital promovido pela Editora Abril, e que está sendo realizado no Hotel Unique em São Paulo - , por meio de videoconferência, nessa quinta-feira (1º/8), Assange criticou alguns dos mais respeitados veículos de comunicação do mundo por “esconderem” a verdade de seus leitores.

Falando pausadamente da Inglaterra, onde cumpre prisão domiciliar, e citando com generosidade a expressão “estado de direito”, Assange deixou em maus lençóis o americano The New York Times e o londrino The Guardian. Segundo ele, os dois veículos teriam editado informações, impedindo seus leitores de terem acesso à verdade. Por trás das “omissões”, interesses dos grupos econômicos que controlam os veículos de comissão.

Para o ciberativista, que abriu sua palestra dizendo que tem sido mantido preso injustamente e lamentando não poder participar do evento no Brasil, só há duas situações em que se justifica “omitir” a verdade e, ainda assim, por um curto período de tempo, da coletividade: “preservar a vida ou a liberdade” de um indivíduo.

Por isso, a crítica pesada aos meios de comunicação, especialmente os controlados por grandes grupos empresariais – como o que patrocinou o evento em que Assange foi palestrante.

Acostumado a constranger governos, o fundador do Wikileaks revelou que o The Guardian teria quebrado um acordo com o Wikileaks para divulgação de um telegrama, omitindo do povo búlgaro que o governo de seu país estaria infiltrado pelo crime organizado, editando o conteúdo da correspondência de forma a citar somente um personagem russo, que já teria sido mencionado em outras reportagens.

Assange foi além ao informar que teria conversado com o editor do jornal sobre o assunto, e que tele teria admitido que fez a “edição” para “não dar nomes de empresas ou pessoas que pudessem processar o The Guardian”, o que seria muito “caro” para o periódico.

Sobrou “indiscrição” também para o The New York Times, que, entre outras coisas, teria impedido que uma revista alemã publicasse uma reportagem, sobre uma lista “extraoficial do governo americano com o nome de quase duas mil pessoas que deveriam ser capturadas ou mortas”. Segundo ele, cidadãos afegãos constariam dessa lista, sem que o governo daquele país tivesse conhecimento.

No final, sobrou para a imprensa em geral. “As organizações que se orgulham em dizer que perseguem a verdade, são mentirosas. Elas não fazem isso. E quando não publicam a verdade, elas não dizem ao público o que estão ocultando.”

O fundador do Wikileaks defendeu a transparência global, mencionou que os governos não “têm direitos, mas responsabilidades” e exaltou a importância das redes sociais. Segundo ele, “colaboradores” são essenciais para o sucesso do Wikileaks.

Por trás do discurso libertário, duas características intrínsecas das redes sociais: a aversão à hierarquia e a desconfiança em relação aos grupos econômicos. Assange é o expoente de uma geração que acredita na colaboração e que preza a transparência irrestrita, doa a quem doer.

Heloísa Lima é jornalista, especialista em marketing político e propaganda eleitoral e assessora de imprensa da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás.


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