Pela 5ª vez o mais influente da web em Goiás. Confira nossos prêmios.

Rogério Lucas

Somos nossas escolhas

Discurso para entrega de premiação | 11.04.13 - 21:02
 
Discurso escrito e, por contratempo, não lido na entrega da
 premiação Os Mais Influentes da Política em Goiás, 2013.


GoiâniaEm nome dos organizadores da Terceira Edição do Prêmio os Mais Influentes da Política Goiana, especialmente no meu nome e no do amigo Iuri Godinho, competente diretor da Contato Comunicação, quero agradecer aqueles que apoiaram de alguma forma este evento ou patrocinaram esta festa. Não necessariamente nesta ordem. Bom dizer que ninguém pagou por este prêmio, mas muitos contribuíram de alguma forma para que pudéssemos fazer esta festa. Um evento para tornar público a homenagem de um grupo de jornalistas e lideranças classistas, que escolheu de forma aberta e democrática os destacados de hoje.

Não chega a ser um Oscar, que aumenta de um dia para o outro a bilheteria da produção ou o cachê das estrelas envolvidas, mas também não é apenas o culto às futilidades da vida, das lantejoulas e purpurinas que ajudam a dar brilho ao carnaval dionísico das relações sociais.
É um meio termo equilibrado entre o estrelato e o reconhecimento de uns poucos que representam, pelo convívio direto e constante com homens públicos, uma visão depurada da cidadania goiana. Os escolhidos, portanto, podem dizer que formam o melhor time de políticos atuando nos proscênios e nos bastidores do grande palco local.

Agradecemos, assim, a direção e equipe local das empresas Caoa Hyundai, Consciente Construtora, Sicoob (Secovi.Cred), Editora Kelps e Leart.
 
Mas o que me é dado dizer é que,

Bons políticos são excelentes atores, cumprem com inteligência e arte o papel que deles o seu eleitor espera. Não importa se este papel seja o de palhaço, como o do nobre deputado Tiririca, ou de temíveis coronéis, como o dos senadores José de Sarney e Renan Calheiros.

Aliás, os alheios à lógica da política acham estranho sua Excelência Doutor Francisco Everardo Oliveira Silva integrar a elitista comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Escolha acertada de seus pares, a maior parte deles decerto mais afeitos a estrelas da grandeza de Chico Buarque ou Caetano Veloso, ou até de nosso cultuado Leonardo. Nenhum deles, porém, representa melhor que o Deputado Tiririca, o cidadão Everardo, o artista mambembe. Nenhum deputado no Congresso conhece a vida e as vicissitudes do malabarista de rua, o sofrimento, os sonhos e as aspirações da gente de circo, do músico que faz dos palcos de periferia a ribalta estrelada de seu ganha-pão. E por consequência de viver esta vida, a vida de todo o vasto público que se diverte, se anima e se encanta com estes artistas. Gente com admiração suficiente para confiar seu voto em um deles.
 
Pessoas alheias às entranhas da política revoltam-se com as atitudes autoritárias e egocêntricas de um José, filho de Sarney, ou de outro José, este amantíssimo, também Renan Vasconcelos Calheiros. Embora a indignação com o mandonismo de um José ou outro, eleitos ambos presidentes da Augusta Câmara Alta, o Senado da República, embora os dois indignem uma maioria de brasileiros, esta indignação não reflete a vontade dos eleitores que os colocaram lá. De alguma forma estes políticos que menosprezam a ética e o bom senso atingiram o estágio da plenitude. Tornaram-se mitos, e o mito em si já atende às aspirações do eleitor.

Os mais inocentes preferem achar que eleições são ganhas pelo poder econômico, e que os maus políticos só se elegem porque gastam muito. É uma verdade relativa. Qualquer iniciante em marketing sabe que o custo de campanha varia conforme o desgaste, o conhecimento, a imagem que o candidato tem. Ou deixa de ter. Mas qualquer neófito também sabe que não se compra o imaginário do eleitor. Ele é de fato seduzido, mas o dinheiro não é nem de longe a maior arma de conquista.

Ganha o eleitor quem consegue despertar nele a emoção, a expectativa, a perspectiva concreta de atendimento de suas necessidades mais fortes, mais prementes. Não basta provar que é capaz de identificar o pão da justiça. É preciso entregar a cesta básica que mata a fome. Não chega dizer das leis que minoram as desigualdades sociais, é preciso entregar a casa de morar, o saneamento básico na rua onde se mora, a Educação, Saúde e Segurança de porta em porta, não em projeto.

Bem, mas estamos aqui para falar com franqueza da realpolitik, desta política cotidiana que faz a intermediação dos desejos mais legítimos de um povo e suas estruturas de poder. Então é preciso que lembremos que ainda no ano passado, por esta época, estávamos aqui para homenagear um dos lumiares políticos de então, o ilustre senador Demóstenes Torres.

Pelos mesmos meios democráticos de hoje, um grupo de jornalistas e lideranças classistas de diversos segmentos foram chamados a opinar sobre o que, livremente, sem listas, sem pressões, consideravam os políticos mais influentes de Goiás em cenário local e cenário nacional, separados por segmentos de atuação. Demóstenes então era uma quase unanimidade, pelo aspecto positivo.

Para sermos justos com a história recente da política goiana e nacional, é preciso uma reflexão sobre o brilho de cometa com que Demóstenes Torres ocupou o céu do poder.

Erraram os jornalistas que o escolheram como referência no clímax de sua glória, véspera inesperada de sua estrepitosa ruína? Erraram os que não viram em sua fulgurante imagem pública os trincados que no microscópio da história podiam ser vistos ainda em seu início? Então, nunca existiu o justiceiro implacável que veio do Ministério Público para o Executivo goiano bramindo a espada de Diké, filha de Têmis, sem temer ser o fiel da balança? Foi uma miragem no deserto de homens públicos brilhantes a figura que subia nos palanques prometendo resolver a pobreza pela educação, a insegurança pública pela punição sem dó aos facínoras? Foi um fantasma que se elegeu senador por quase dois milhões de almas goianas?

Não, senhores, eu lhes digo, não pela fé cega na bondade humana, mas pela avaliação direta da crueza dos fatos: o Demóstenes vitorioso de um dia existiu tanto quanto o derrotado e massacrado dos dias seguintes ao desencanto. E é por isto mesmo relevante lembra-lo aqui hoje, dia em que distribuímos novas homenagens, feitas da mesma forma.

Foi justa a homenagem de antes, como é justa a de agora, reconhecendo o talento que cada um dos senhores e das senhoras tem no desempenho de seus mandatos públicos, atendendo as aspirações e os anseios mais puros dos que os elegeram. Mas que isto também sirva de um alerta: dos políticos medíocres, e os há em quantidade, não se espera senão a opacidade que os torna irrelevantes para os que não lhe dão seu voto. Dos que ganham visibilidade, como homenagens iguais esta dão, espera-se mais. Espera-se que entendam a vaidade ao serem reconhecidos, mas também as graves responsabilidades do homem público.

Entender o que diz, o que quer, o que aspira o cidadão é coisa hoje relativamente fácil de ser feita, nada que uma boa pesquisa não possa mostrar com acuidade e clareza. Já lidar com estas aspirações, conquistar a confiança de quem as têm, inspirar respeito é um processo mais longo e delicado. Passa pelo aprendizado das escolhas.

Na vida pública, como nos limites da individualidade, não há nada mais eficaz para temperar o caráter do que o livre arbítrio. Somos, essencialmente, não o papel que cumprimos no palco da política e da vida. Não somos os palhaços, os jogadores de futebol, os administradores, os jornalistas, os coronéis cujos papéis encenamos. Somos nossas escolhas. E a forma de conduzi-las, na vida pública que todo homem tem.

Erram os que tentam mostrar o que não são, acreditando mais no personagem que criam do que nas suas próprias crenças e expectativas de realizar o bem comum. Acertam os que conseguem caminhar com a segurança dos justos no fio da navalha da esperança de um amanhã melhor para todos.
Há tiriricas, pragas daninhas, jogadores aposentados, políticos de má índole fazendo da política sua forma de viver e de realização pessoal, de fortuna, de mera acumulação de poder. Mas há, para ficar no âmbito da região de nossa escolha, homens da dimensão histórica, da visão de mundo moderna e eterna, da bondade intrínseca de Henrique Santillo. E de Mauro Borges, nosso homenageado especial do ano passado, que nos deixou agora, mas que tem presença garantida no panteão dos mais influentes da política goiana de todos os tempos.

Tudo o que podemos desejar aos senhores homenageados é que façam desta ocasião um novo passo para se inscreverem na história goiana. Não como mais um Demóstenes, mas como um novo Mauro Borges.

Muito obrigado a todos.

Rogério Lucas é jornalista.
 
 


Comentários

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  • 19.04.2013 23:15 Joao carlos

    Emocionado de te ler. Obrigado, amigo.

  • 16.04.2013 20:32 VERA LUCIA ALVES MENDES PAGANINI

    Muito bom ler os seus textos, doutor! Muito bom!

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