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Maria Dulce Loyola

Tributo a Paul McCartney

Não se pode medir o valor deste fato | 08.05.13 - 09:01 Tributo a Paul McCartney (Foto: Rafaella Pessoa)
 
 
Goiânia - Para muitos o show do Paul McCartney em Goiânia soa somente como a vinda de um ex componente do conjunto The Beatles, que até hoje faz sucesso com suas músicas antigas e novas.  A vinda de um mito dos anos 60 a Goiânia encantou a todos, porém, a geração que viveu ao som de Beatles, Rollings Stones, Cat Stevens, Janes Joplin, Rod Stewart, James Taylor e tantos outros estrangeiros que embalavam as nossas festinhas, muitas vezes após a missa das sete na Catedral Metropolitana, precisava ser beliscada para sentir que era real o Paul que estava ali no palco.
 
Para entender como isso é importante para esses jovens é só se transportar para os anos 60 e pensar que era o máximo para eles escutar e dançar as músicas cantadas pelos Beatles. Nos primeiros anos o grande sucesso foi “Twist and Shout”, era preciso aprender a dançar os mais de cem passos do twist, que variavam de acordo com a imaginação. Depois veio o hully gully, a moçada ensaiava os passos para dançar sincronizada e tudo sair bonitinho copiando o estilo dos quatro rapazes que se apresentavam dançando.
 
Era muito difícil ter acesso às apresentações deles cantando as músicas gravadas, ver os quatro rapazes ao vivo era coisa rara, pouco apareciam na televisão, o nosso Jornal Nacional eram os  jornais que antecediam os filmes nos cinemas da cidade, ainda assim, eram poucos minutos e muito rápido. A melhor divulgação eram os seus filmes, porém, só podiam ser assistidos quando um cinema exibia, pois, ainda, não tinha fita VHS, muito menos DVD. Os jovens se contentavam em escutar as músicas gravadas em discos de vinil, que eram tocados em vitrolas imensas, que somente os mais ricos tinham em casa.  O que se podia ter eram as fotos, revistas e as capas dos discos Long Play.  
 
Goiânia tinha pouco mais de cento e cinquenta mil habitantes, Brasília tinha acabado de ser inaugurada. A cidade não tinha vida noturna para os jovens, sair à noite ou para jantar em algum restaurante era coisa raríssima, o bom era tomar um lanche de dia mesmo lá no Alkar, na Avenida Tocantins, que tinha o melhor cachorro quente, sem molho, assado na grelha elétrica, como o americano faz ou comer uma pizza na Pizzaria 110, na Rua 3, no Centro, depois da aula de Francês – naquele tempo se aprendia Francês na  Aliança Francesa ali na Anhanguera. Imaginem aos Domingos sair de casa para assistir no Cine Teatro Goiânia o desenho animado de Tom e Jerry, às dez horas da manhã. Poucas opções de lazer oferecia a jovem Goiânia, programas como esses, simples e inocentes, eram o que se tinha para fazer e para quem não tinha muitas opções escutar Beatles e dançar Hully Gully era o máximo e se tocasse Something ou Yesterday se dançava abraçadinhos, de rosto colado, sentido o coração sair pela boca se o parceiro fosse uma paquera.
 
Ontem, aqui e ali os olhares se encontravam, era nítido que os grisalhos e os cabeças brancas viveram essa época intensamente, senão em Goiânia em outras cidades brasileiras, parceiros dessas coisas antigas. Eram os rapazes e moças que, naquele tempo, se tivessem falado que um dos Beatles viria a Goiânia, soaria como algo excepcional e impossível de acontecer, equivaleria a um fato como quando o homem chegou à Lua. Por isso, eles juntaram a família beatlemaníaca e foram para o show, estavam ali prestando seu tributo a um dos mais ilustres cantores da nossa geração.
 
Não se pode medir o valor desse fato para esses goianos que se emocionaram demais ao cantar com ele as mesmas músicas que eram tocadas em suas vitrolas que hoje são peças de museus. Foi um sonho que se realizou, talvez por isso quase que o tempo todo um “Grass Hopper”, um gafanhoto goiano, posou em seu braço e grudou ali, esperançoso de que o sonho não acabasse, mas, teve que acabar, Paul tinha que “vazar”. Era Paul mesmo ali no palco, cantando o que se esperava que ele cantasse. Um dia de muita emoção, decididamente não esqueceremos. Todos  se encantaram, cantaram, dançaram à moda de antigamente e se divertiram como se fosse ontem. Obrigada, Sir Paul McCartney, por continuar embalando com suas músicas as nossas vidas.
 
Maria Dulce Loyola Teixeira é administradora

Comentários

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  • 16.05.2013 17:07 Teresa Cristina de Moraes Lobo Garcia

    Esse artigo seu, Maria Dulce, me fez voltar aos anos 60, lembrar das festas ao som dos Beatles na Avenida Tocantins e sentir bastante saudade dos amigos e amigas daquela época. Não se fazem músicos nem músicas como nas décadas de 60 e 70. Como você deixou bem claro, Maria Dulce, nesse artigo tão cheio de lembranças e emoções, não houve quem não se encantasse com esse momento mágico que o Paul nos proporcionou. Parabéns pelo belo e emocionante artigo. Cristina Lobo

  • 08.05.2013 21:28 Luiz Augusto Chein

    Perfeito seu comentário, amiga. Adorava os desenhos de Tom & Jerry nos domingos do Cine Teatro Goiânia e depois um sorvete no barzinho anexo, cujo nome não me recordo. No início da década de sessenta, chegava da faculdade, ligava o rádio só para ouvir os quatro cantarem "I wanna hold your hand". Maravilhosos tempos. E, depois de mais de quarenta anos, ver ao vivo o maior (pelo menos para mim) dos Beatles, é a glória. Inesquecível. Ah! Lembrei o nome do barzinho: "Ki-Bar" (era esse?).

  • 08.05.2013 21:02 Reinaldo Borges Garibaldi

    Somos da mesma geração, somos privilegiados por ter tido opção de curtir tantas bandas e aristas que até hoje fazem sucesso. Que época... Pena que tudo passa... Quem diria um Beatle em Goiânia !!! Quem não foi perdeu, pois foi o melhor show que assisti em toda minha vida.

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