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Miguel Cançado

Let it be (ou deixe estar)

Um Beatle cantando pra nós! | 12.05.13 - 00:24
Goiânia - Era de se esperar que a gente afetuosa de Goiânia, que se dispôs a ir ao Estádio Serra Dourada na última segunda-feira, vivesse momentos de lazer e emoção redobrados. Ali se apresentaria um dos maiores ídolos da música, alguém que fez parte do maior símbolo musical que o planeta Terra já conheceu.

Era noite clara e bela para se ver e, que alegria extrema, ouvir Sir Paul McCartney. Quase Inacreditável, embora real, mas era um Beatle cantando pra nós! E, de fato, as expectativas quanto ao que viria se superaram naquelas duas horas e quarenta minutos de muita sinergia; absoluta simpatia; carisma a transbordar; habilidades artísticas já sabidas a perder de vista, enfim, naquele palco montado onde a rotina é a de outro tipo de espetáculo, aliás, hoje pouco alvissareiros.

O que se viu foram momentos que, com licença pela obviedade, grudam na retina e nos tímpanos, e não saem mais. Mas houve um toque a mais de elegância, diria um saudoso amigo que já se foi. Surgiu do céu um quê a mais de graça improvisada pela natureza que, não fosse o comportamento genial do grandioso artista, e esse é o ponto fundamental, poderia ter se transformado num incomodo capaz até de precipitar o encerramento do mega evento. Poderia aquele fato nos ter privado de ouvir e sentir a emoção da interpretação de Another Day. Poderiam aquelas pequenas e verdes criaturas nos ter provocado a ingente frustração de ter não ouvido Paul teclar e agitar as cordas das suas guitarras para nos brindar com Let it Be.

Ainda no inicio do show, e sem pagar ingresso, sem enfrentar filas ou se submeter à revistas pelos seguranças, surgiram do céu milhares de esperanças, pequenos e verdes insetos que, durante quase toda a magnifica apresentação de um dos Rapazes de Liverpool, teimaram em se manter colado à roupa e aos instrumentos musicais do ARTISTA (assim mesmo, com letra maiúscula) até porque foram muito bem recebidos.

Mas o que mais chamou a atenção quanto à presença de tão inesperados convidados - as esperanças - foi a reação, ou melhor dizendo, a recepção que a eles emprestou Paul McCartney. Nem um único gesto de irritação ou desconforto, como era natural que houvesse. Nada de revolta ou nojo. Ao contrário! Foram brincadeiras, afagos e até um apelido: Harold! Ali o que vimos, muito além da capacidade artística e intelectual, que aliás, em se tratando de quem se apresentava, nem se mede, foi a demonstração de que, até mesmo um dos homens mais ricos e admirados do mundo, pode, diante de mais de quarenta mil pessoas, agir com doçura e leveza, de modo a tornar o que a principio seria um desconforto numa esperança de que a grandeza de gestos ainda é uma marca fundamental nas nossas vidas.

Muito além do astral que nos trouxe do alto dos seus inacreditáveis setenta e um anos, Paul McCartney parece que, naquele gesto simples de suportar as esperanças, e expressando, ainda que sem saber, Cora Coralina, quis dizer: "Nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas". Ele Tocou. Tocou, além da música, um legado de simplicidade e, com esperanças, de que podemos ser melhores se nos tornarmos menos exigentes com as situações que nos surgem a cada momento.

Miguel Ângelo Cançado é advogado, Conselheiro Federal da OAB por Goiás e membro da Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional

Comentários

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  • 12.05.2013 10:04 jheovacyy souza

    melhor programa de goiãnia homem que fala a verdade..

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