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Anapaula Meirelles

Veto ao Ato Médico e os mimimis

Medida evita exclusivismo | 15.07.13 - 11:55

Goiânia - A gritaria sobre o veto de Dilma ao Ato Médico me parece mais um rompante da soberba dos jalecos brancos. A categoria queria que somente os médicos (e mais nenhum outro profissional) pudessem diagnosticar qualquer tipo de enfermidade. Ou seja, psicólogos e psicoterapeutas, por exemplo, precisariam do aval de um médico para diagnosticar transtornos mentais, um tipo de burocracia centralizadora de classe que nada ajudaria os pacientes. Isso sem falar em outros profissionais da saúde, como fisioterapeutas.

Com o veto, caiu essa possibilidade exclusivista, o que fez o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz d'Avila, chegar a falar em "agressão aos médicos" e "incompetência" do ministro da Saúde, a quem d'Avila acusa de agir com interesses eleitorais... Pergunto aos meus botões: quem está agredindo quem nessa história e quais são, de fato, os interesses? Em nenhum momento o Conselho Federal de Medicina toca num ponto que me parece essencial: o paciente, o ser humano que precisa ser atendido e entendido como gente.

Fiz uma pesquisa e descobri que quem faz diagnóstico de malária não é médico nem enfermeiro, é o agente de saúde treinado para isso. Se a lei fosse sancionada na íntegra, como ficariam esses atendimentos? Além disso, o fisioterapeuta que eu conversei disse que 90% dos problemas de coluna são posturais e são resolvidos no consultório do fisioterapeuta. Se a lei fosse sancionada, o paciente teria que ir pro médico e sobrecarregar a fila de consultas no SUS e só depois ele voltaria para fazer o tratamento com o fisioterapeuta. E diagnóstico de depressão? É feito pelo psicólogo. Raramente a pessoa precisa tratar depressão com medicamentos, ela pode fazer apenas terapia. Ir ao médico significa "medicalizar" o tratamento. Não faz o menor sentido centralizar esse tipo de diagnóstico apenas aos médicos!

Eu simplesmente amo o seriado ‘Os Simpsons” e me lembrei de Julius Hibbert que atende a todos e se incumbe dos diagnósticos e tratamentos no seriado. Das vacinas na bebê Maggie até liberação de maconha medicinal para o perturbado Homer, está lá o doutor Hibbert e sua aura de pajé. Hibbert veio instantaneamente na minha cabeça diante das acaloradas reações classistas da área médica quando se tocam em temas relacionados a essa profissão tão digna, mas ainda cercada de mistificações.

Hibbert, com sua onipresença na vida de Springfield parece-me algo que não é apenas do mundo dos desenhos animados, mas um desejo do Conselho Federal de Medicina. A entidade classista é contra os médicos de fora para os cargos não ocupados pelos médicos daqui, é contra os psicólogos e psicoterapeutas poderem diagnosticar transtornos mentais, é contra os fisioterapeutas poderem diagnosticar problemas de postura corporal, é contra os fonoaudiólogos poderem diagnosticar enfermidades auditivas etc etc etc. Soma-se tudo isso e chegamos à prática de uma medicina “a La” Hibbert!

A Revolução Francesa conseguiu quebrar a onipresença do dogma sobre todas as ações humanas e o Iluminismo, que a inspirou, reabriu as portas ao conhecimento científico, hoje impulsionado pela era tecnológica e digital. Fico a pensar no que seriam os conceitos de saúde e doença diante das novas descobertas da ciência e se caberia a um único tipo de profissional a onipresença nos diagnósticos relacionados ao corpo e à mente de nossa complexa espécie.

Respeito os médicos. Mas para mim eles são médicos, nem menos, nem mais.


Anapaula de Castro Meirelles é publicitária.

Comentários

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  • 20.08.2013 19:39 Francisco Henrique Dias

    Não têm formação suficiente e querem exercer a medicina. Diagnóstico de depressão por psicólogos? Piada. A jornalista que escreve o texto sabe o que é diagnóstico diferencial? Por acaso um psicólogo está preparado para fazer o diagnóstico diferencial entre as inúmeras possibilidades para a tal "depressão"? O fisioterapeuta está preparado para diagnosticar mieloma múltiplo, que é causa de dor lombar? Não está.

  • 20.08.2013 02:15 Flavio Gonzalez

    Que coisa mais sem nexo essa discussão , é simples o medico faz o diagnóstico , auxiliado pela equipe e exames complementares , a partir dai prescreve e fica responsável pelo paciente. Há algo errado no parágrafo acima? Alguem vai assinar o atestado de óbito? Alguem vai responder judicialmente em caso de erro médico? Não é questão de importancia , pois sabemos de nossos grandes limites , é questão de responsabilidade. Quem é mais importante o servente de pedreiro ou o engenheiro? São iguais , porém a responsabilidade é do engenheiro. Nunca é bom pensar , ou talvez não pensar , em forma da maioria e ficar repetindo ad eternun o que outros dizem.

  • 04.08.2013 22:25 Jorge Andrade

    Não ao corporativismo. Pela manutenção dos vetos! Por uma saúde multidisciplinar! Por médicos que respeitem seus pacientes. Por médicos que cumpram os horários da consulta. Por médicos mais humanos. Por mais jornalistas que pensam como você Ana Paula.

  • 04.08.2013 19:43 André Luís

    Médicos como esses Abdias e Aline deveriam perder o direito de exercer a medicina.

  • 04.08.2013 18:20 Abdias Ferreira Sobrinho

    Olha antes de ser optometrista,trabalhei na secretaria de saúde do Piaui como tec.em laboratório responsavel pelo controle da malária,hanseniases,e tuberculose,todos os exames e controle do tratamento dos pacientes erão controlado por mim até o final do tratamento com a alta após os 6 meses de tratado,o paciente só era levado ao médico,quando o surgimento de uma outra patologia e isto acontecia em armonia entre o tec.eo médico no qual quem ganha é o paciente que era bem atendid os pelas as ambas as partes e se recuperava o mais rápido possivel. não vejo demaneira alguma um tec o outro profisional acompanhar certos pacientes que precissão dos primeiros cuidados e prevenção para uma boa recoperação.......vejo somente a questão do poder ganhar,ganhar e ganhar e não o progresso da melhora do paciente,muitos profissionais médicos as vezzes não gosta nen q o paciente fique totalmente bom,pois sendo assim os mesmos ficariam sem mais um para ganhar o dinheiro deste ou aquele paciente que pode não voltar mais ao seus consultórios.

  • 04.08.2013 16:29 Aline

    Que decepção com a classe medica, meu Deus! Uma profissional comentou aqui "Apenas sugiro que a partir de hoje nao se consulte mais com médicos!Procure apenas os demais profissionais,que já nos fará um enorme favor!E nao adianta na hora do desespero correr atras de medico nao!Aguente sem eles ate o seu fim!" Onde vamos parar? Uma médica que argumenta um pensamento contrário ao dela desejando o mal e o fim do seu semelhante? Por pensar diferente ela não oferece seu conhecimento e estudo e manda a jornalista se virar? Onde está o juramento? Onde está a humanidade? Os meus questionamentos serão sempre em relação a maioria dos médicos como essa profissional aí. Infelizmente as exceções são cada dia menores. A maioria dos médicos pensam mais no bem próprio do que com o bem do seu paciente? O que é mais importante? Fama? Dinheiro? Se a maioria dos medicos se importarem mais com o poder de curar do que o poder de ter ah! muita coisa iria melhorar. Estes médicos são ridículos.

  • 04.08.2013 14:40 André Cardoso

    Nossa luta é pelo bom exercício da atenção à saúde, de maneira responsável e legítima. Saúde não é mercadoria e não pode ser monopolizada por um lobby de profissionais alheios ao bem-estar humano como causa última. A postura destes profissionais nos comentários refletem a altivez e a prepotência. Atacam gratuitamente o argumentador. Que venham mais pessoas com este pensamento justo e coerente. Profissionais da saúde em qualquer âmbito, vamos nos unir contra o PL 7703/2006, covardemente bancado por lobbistas, que desejam monopolizar os cuidados à saúde humana. Sem união não há solução. Lutemos juntos por nosso direito de exercer dignamente nossas profissões. Vamos a marcha! Não ao ato médico, sim a dignidade dos profissionais da área da saúde, que diariamente dedicam-se a saúde do ser humano. Sim a você minha cara Anapaula. Não a conheço mas tem meu respeito e consideração. Não ao monopólio da área da saúde. Queremos Regulamentação responsável de atribuições e Respeito a todas profissões, de nível superior ou de conhecimento tradicional.

  • 04.08.2013 13:34 Flávio

    Vamos derrotar a fera coorporativista. Saúde multidiciplinar já. Parabéns pela coerência. Precisamos pensar na saúde da população. O desrespeito com as outras profissões é revoltante. Mais médicos respeitando a opinião contrária, mais médicos respeitando as outras profissões e mais médicos pensando na saúde de seus pacientes. O que vejo são médicos que vão sim ao trabalho, mas batem o ponto e somem.

  • 03.08.2013 20:50 Márcia

    Será que o Dr. Frederico Lobo conhece o Código de Ética Médica? E a Resolução CFM 1.701/03 que fixa os critérios da propaganda em medicina, conceituando os anúncios, a divulgação de assuntos médicos, o sensacionalismo, a autopromoção e as proibições referentes ao tema, como propagar técnicas exclusivas e a garantia de serviços? Um médico que tem página em rede social pra fazer propaganda de si mesmo não tem nem o direito de manifestar. Nem a ética da profissão conhece. Tô ligada na soberba destes médicos.

  • 03.08.2013 14:04 Rosemary Bonifácio

    É necessário esclarecer a importância do respeito aos profissionais que TRABALHAM e jamais aos que se escondem atrás de seus títulos para oprimir todos os trabalhadores das demais profissões. Não ao Ato Médico! Não ao desrespeito! Não a ignorância! Não a onipotência de oportunistas que já foram beneficiados com seus berços esplêndidos e se acham no direito de degradar seu próprios pares de trabalho.Não a qualquer laboratório que se aliar a esta barbaria!

  • 03.08.2013 14:02 Nilce Kamimura

    Que Ato é este? Responsáveis por desrespeitarem Direitos Adquiridos de outras Profissões, tolhendo atividades bem exercidas por outras profissões em prol da Saúde. Cada profissão deve por dignidade e ética respeitar a área de atuação da outra.

  • 03.08.2013 13:54 Marco Túlio dos Anjos

    Sim ao ato médico, desde que os médicos estudem na faculdade todo o conteúdo que outras 13 profissões da área de saúde têm em seu currículo.

  • 03.08.2013 13:01 Marise Grace

    Maravilhoso texto. Quando será que os médicos vão cair a ficha? Eles nunca conseguem ouvir o que os pacientes estão falando. Só conseguem enchergar o que querem. São sempre prepotentes e gananciosos. Uma pérola suas observações. Infelizmente para os médicos a saúde do paciente está em último lugar. Os comentários destes médicos é o retrato da falta de ética e postura.

  • 03.08.2013 10:25 Sheila

    Bom, disso tudo só lamento uma coisa: quem dera os nossos médicos fossem como o Dr. Hibbert de Springfield! A grande maioria dos nossos médicos se limitam a examinar e diagnosticar os pacientes "por partes", de acordo com suas especialidades. Fora isso, pouco mais lhes interessa ou sabem. O médico generalista de Springfield que resolve os problemas básicos e diários das pequenas comunidades é o sonho de consumo que infelizmente já não existe mais com tanta frequência. E posso te garantir que não é um desejo do Conselho Federal de

  • 03.08.2013 10:25 sheila

    Bom, disso tudo só lamento uma coisa: quem dera os nossos médicos fossem como o Dr. Hibbert de Springfield! A grande maioria dos nossos médicos se limitam a examinar e diagnosticar os pacientes "por partes", de acordo com suas especialidades. Fora isso, pouco mais lhes interessa ou sabem. O médico generalista de Springfield que resolve os problemas básicos e diários das pequenas comunidades é o sonho de consumo que infelizmente já não existe mais com tanta frequência. E posso te garantir que não é um desejo do Conselho Federal de Medicina.

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