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Lúcia Vânia

O rosa da esperança

Outubro é mês de luta contra câncer de mama | 14.10.13 - 12:52 O rosa da esperança (Foto: Lia de Paula/Ag.Senado)

Brasília - As cidades brasileiras, a partir de Brasília e do Congresso Nacional, têm presenciado uma onda cor de rosa, dando expansão ao que, em todo o mundo, é chamado Outubro Rosa.
 
Recentemente, a atriz Angelina Jolie provocou o que a revista Time chamou de “o efeito Angelina Jolie”. A dupla mastectomia da atriz colocou a mamografia sob holofotes. A partir da árvore genealógica de sua família, Angelina Jolie optou pela dupla cirurgia de retirada dos seios, dando um exemplo para o mundo.
 
No Brasil, uma senhora de 81 anos, Wilma Godoy de Almeida, da cidade de Piracicaba, duplamente mastectomizada há 25 anos, dá o seu exemplo, dirigindo uma entidade de apoio a mulheres com câncer de mama.
 
Os números são alarmantes em nosso país. Levantamentos do Instituto Nacional do Câncer (INCA), feitos este ano, indicam que mais de 52 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de mama a cada ano no Brasil, das quais 13 mil vão a óbito. A dra. Patrícia de Melo, da Sociedade Brasileira de Mastologia, diz que o câncer de mama é um dos mais graves problemas de saúde pública, além de ser o que mais mata mulheres no Brasil e no mundo.

O movimento Outubro Cor de Rosa é lembrado, praticamente, em todos os países. O nome remete à cor do laço rosa que passou a simbolizar, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da sociedade em geral, incluindo empresas e entidades.
 
Historicamente, o Outubro Rosa remonta ao final do século 20, quando o Congresso Americano aprovou outubro como o mês da luta contra o câncer de mama. O movimento se espalhou pelo mundo, a partir de cidades americanas que passaram a sensibilizar as pessoas, oferecendo um laço rosa para alertar sobre a doença.
 
O Outubro Rosa chegou ao Brasil em 2002, quando os principais monumentos brasileiros passaram a receber a cor do movimento.  A idéia cresceu por uma iniciativa da Federação Brasileira das Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).
 
Apesar dos avanços tecnológicos na área médica, o câncer, em todas as suas manifestações, continua a ser responsável por alto índice de mortalidade. Segundo o INCA, de 2012 até o final deste ano, o Brasil deverá registrar pouco mais de 518 mil novos casos de câncer.
Segundo tipo mais freqüente no mundo, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres e responde por 22% dos casos novos a cada ano. Os especialistas concluem que as taxas elevadas de incidência da doença no Brasil são devidas aos diagnósticos em estágios já avançados, que correspondem a 70% dos casos detectados, e já com possibilidades de cura reduzidas. 
 
Raro antes dos 35 anos de idade, a doença aumenta rapidamente a sua incidência acima desta faixa etária. E isto ocorre tanto nos países em desenvolvimento, quanto nos desenvolvidos. No Centro-Oeste, o câncer de mama acomete 38 mulheres em cada grupo de 100 mil, enquanto a taxa brasileira é de 49 casos a cada 100 mil. 
 
Foi pensando em todos esses dados que apresentei Projeto de Lei, aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado em junho de 2008, instituindo o dia 05 de fevereiro como o Dia Nacional da Mamografia. A data foi escolhida em homenagem à Santa Ágata, protetora contra as doenças mamárias e padroeira dos mastologistas. 
 
Segundo dados do INCA, há uma redução de cerca de 30% na mortalidade por câncer de mama em mulheres, na faixa etária de 50 a 69 anos, quando elas fazem parte de um programa de rastreamento por meio de mamografias. 
Isso ilustra a fundamental importância de as mulheres brasileiras fazerem esse exame, indicado para que seja realizado periodicamente em mulheres acima de 40 anos de idade.
 
A importância do Outubro Rosa é que a campanha tem como foco a prevenção do câncer de mama, por meio da mobilização social e da conscientização quanto à prevenção da doença. A população tem que ser sensibilizada de que com a detecção precoce e o tratamento correto, mais de 90% dos cânceres têm cura.
 
Conclamo, pois, as mulheres brasileiras a aderir a essa meritória campanha, que tem salvo tantas mulheres, a começar pelo auto-exame, que é um verdadeiro toque pela vida.
 
Graças aos exames prévios, o índice de novos casos de câncer de mama passou de 75% em 1975 para quase 90% em 2012.  Segundo o Instituto Nacional do Câncer, somente para este ano de 2013 são esperadas quase 53 mil novas ocorrências. São vidas para as quais se abre uma nova esperança, beneficiadas pelos exames preventivos.
 
Lúcia Vânia é senadora (PSDB), ouvidora-geral do Senado e jornalista.

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