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Jales Rodrigues Naves

Notas de uma viagem a Praga

A cidade é bonita e as pessoas amigáveis | 07.11.13 - 16:51
Praga - Quando cheguei já havia anoitecido. Haviam me recomendado um albergue, mas nenhum taxista sabia onde era. Como fiz uma amiga americana dentro do trem, fomos andando para procurar algum lugar que tivesse conexão com a internet. Parei num burger king, consegui me conectar e achei um outro hostel. Quando fui ver, na verdade era o mesmo que haviam me dito, apenas tinha mudado de nome.

Cheguei, mas dei um grande azar. Uma espécie de excursão meio adolescente/meio início de faculdade vinda da França tinha acabado de desembarcar aqui. Eram 78 pessoas na minha frente para pedir quarto e fazer check-in. Quando chegou a minha vez, a preocupação com o hostel já estar cheio, mas logo verifiquei que ainda cabia muita gente, longe de atingir a sua capacidade máxima. São cinco andares com 20 quartos cada um.
 
Não acredito que tenha sido coincidência, mas fui alojado numa suíte de seis camas onde já se encontravam cinco brasileiros: dois paulistas, um carioca e um baiano. O baiano é gente finíssima e conversamos bastante, mas ele já estava indo embora. Os outros três são um pouco folgados, fazem muito barulho quando chegam, são espalhafatosos e não respeitam muito o espaço comum.
 
Tomei banho, desci e fui tomar um chopp no pub do próprio hostel. Como estava com muito sono, tomei apenas uns três e fui dormir. Tenho dormido mal e estou acumulando cansaço, o que me dá uma certa preguiça na hora de sair de dia, mas nada que eu não supere.
 
Não ando gostando muito da noite aqui. Só música de extremo mau gosto, e sempre alta. Hoje percebi porque estava mal humorado nos últimos três dias. Não estava achando tempo para ouvir minhas próprias músicas. Assim que coloquei meu iPod no ouvido ao sair entrei em alpha e meu humor melhorou. Contudo, jurei matar o próximo DJ que tocar Michel Teló e Gusttavo Lima (as duas únicas músicas brasileiras que o pessoal daqui conhece. Provavelmente vai ser hoje à noite, já que não consegui pular uma sem ouvir essas porcarias).
 
Aliás, estou um pouco decepcionado com o jovem europeu. Não é nem com o fato de que 99% não sabem quase nada sobre o Brasil (todos só sabem da existência do Rio de Janeiro, acham que a capital é lá e não tem nenhuma noção da nossa cultura), mas com todos que conversei (e não foram poucos), todos demonstraram quase nenhum conhecimento sobre a cultura de seu próprio país, ou cultura europeia em geral. Pessoal aqui só quer saber de balada com música eletrônica e ecstasy.

Pra vocês terem uma noção do tamanho do absurdo, e não estou brincando, ninguém em Viena que eu conversei sabia sobre os grandes nomes da música no país deles (nem mesmo Mozart!). Pra piorar, só uma pessoa conhecia os Beatles, mesmo sendo a banda mais famosa do século XX, de longe. Enquanto lhes escrevo, aliás, consigo ouvir a música do saguão. É uma mistura de rap americano com eletrônico. Eu pergunto essas coisas para as pessoas porque uma coisa que eu tinha na minha cabeça ao sair do Brasil era tentar conhecer a cultura dos lugares menos da perspectiva de turista-transeunte, mas através dos relatos dos próprios nascidos aqui. Pode soar pretensioso, mas imaginei que isso enriqueceria a experiência. Acabei não obtendo qualquer êxito.
 
Levantei hoje cedo e fui passear. Ainda não conheci muito da cidade, mas o tanto que já conheci é excepcional. A cidade é muito bonita e as pessoas, até agora, são amigáveis.
 
Enquanto as catedrais do oeste europeu são na maioria clássicas (e algumas góticas), as tchecas tem um formato interessante. Elas são um misto entre a tradição ocidental e influências ortodoxas (lembrem-se de igrejas turcas). Ficou um formato curioso, bem bonito. Só pecam no tamanho. Não há nada tão majestoso como Notre Dame, por exemplo.
 
Aqui está bem frio, mas ando sempre pelo sol para não congelar. Sentei-me em um parque para observar um pouco as pessoas e a vista. Enquanto as ruas são de pedra, o chão dos parques é de asfalto, então quando bate aquele sol do meio-dia, o clima acaba ficando um pouco mais agradável.

Cachorros aqui estão por toda a parte. Eles podem entrar em restaurante, shopping, estações. Se em Paris a maioria era ‘malinha’ (raça da moda, né), aqui a maioria é "aviralatado".Você até reconhece a raça original, mas as misturas são claras. Fiz amizade com um casal de velhinhos tchecos que estava passeando com seu cachorro e fiquei brincando com ele. Assim como fez a Cindy, ele decidiu que não é mais cão, pois agora é gente. Sempre que cruza com algum outro entra naquela posição de bote (meu pai vai se lembrar melhor de como ela fazia), pronto pra dar um salto em qualquer outro cachorro que aparecesse. Ele adorava brincar de pegar gravetos, e passamos um bom tempo nessa. Embora fosse incansável, seus pais resolveram ir embora e eu continuei lá sentado por mais um tempo.
 
Dei mais umas voltas por outros pontos turísticos.
 
Jales Rodrigues Naves Júnior é advogado, sócio-proprietário do escritório Naves & Oliveira Advogados.

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