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Ricardo Piccolo Daher

Como tomamos nossas decisões?

Estudo sobre vieses cognitivos | 04.12.13 - 10:41

Goiânia - Tenho um interesse, entre vários outros, por economia comportamental e vieses cognitivos. Na pesquisa mais recente que fiz sobre o tema, me deparei com alguns artigos interessantes sobre vícios na maneira com que nossos cérebros tomam decisões. Segue abaixo um deles. 
 
Viés de Confirmação:
Nós adoramos concordar com aqueles que concordam conosco. É por isso que tendemos a estar sempre com pessoas que tem os mesmos gostos que nós mesmos, e por isso a gente acaba sempre lendo os mesmos jornais, revistas, colunas (blogs, feeds, instagram, twiter...) que eles também lêem (ou seguem...). Assim, o viés de confirmação é a tendência que temos de favorecer informações que confirmam nossas crenças prévias. Acontece quando buscamos informações que reforçam aquilo em que já acreditamos. Se você já ouviu falar da “ilusão de frequência”, ela esta relacionada a este conceito.
 
A ilusão de frequência acontece por exemplo, quando uma mulher grávida começa a perceber várias outras mulheres grávidas em todos os lugares. Ou quando compramos um carro novo e de repente começamos a ver vários carros iguais enquanto dirigimos. Eles ficam mais frequentes? Não. A frequência é a mesma antes e depois da gravidez, ou antes e depois de comprarmos o nosso carro. A ilusão de frequência é uma forma de viés de confirmação. Como gostamos do nosso carro novo, ou de estar grávida (ou qualquer outra característica), estamos mais abertos a perceber aquelas mesmas características, e tendemos a ignorar outras características e informações que não nos convêm. É a forma como nossos cérebros agem, ativa e passivamente, e tem a ver com algo chamado dissonância cognitiva. 
 
Em psicologia social, a teoria da dissonância cognitiva propõe que cognições contraditórias funcionam como estímulo motivacional por causar desconforto mental ao indivíduo. A teoria assume que indivíduos preferem que suas expectativas acompanhem a realidade, criando uma certa forma de controle. Quando a realidade vai contra uma crença prévia do indivíduo, tem-se a dissonância. O efeito é ainda mais forte em contextos emocionais ou com crenças mais enraizadas. Assim, por hábito ou reflexo, sucumbimos ao viés de confirmação, ao tentarmos evitar a chance de nos expormos a ideias contraditórias. Para evitar a dissonância, nos envolvemos com pessoas que tem as mesmas crenças, gostos e costumes que nós mesmos. E por gostarmos de nosso carro, encontramos conforto no fato de que várias outras pessoas na rua também gostam e têm o mesmo carro. 
 
A dissonância cognitiva abrange vários outros vieses. Ao reconhecer esses vieses, e percebe-los, talvez sejamos capazes de tomar melhores decisões em nosso dia a dia. Continue seguindo para saber mais e, quem sabe, melhorar nossa qualidade de vida através de um pouco mais de ciência.
 
Ricardo Piccolo Daher é médico e mestre em saúde pública
 

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