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Rita de Cássia Ramos Carneiro

O que acontece com nossas emoções?

| 25.02.14 - 19:54
Goiânia - Nos atendimentos como psicoterapeuta corporal e com os alunos dos cursos de Gestão de RH e Pedagogia, temos dialogado sobre a importância de vivenciarmos de forma natural e espontânea nossas emoções.

Até porque se não vivenciarmos, se negarmos a existência de qualquer emoção ela nos tomará de assalto. Só conseguimos esconder temporariamente a existência de uma emoção. Neste sentido nosso corpo nos trai e atrai a experiência negada.

Na busca doentia para negar as verdadeiras emoções, a ditadura do “politicamente correto” que impõem regras do que pensar e sentir nas relações é uma parceria valiosa. Assim vamos perdendo nossa capacidade de sentir e de saber das nossas reais necessidades e quem somos.

Hoje para uma enorme faixa da população é necessário o uso indiscriminado de drogas licitas e ilícitas para vivenciar alegria, contentamento, excitação, disposição, sono, calma, segurança, fome, saciedade, divertimento... confundimos ansiedade com fome ou com raiva...e por aí vai.

Onde isto vai parar? Se é que vai parar.

Experimentamos uma sensação contraditória entre se é certo ou errado as emoções, como se tivéssemos poder de decisão do que sentir e não sentir, como se pudéssemos elevar nossas emoções e sensações a categoria racional/mental.

Quem foi que disse que sentir é “feio”? Atração é feio, prazer é feio, o corpo é feio... Nossa concepção cristã é forte em condenar o prazer e o sexo, tema exemplificado no belíssimo texto de Paulo Brabo (@saobrabo) – O sexo nivelador e sem ilusão, como enxergava Jesus.

“Em particular, em momento algum Jesus associa a legitimidade do sexo à ausência de prazer, e faz ainda menos para associar prazer e pecado, como fizeram depois dele quase dois mil anos de igreja formal.
Seduzida pela aparência de austeridade das filosofias gregas, a igreja decidiu muito cedo que os aspectos sensoriais da condição humana são por natureza mais perigosos e menos legítimos do que as operações mentais. O corpo, ficou decidido a partir da pregação pessimista dos gnósticos, é uma forte ameaça à integridade espiritual; os prazeres dos sentidos, mesmo aqueles mais moderados e menos controversos, foram considerados gravíssimo estorvo no caminho da maturidade espiritual.”
 
É possível desassociar a fé, o amor, a esperança, a confiança, de uma postura/ linguagem corporal? Creio que não!

Como você tem vivenciado suas emoções? Tem alguma que você acha feio ou inadmissível?

Só podemos transformar aquilo que aceitamos como real. A aceitação e a verdade libertam.

No caminho espiritual vale mais a integridade que a perfeição dizia C. G. Jung.

A dicotomia entre o bem e o mal, o feio e o belo, o corpo e o espírito, é uma ilusão que depende do ponto de vista ou a vista de um ponto.

Alimentar-se da “arvore do conhecimento de bem e do mal” é que nos tirou do paraíso, lembrem-se disto.  Desfrutar da vida é abrir-se para as emoções e sentimentos naturalmente sem artefatos ou artifícios.

Portanto, entre o certo e o errado, o preto e o branco, existem pelo menos 50 tons de cinzas de possibilidades e perspectivas!
Autentique suas emoções; dê permissão ao sentir...
 
*Rita de Cássia Ramos Carneiro é psicoterapeuta e professora.
 

Comentários

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  • 25.02.2014 23:42 Léo

    Muito bom! Quero me dar cada vez mais permissão para sentir...

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