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Ana Guizzetti

Saga por um ingresso de futebol

Um sonho no Porto | 26.02.14 - 19:12
 
Leiria (Portugal) - Desde criança sou apaixonada por futebol, grande influência dos meus irmãos e do meu avô que me levava ao estádio, além do clássico jogo entre Itumbiara e Goiás, assisti meu time Palmeiras e a Seleção Brasileira, mas sempre tive sonho de assistir um jogo de times europeus.
 
Faço mestrado em Portugal desde Outubro de 2013 e fui a Porto visitar uma amiga e conhecer uma Universidade que terá uma Jornada de Comunicação em Abril e soube do jogo da Eurocopa entre Porto Futebol Clube e Eintracht Frankfurt, pensei: Pronto, realizo meu sonho.
 
Fui a loja do Porto Futebol Clube comprar o ingresso e para minha surpresa disseram que existe uma regra e eles vendem ingresso somente para portugueses. Disse que morava em Portugal (que tola fui, continuo brasileira da mesma maneira), foi então que a minha saga pelo ingresso “perdido”, “negado” começou.
 
Parei para tomar um café e perguntei o atendente sobre a regra e ele disse que nunca soube disso e que o Porto perdia dinheiro, pois os portugueses não vão ao estádio pela crise econômica. Comentei com uma minha amiga e o namorado e eles acharam ridículo, fui no hotel pegar minha maquina fotográfica, conversei com o gerente sobre o fato, ele ficou surpreso e envergonhado, entrou na internet e encontrou um site que vendia ingresso por 40 euros.

Enquanto isso, enviei um email para o Serviço de Atendimento do Porto F. C. e a resposta foi: “Para o referido jogo e por questões de segurança, só estamos autorizados a efectuar a venda a sócios do clube e adeptos portugueses mediante a apresentação de bilhete de identidade/cartão único para identificação”.

Coloquei a resposta no Twitter, questionei sobre o site que vendia ingresso mais caro e não pediam documento e fui aproveitar o dia de sol que há tempos se escondia no inverno Português. Minutos depois meu telefone toca e para minha surpresa era um funcionário do time dizendo que poderia comprar o ingresso, mas teria que ser no Estádio do Dragão que fica a quatro estações de metrô de onde estava e deveria mostrar minha carteira de estudante a qual  teria que apresentar na entrada. Perguntei a razão da regra e disseram que era por segurança.

A cidade estava repleta de alemães que tinham sua cota de ingressos para o jogo e lotaram os hotéis, restaurantes, bares e foram ao jogo incentivando o time do início ao fim com cânticos que me fizeram arrepiar sem entender uma palavra do que diziam.
 
Ingresso na mão e lá vou eu, sozinha, para assistir a um jogo de futebol e realizar um sonho. Não teria coragem de fazer o mesmo no Brasil.
 
O metrô lotado de torcedores, seguranças por todo o lado e cambistas, “Black Market” na redondeza do estádio, não deixei de perguntar o valor e se vendiam para estrangeiro, disse que sim e sorriu. Na portaria entrego o bilhete e não me perguntam nada sobre o documento.

Conheci dois americanos e durante conversa me dizem que compraram os ingressos na bilheteria do estádio e não questionaram nada sobre a nacionalidade. Pensei: Será porque disseram isso pra mim? Que regra é essa? Se eu dissesse: Hello, I want to buy a ticket to watch the game tonight, can I? Será que venderiam? Da minha parte as regras foram respeitadas, mas o clube deixou a desejar. 
 
Parei de pensar e fui assistir ao jogo, que belo estádio, confortável, gramado bonito, wi-fi gratuito e poucos torcedores para a importância de um jogo da UEFA. Porto jogou bem e Quaresma fez um golaço, mas Frankfurt empatou depois que o time relaxou. Não deixei de pensar nos meus irmãos, avô e amigos que gostam de futebol, além do meu pensamento ter ido ao futuro próximo no Brasil, Copa do Mundo, tenho medo.
 
Vejo arte, estratégia, tática no futebol e isso tem que ser feito dentro e fora de campo, planejar e permitir que pessoas admirem um time, um jogo, que lotem os estádios e percebo que tudo é marketing, desde o capital humano até a beleza do estádio; sempre fui atrás dos meus sonhos e tento realizá-los, mudo de hábitos e muitas vezes passo a gostar mais da mudança do que do estilo antigo.

Realizei um sonho e não me cabe julgar uma regra de um time como Porto Futebol Clube, mas compreendo resistindo e resisto compreendendo.

*Ana Guizzetti é publicitária e mestranda em Marketing de Relacionamento.

Comentários

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  • 02.03.2014 15:27 Arlindo Baptista Franco Jr

    É isso Aninha... Cada uma que aparecer tem mais é que questionar mesmo!!! Bjs

  • 28.02.2014 16:24 Francielle Felipe Faria de Miranda

    Não entendo nada de futebol, mas ler qualquer reflexão que reflita sobre estes choques culturais engrandecem. Escreva mais Ana!

  • 27.02.2014 15:39 WILSON BARROS CHICO

    Este sonho e recíproco, sempre que posso acompanho jogos da UEFA e aprecio o belo futebol dentro e fora de campo. Incidentes assim acontecem, que bom que conseguiu realizar mais um dos vários sonhos que ainda esta por vir em sua vida.

  • 27.02.2014 08:08 Egidio Luiz Guizzetti Paiva

    Você fez muito bem em questionar a regra e não tentar quebrar a regra por si só. Outra coisa que admirei neste texto, foi a comparação feita entre a receita (venda de ingressos) e o medo (segurança). No mundo dos negócios são muitos os administradores que colocam tantas regras para vender que acabam engessando a sua atividade. Mas, eu gostaria de saber, quem pagou o menor preço na compra dos ingressos, você ou os seus amigos americanos?

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