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Maria Dulce Loyola

Obedecer é importante

Centro de Goiânia está abandonado | 04.03.14 - 10:44

GoiâniaO aspecto de abandono torna deprimente andar pelas ruas do Centro, do bairro de Campinas e de algumas ruas dos bairros mais antigos de Goiânia. Aqui nunca tivemos a marca da riqueza como os antigos casarões do Rio de Janeiro ou São Paulo, a simplicidade era acompanhada dos jardins bem cuidados e da limpeza.
 
Uma prática exagerada de demolir todas as casas antigas deu início a uma nova modalidade que se expande sem normas e tem deixado as ruas com aparência de abandono, são os novos estacionamentos particulares. Essa exploração é até necessária, pois nem sempre achamos lugar para estacionar, contudo, os novos proprietários ou inquilinos deveriam cuidar da aparência do imóvel, alguns nem se dão ao cuidado de reconstruir o muro ou refazer fachada, nada, apenas ocupam o lugar, não cuidam da calçada, da limpeza do local, da parte elétrica, não se preocupam com o escoamento da água e nem em manter o local livre de insetos.

Há tempos que essa prática vem sendo usada em Goiânia, todavia, não se vê uma uniformidade, a cada demolição de uma casa surge um estacionamento imediatamente, sem o cuidado de adequar o espaço, o piso é remendado aproveitando o que restou, outros usam brita para cobrir tudo. Como é isso, cada um faz como quer? Se for assim demonstra que quem deveria cuidar das leis que preservam a área urbana não está atento ao que está acontecendo em Goiânia. Como existem leis para se utilizar um lote, o estacionamento não está livre de cumprir a lei e deveria ser vistoriado.
 
Não são somente as fachadas e calçadas mal cuidadas que chamam a atenção, mas a quantidade de infrações que os habitantes cometem. Jogam lixo nas ruas, nos lotes vagos, nas praças, nas vias marginais, até na porta do vizinho, em qualquer lugar. Ninguém se importa com as conseqüências que o lixo traz: entope os bueiros, atrai os insetos – baratas, ratos, escorpiões e mosquitos -, sujam os rios e tantos outros prejuízos.
 
A administração cede lugar para os vendedores ambulantes, eles usam a rua como sua loja e como depósito do lixo que fazem. Não são capazes de cuidar do lixo que produzem, ou seja, não colocam lixo no lixo, a rua é um imenso recipiente de lixo. Qualquer área de feira parece um dilúvio de entulhos quando acaba. O que custa educar, usando leis para que a população coloque lixo no lixo? Se não cuidam do lixo, imaginem esses vendedores de sanduíches e salgados com quiosques na rua, como eles fazem as suas necessidades e lavam as suas mãos? Higiene zero.
 
É de se espantar porque já houve época em que isso estava sendo corrigido, houve governo que se preocupou em colocar Goiânia entre as cidades mais arborizadas, floridas e limpas do Brasil, era um orgulho. Portanto pode ser feito, é uma questão de competência.
 
Existem taxas que são pagas para que a cidade seja mantida limpa, porém cada cidadão deve ser responsável pelo lixo que faz. No Rio de Janeiro, há pouco tempo, foi criado o choque de gestão, levando aos bairros a educação obedecendo às leis municipais, o programa funcionou enquanto houve punição, mas para os políticos existe tempo para usar a lei, então, volta tudo ao zero quando os políticos com medo de perder as eleições, prevaricam.
 
Existe uma prática de desobediência civil porque ninguém cobra, ninguém é multado por infringir a lei. Poucos obedecem aos sinais de trânsito. As placas de não estacione ou pare são ousadamente desobedecidas por toda a cidade os carros param embaixo delas como se não existissem e nada acontece.
 
A verdade é cruel – obedecer é importante, fazer obedecer é importantíssimo, porém ninguém assume o papel de punir quem não obedece para não desagradar à massa que elege.

Maria Dulce Loyola Teixeira é administradora.

Comentários

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  • 05.03.2014 01:31 tonicesa badu

    crítica lúcida, vai direto ao ponto. as autoridades, de maneira geral, há muito deixaram de agir como e com autoridade. o povo, mal educado(por estas autoridades), não cuida, pelo contrário.

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