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Bruno Coutinho

Participação: nosso desafio contemporâneo

Luta, hoje, é pelo não-poder | 18.10.11 - 09:12


Tenho acompanhado pelos jornais e algumas movimentações de parceiros que ainda sonham como eu, que o poder nunca deverá ser de um, mas de todos. As movimentações nos EUA, Europa, Asia e, é claro, na America do Sul - vide os estudantes chilenos nas ruas de Santiago e brasileiros perseverantes nas praças e espaços públicos do RJ e SP - evidenciam que já estamos há tempos em um mundo (in)sustentável. A ilusão daqueles que se isolam atrás das mesas eletrônicas de apostas em Wall Street, ou das bancadas parlamentares em Brasília, está em processo de descortinamento.
 
Slavoj Žižek, teórico eslavo, disse que "o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos". Acho que enfim, há um movimento que bate no cerne da questão. A luta pela superação das relações de dominação e exploração, como já afirmara Marx lá no século XIX, permanece na ordem do dia, mas não como uma retórica sobre a grandiosa tomada do poder pela classe trabalhadora. A luta hoje acontece pelo não-poder. O poder descentralizado que possibilita reconfiguraçõeas da organização social, política e econômica, mesmo que a metodologia para que isso aconteça ainda não esteja muito clara. Uma luta pela transparência, pelo respeito ao outro, pelo reconhecimento que este lugar é de todos e que os recursos naturais postos ao nosso consumo devem ser compartilhados também por todos como forma de perpetuação da vida neste planeta.
 
Não podemos mais admitir que somente alguns grupos tomem as decisões que dizem respeito a milhões de sujeitos. A representação política é limitada. A participação é o instrumento de combate das desigualdades e injustiças. Somente por meio dessa valiosa ferramenta social poderemos suplantar a maior de todas as tiranias do mundo moderno: o falso discurso da democracia liberal. E isso, seja a "Privavera Árabe" ou a reunião de heróicas 150 pessoas na Cinelândia/RJ, já são suficientes para colocar nas mentes e nos corações de todos nós a impaciência e o descontentamento de se viver nessa ordem e nesse progresso. Viva a democracia! Viva o poder da participação!


Bruno Coutinho
Sociólogo, mestre em Políticas Sociais pela Universidade Federal Fluminense, atua na coordenação da gestão da informação da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Rio de Janeiro.


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