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Lara Moraes e Luiz Felipe Passos Fleury

A safra 2014/15 da cana

E as oportunidades de captação | 14.04.14 - 18:44
 
Lara Moraes e Luiz Felipe Passos Fleury
 
São Paulo - A safra 2014/15 de cana-de-açúcar foi iniciada oficialmente no mês de abril. Nesse momento, as discussões relacionadas ao setor sucroenergético estão voltadas para as perspectivas dessa nova temporada. Muitos assuntos estão em evidência, mas especial atenção está sendo dada para o debate sobre os questionamentos e incertezas do desempenho das usinas.

Para abordar esse tema, é interessante analisar os três grandes mercados de atuação das usinas: açúcar, etanol e bioeletricidade e identificar quais são as principais discussões em cada um deles. Assim, nos parágrafos que se seguem são levantados importantes fatores de competitividade nesses três mercados e os impactos para a safra 2014/15.
 
Açúcar
O Brasil por ser o maior produtor e exportador mundial de açúcar influencia de forma significativa os preços internacionais. No começo do ano, a estiagem climática que atingiu grande parte das regiões brasileiras afetou os canaviais e reduziu as previsões de produção de cana-de-açúcar para a safra 2014/15. Segundo a Datagro, a região Centro-Sul que responde por 90% da produção de cana no Brasil deve atingir 575 milhões de toneladas, uma queda de 4% em relação à safra passada. A previsão de uma menor oferta de cana impactou de forma imediata os preços no mercado mundial que registraram uma tendência altista.
 
Tudo indica que o açúcar será mais remunerador na safra 2014/15 e, portanto, o mix de produção das usinas deve ser mais açucareiro do que alcooleiro. Por ser uma importante fonte de renda para as usinas, a produção de açúcar deve aumentar, registrando um volume superior à safra 2013/14.
 
Etanol
As perspectivas para o mercado de etanol não são tão animadoras quanto às do açúcar. Com o preço da gasolina estável, não é possível elevar o preço do etanol, uma vez que ambos são bens substitutos e, o aumento do preço do etanol, significaria perda de competitividade do biocombustível. Além disso, em ano de eleição, a tendência é que o Governo não realize mudanças bruscas na economia e, consequentemente, no preço da gasolina.
 
Portanto, é esperado que a produção de etanol diminua na safra 2014/15 em função dos preços menos remuneradores.
 
Bioeletricidade
Nesse começo de 2014, o nível dos reservatórios das hidrelétricas diminuiu em decorrência da falta de chuvas e a demanda por energia subiu, com maior consumo de eletrônicos influenciado pela elevação dos rendimentos das famílias. Como resultado, foi necessário ligar as termelétricas que além de apresentar um alto custo de produção ainda geram um passivo ambiental por serem mais poluentes.
 
Nesse contexto, a produção de bioeletricidade ganha maior destaque, sendo vista como uma fonte importante de geração de energia limpa e renovável. A bioletricidade produzida essencialmente durante a colheita da cana, meses mais secos do ano, contribui para a oferta de energia principalmente no período de baixos reservatórios das hidrelétricas. Em 2013, as usinas geraram 31 milhões de GWh e exportaram 15 GWh para o sistema interligado nacional, o que representou 7% da capacidade instalada do país. Isto foi o suficiente para abastecer 8 milhões de lares no Brasil, ou a soma do consumo de energia do Uruguai e da Jamaica, segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).
 
No entanto, segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), ainda há um potencial imenso a ser explorado quando se trata de bioeletricidade. Apenas 40% das usinas exportam energia para a rede elétrica. O restante ainda carece de investimentos para poder gerar energia a partir do bagaço da cana.
 
Neste contexto, de necessidade de investimentos, diversas formas de captação de recursos podem ser utilizadas. Dentre as que merecem destaque estão: Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA); organismos de desenvolvimento locais e internacionais; captação bancária estruturada, além de emissões externas (bonds), que momentaneamente estão paradas, mas não devem ser descartadas no longo prazo.
 
No caso do CRA, por exemplo, títulos lastreados em créditos que as usinas têm a receber com a venda de etanol e açúcar, as eficiências fiscais do produto e a robustez da estrutura da operação têm permitido empresas levantarem recursos a custos menores e prazos maiores em relação às linhas de crédito tradicionais.
 
Portanto, mesmo em tempos de desafios, é possível aumentar a eficiência operacional e financeira das usinas, através do aproveitamento das oportunidades que o mercado oferece, com mecanismos financeiros sofisticados e atrativos.
 
¹ Lara Moraes é analista do Centro PwC de Inteligência em Agronegócio e Bacharel e Mestre em Economia pela UNESP/Araraquara.
Luiz Felipe Passos Fleury é diretor de Consultoria em Finanças Corporativas da PwC,  Bacharel em Administração de Empresas e  MBA pela  FIPE/USP Economia  e Setor Financeiro.

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