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Renata Massafera

Por um trânsito mais gentil

Precisamos de motoristas educados | 20.10.11 - 19:49

 
Cheguei a Goiânia há exatos três meses e foi uma satisfação encontrar uma cidade que confirmou minhas expectativas: bonita, arborizada, com um povo extremamente acolhedor.

No entanto, estou estarrecida, indignada, decepcionada com o trânsito em Goiânia. Não com o volume de veículos que circulam pelas ruas, mas sim com o comportamento dos motoristas.

Hoje, por exemplo, em apenas meia hora, acompanhei mais de seis infrações entre os Setores Marista e Oeste. Das 7h às 7h30. Listo algumas: três automóveis ultrapassaram o sinal vermelho na avenida República do Líbano; uma moto subiu a rua 6, no Setor Oeste, na contramão; outros dois veículos convergiram à esquerda fechando os automóveis que estavam aguardando, em fila, o sinal abrir; sem contar os automóveis estacionados sobre as calçadas, obrigando os pedestres a passar pela rua e lembrando que o proprietário do veículo desconhece os apelos da acessibilidade. O mais triste, no entanto, é que isto acontece todos os dias.

Somado às infrações, aos carros estacionados nas calçadas impedindo a passagem de pedestres e motoristas que não dão passagem para quem estava estacionado e deu sinal para sair (sim, alguns carros de Goiânia têm seta!!!), observo uma pressa que não é compatível com a famosa calma dos goianos.

Lamento que uma capital tão acolhedora seja conhecida por um trânsito tão caótico. Desrespeito total às faixas de pedestres. Falta de educação, de gentileza, de cidadania. Na porta das escolas, então, o caos se estabelece com pais apressados estacionando em fila dupla, impedindo a saída de outros carros estacionados em locais corretos, e mostrando aos filhos que o vale aqui é a “lei do mais esperto”. Um péssimo exemplo.

Fico envergonhada quando vejo a Ana Maria Braga, em seu programa, mostrar como se comportam os motoristas e os pedestres no Japão: uns respeitam os outros. Fico com vergonha ao pensar que pessoas tão bacanas mudem de comportamento atrás de um volante. Mas, o que mais me envergonha é a falta de cidadania, aquela cidadania tão praticada lá no distante Japão, mas que podia servir de exemplo para a gente.

Outro dia uma senhora, que também não concorda com a atitude das pessoas que egoisticamente acham que as ruas lhes pertencem, me contou que um motorista que estava certo recebeu como punição por reclamar da atitude do que estava errado uma arma na cabeça. Arma, sim! Um destes valentes que andam armados apontou seu revólver para o motorista que se queixava. Estamos falando da capital do nosso Estado. Nosso, sim, porque apesar de ter vindo de fora é aqui que ganho meu pão, é aqui que meus filhos estudam, é aqui que recolho meus impostos e é justamente aqui que sonhei viver uma ótima fase da minha vida.

O que, no entanto, acontece em Goiânia?
A cidade carece de campanhas de educação no trânsito. Necessita de uma maior organização das autoridades no sentido de punir quem não cumpre as leis de trânsito. Carece de uma maior fiscalização por parte da AMT. Acima de tudo, a cidade carece de bons exemplos, já que até mesmo veículos oficiais cometem infrações.

Vamos criar um novo conceito: de que mais do que carros bonitos circulando pelas ruas da nossa linda cidade, precisamos de motoristas educados! Precisamos de exemplos para que a próxima geração não perpetue o erros daqueles que hoje lhes servem de exemplo.
 
 
Renata Massafera
Jornalista, motorista e pedestre


Comentários

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  • 31.10.2011 12:09 Renata Massafera

    Clara, obrigada pelo apoio. Marcos, muito obrigada pela acolhida! Vamos ver se conseguimos contribuir para um trânsito cada vez melhor. Goiânia merece! Um abraço!

  • 31.10.2011 12:00 Renata Massafera

    Oi Gabriela. Não optei por uma ênclise no início da frase porque este texto é mais um desabafo, uma tentativa de melhorar nosso panorama. Seria mais adequado, é claro, a uma linguagem coloquial, falada, portanto. Mas acabei utilizando na linguagem escrita porque estava mais preocupada com o conteúdo, que, espero, você tenha prestado atenção. Tenho um grande apreço pela língua portuguesa, mas quis mesmo utilizá-la de maneira informal. Me desculpe. Ops: desculpe-me! Desculpe-me tembém pelos erros do comentário anterior ("também" com letra minúscula e "coloquial" faltando uma sílaba!)

  • 31.10.2011 12:00 Renata Massafera

    Oi Gabriela. Não optei por uma ênclise no início da frase porque este texto é mais um desabafo, uma tentativa de melhorar nosso panorama. Seria mais adequado, é claro, a uma linguagem coloquial, falada, portanto. Mas acabei utilizando na linguagem escrita porque estava mais preocupada com o conteúdo, que, espero, você tenha prestado atenção. Tenho um grande apreço pela língua portuguesa, mas quis mesmo utilizá-la de maneira informal. Me desculpe. Ops: desculpe-me! Desculpe-me tembém pelos erros do comentário anterior ("também" com letra minúscula e "coloquial" faltando uma sílaba!)

  • 30.10.2011 11:58 Renata Massafera

    Oi Gabriela. Não optei por uma ênclise no início da frase porque este texto é mais um desabafo, uma tentativa de melhorar nosso panorama. Seria mais adequado, é claro, a uma linguagem coloquial, falada, portanto. Mas acabei utilizando na linguagem escrita porque estava mais preocupada com o conteúdo, que, espero, você tenha prestado atenção. Tenho um grande apreço pela língua portuguesa, mas quis mesmo utilizá-la de maneira informal. Me desculpe. Ops: desculpe-me! Desculpe-me tembém pelos erros do comentário anterior ("também" com letra minúscula e "coloquial" faltando uma sílaba!)

  • 30.10.2011 11:57 Renata Massafera

    Oi Gabriela. Não optei por uma ênclise no início da frase porque este texto é mais um desabafo, uma tentativa de melhorar nosso panorama. Seria mais adequado, é claro, a uma linguagem coloquial, falada, portanto. Mas acabei utilizando na linguagem escrita porque estava mais preocupada com o conteúdo, que, espero, você tenha prestado atenção. Tenho um grande apreço pela língua portuguesa, mas quis mesmo utilizá-la de maneira informal. Me desculpe. Ops: desculpe-me! E desculpe-me também pelos erros do comentário anterior: "também" digitado com letra minúscula e faltando um pedaço da palavra "coloquial". Um abraço.

  • 30.10.2011 11:55 Renata Massafera

    Oi Gabriela. Não optei por uma ênclise no início da frase porque este texto é mais um desabafo, uma tentativa de melhorar nosso panorama. Seria mais adequado, é claro, a uma linguagem coloquial, falada, portanto. Mas acabei utilizando na linguagem escrita porque estava mais preocupada com o conteúdo, que, espero, você tenha prestado atenção. Tenho um grande apreço pela língua portuguesa, mas quis mesmo utilizá-la de maneira informal. Me desculpe. Ops: desculpe-me! E desculpe-me também pela letra minúscula ("também" depois de um ponto final!) que digitei errada no comentário anterior.

  • 30.10.2011 11:46 Renata Massafera

    Oi Gabriela. Obrigada pela dica. também tenho apreço pela nossa linda língua portuguesa, mas no caso do artigo acima me atentei mais para o conteúdo do que para a forma. Foi mais um desabafo, uma vontade de ajudar a construir um panorama melhor. Não usei a ênclise no início da frase porque usei uma linguagem bem loquial, mais adequada, no entanto, à linguagem falada do que escrita. Me desculpe! Ops: desculpe-me!

  • 29.10.2011 10:43 Marcos Arruda

    Renata, realmente todos nós, goianos ou não, temos que buscar melhorias em nosso cotidiano e isso inclui uma maior civilidade atrás do volante. Seja bem vinda em nossa terra.

  • 24.10.2011 12:35 Clara

    Renata concordo em gênero, número e grau com você. Não sei o que acontece com os goianienses. E como se diz por aqui "só Deus na causa!" para dirigir em Goiânia.

  • 24.10.2011 12:35 Clara

    Renata concordo em gênero, número e grau com você. Não sei o que acontece com os goianienses. E como se diz por aqui "só Deus na causa!" para dirigir em Goiânia.

  • 22.10.2011 11:30 Gabriela Pádua

    Senhora Massafera gostei muito de seu texto, mas quero informar que não se pode começar frase com o uso de Próclise "Me envergonho", o certo é "Envergonho-me". Espero que com isso a Senhora que exerce a profissão de Jornalista possa adquirir mais conhecimentos de normas gramaticais e utilizá-las em seus artigos.

  • 22.10.2011 11:25 Gabriela Martins

    Senhora Renata Massafera, quero lhe dizer que gostei muito de seu texto, mas como sou observadora do uso correto da gramática informo-a que não se pode usar Próclise em começo de frase.

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