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Gavroche Fukuma

Dia de Paz ou declaração de guerra?

| 27.08.15 - 15:10
Li ontem os posts que alguns amigos viralizavam sobre a inusitada proposta do Burger King, sugerindo ao McDonald's que as duas grandes cadeias de fast food se unissem por um Dia de Paz, ou trégua - 21 de setembro de 2015 -, quando ambas venderiam o mesmo lanche, em uma loja pop-up (criada apenas para esta ação), no meio dos Estados Unidos, com verba das vendas revertidas para a ONG Peace One Day.
 
A proposta feita pelo Burger King veio pelas redes sociais, com uma página exclusiva dedicada a explicar como funcionaria o Dia de Paz entre os dois concorrentes. O site http://mcwhopper.com/ foi feito com infográficos, animações, vídeos e tudo o que de mais atraente poderia existir em matéria de mídias digitais. Quem trabalha com isso sabe muito bem que algo assim não se constrói da noite para o dia. É preciso muito planejamento e tempo de execução. Em outras palavras, o BK não tomou essa decisão na manhã do dia 26. Esse é um plano que já vem sendo arquitetado há muito tempo.
 
Com isso dito, fica ainda mais evidente que o convite foi feito propositadamente de forma a constranger, querendo quase que forçar o seu concorrente a aceitar a proposta, afinal, não é elegante desfazer assim de tamanha "gentileza". O McDonald's foi incisivo e muito claro em sua resposta: "Nós adoramos a intenção, mas acreditamos que nossas duas marcas podem realizar algo maior para fazer a diferença", afirmou por meio de nota o CEO, Steve Easterbrook.
 
Realmente seria preciso ser mesmo muito ingênuo para acreditar que o Burger King quer apenas a paz mundial. Para um bom entendedor, soou mais como uma declaração de guerra, uma forma de acirrar ainda mais a competição entre reis e palhaços.
 
O que não se pode negar, no entanto, é que o McDonald's escreveu certo por linhas muito tortas. A essência de negar a proposta  é absolutamente legítima. A forma de trazê-lo à público é que fez a maionese desandar. Para um pedido feito de maneira tão "amável", a boa consultoria de RP deveria aconselhar o McDonald's  a mobilizar sua equipe de criativos para responder na mesma moeda, sem necessariamente expôr o seu CEO tão negativamente.
 
O pedido foi bem-humorado, criativo, cheio de firulas. A resposta poderia ter sido feita da mesma forma, pelas mesmas redes sociais, buscando o riso dos consumidores, e não a repulsa. Com isso o McDonald's acabou saindo como vilão, quando na verdade é a vítima. 
 
O fato me lembrou muito aqueles vídeos que vemos pelo YouTube, quando homens decidem pedir suas namoradas em casamento no meio da praça de alimentação do shopping, esperando que assim ela não tenha chance de dizer não, mas acaba vendo o tiro sair pela culatra quando se depara com uma garota de atitude firme e decidida.

 
 
Acharia engraçado, ver o rei pedindo um palhaço em casamento no meio da praça de alimentação. Run McDonald's!!! Run!!!
 
Em tempo: O McDonald's promove neste final de semana, dia 29 de agosto, em vários países do mundo, o seu já tradicional McDia Feliz, com verbas de venda do Big Mac revertidas, no Brasil, para várias instituições de caridade, incluindo o GRAAC. É muita coincidência uma proposta dessas neste momento?



*Gavroche Fukuma é jornalista

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