Pela 5ª vez o mais influente da web em Goiás. Confira nossos prêmios.

Avelar Lopes de Viveiros

O Policial e o capetinha

| 05.02.16 - 17:38
Edílson da Silva Ferreira, conhecido como Edílson Capetinha, já jogou pelos times do Corinthians, Flamengo e da Seleção Brasileira. Agora, irá responder na Justiça sobre um suposto envolvimento com uma quadrilha especializada em fraudar prêmios de loterias da Caixa Econômica Federal. Noticia do dia.
 
Não, não se preocupe se você é um fanático do futebol, e estiver pensando que vou criticar o jogador neste artigo. Não vou. Não o farei porque não conheço o caso; porque não sei o que o Ministério Público tem de concreto contra ele, nem se há elementos para tal. Principalmente não vou porque não entendo nada de futebol. O que entendo mesmo é de Policia. Isto eu entendo um pouquinho pelo menos.
 
Estava assistindo a um programa jornalistico esta semana, em que a matério sobre o jogador capetinha foi veiculada. Após quatro ou cinco minutos de exposição do caso, o repórter perdeu outros tantos minutos para dizer que o jogador não estava condenado, mas apenas era indiciado por suspeita. Frizou que tal suspeita poderia não se confirmar. Não era um repórter esportivo, é importante dizer. Fica claro que, aparentemente, o repórter nada tinha a ver com o jogador. Mas ele fez questão de dizer, por mais de uma vez, que a suspeita sobre o jogador poderia ser infundada e que, assim, ele poderia ser um inocente, vítima de injustiça. Gostei da atitude do repórter. Ou será que não?
 
É certo o que o repórter fez, preservando a possibilidade de um mero acusado ser inocente. Assim, lhe é garantido o contraditório para que a justiça diga, ao final, se de fato é culpado ou não. Daí, após o julgamento de um juiz que conhecerá o caso, poderemos dizer que se trata de um criminoso ou não. Não há criminosos nascido apenas da suspeita. Ponto para o jornalista. Mas o que me incomoda então?
 
Em trinta anos de Policia, nunca vi um repórter com tal zelo quando fala de um Policial. Não há o esclarecimento de que ele é mero suspeito e que os fatos terão que ser provados. Recentemente, em grandes operações perpetradas em nosso Estado, para não falar de casos clássicos existentes no Brasil, e em que grande número de Polciais Militares foram presos, a imprensa, em momento algum, aventou a possibilidade de serem inocentes. E eram. Em três operações realizadas, das quatro que de fato ocorreram, nenhum Policial foi condenado. A imprensa não só não aventou a presunção de inocencia no ato da prisão, como nunca informou a população de que os PM em tais e tais operações foram liberados por serem inocentes. Familias foram destruidas, homens morreram, inocentes foram presos. E nada. Nenhuma notinha sequer. 
 
O que me incomoda então é pensar: “que país é esse em que um Policial, que cuida de nossa segurança, não merece um cuidado editorial, mas o jogador capetinha sim?” Não que o jogador seja menos que o policial. Acontece que o Policial não pode ser menos que o capetinha.
 
*Avelar Lopes de Viveiros
 
 
 

Comentários

Clique aqui para comentar
Nome: E-mail: Mensagem:
Envie sua sugestão de pauta, foto e vídeo
62 9.9850 - 6351