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Josivan Pereira

A influência das cores no ambiente e no humor

| 16.08.17 - 09:55
 
Goiânia - Das cores utilizadas nas paredes das cavernas à criação dos sistemas que tentam organizá-las, uma longa história foi tecida. Os achados arqueológicos embasaram os conhecimentos sobre os primórdios da utilização das cores e o entendimento de seus processos. Estudar as cores nos leva por caminhos complexos e multidisciplinares, envolvendo várias áreas do saber, dentre elas: física, química, psicologia, antropologia, sociologia, entre outras. 
 
De qualquer maneira, usar a cor é uma tarefa difícil e requer grande habilidade do profissional, pois ao definir uma paleta de cores, surgem dúvidas sobre qual a melhor forma de aplicá-la e principalmente quais estratégias adotar. Essa situação leva alguns a praticamente anular o uso da cor ou aplicá-las de forma equivocada, limitando-se a uma cartela, às vezes, pobre e desinteressante, sem mais questionamentos sobre o efeito que elas trazem. Muitas vezes é esquecida a sua característica mais básica, a de tornar visível a forma aos observadores, já que a cor pode evidenciar ou esconder determinados elementos de uma composição. 
 
Quando se observa um objeto, associa-se a cor percebida a ele como se fosse uma característica material desse objeto, mas, embora pareça uma qualidade do material, ela é apenas uma sensação de quem a observa. 
 
Podemos estudar as cores sob três aspectos, que precisam ser pensados em conjunto. O aspecto físico, que acontece fora do ser humano, ou seja, independente da sua vontade; e outros dois aspectos, cultural e fisiológico, têm a interferência do ser humano como fator primordial na elaboração da percepção da cor.
 
O aspecto cultural da cor é sem dúvidas complexo, pois depende não apenas da relação com os demais aspectos, mas de uma espécie de autocompreensão. Somos influenciados pela nossa educação, gênero, crença, etnia, posição e atuação profissional. A percepção de cor é uma resposta produzida pelo indivíduo, é influenciada por fatores como a memória, a afetividade e a intenção do próprio observador. Para Silveira (2015, p.06), “[...] os significados das cores não são fixos, variando de acordo com os seus usos sociais concretos”.
 
A cor interfere no humor e cada pessoa reage a ela de forma diferente. Sua escolha, como já informamos, está associada às experiências, e assim revelam muito mais que afinidade, mesmo que existam diversas associações a respeito de determinadas cores. As cores afetam os nossos ânimos, algumas cores nos deprimem e outras nos deixam felizes; certas cores nos fazem sentir afáveis e outras, frios. Se considerarmos que o azul é uma cor tranquilizadora, o preto e o cinza serão cores deprimentes. 
 
A seleção das cores é algo muito pessoal. Todos nós temos nossas paletas de cores pessoais: são cores que consideramos apaixonantes, agradáveis, elegantes ou divertidas. Porém, como profissionais do design, temos que, frequentemente, trabalhar com cores que não nos sentimos muito à vontade. Sendo, portanto, importante compreender de que modo as cores se combinam e experimentam seus elos.
 
As cores frias possuem matizes azulados e esverdeados, em contrapartida, as cores quentes têm matizes amarelados e avermelhados, elas estão associadas a diferentes sensações. Psicólogos registraram reações imediatas e mensuráveis à cor; além da reação humana à cor, estão interessados na formação de preferências de cor. Outra abordagem é traçar as raízes de preferências de cor à influência cultural. Alguns teóricos da cor argumentam que a cor transcende as fronteiras culturais e geográficas.
 
O nível de discriminação cromático também varia entre as diferentes populações. Os valores afetivos da cor relacionam-se diretamente a seus usos socioculturais, e o próprio conceito de harmonia cromática varia de pessoa para pessoa, e de época para época com a mesma pessoa. O ato de parar diante de um sinal vermelho, ao dirigir, por exemplo, não resulta unicamente da visão e sensação da cor em si, mas principalmente da interpretação de um significado atribuído a essa cor, num determinado contexto, de acordo com as regras de uma determinada cultura. 
 
Com frequência as nossas associações mentais a respeito das cores procedem da história: o violeta é uma cor associada ao luxo, devido às antigas leis que permitiam somente à nobreza custear o caríssimo pigmento púrpuro extraído de um tipo de concha do mediterrâneo. Também as combinações de cores possuem um significado cultural. Vermelho e verde são as cores tradicionais do natal; em algumas culturas, vermelho, laranja, amarelo e marrom marcam a diferença de temperatura para o outono; branco e azul marinho se associam com temas náuticos, e as combinações de amarelo e vermelho geralmente são usadas nos restaurantes para despertar fome nos clientes. O preto é a cor do luto, da religião – o hábito dos padres e das freiras representa a negação simbólica da vida sexual. 
 
Símbolos de cor aparecem em imagens como metáforas. Alguns deles são partes de uma espécie de memória primordial, por exemplo, sinais vermelhos nos levam à excitação porque estão associados com sangue e fogo – sinais de perigo. Mesmo coberto com as armadilhas da vida moderna, o vermelho ainda recebe nossa atenção ao evocar respostas antigas. Alguns símbolos de cor têm origens religiosas, como a representação da Virgem Maria em azul como um símbolo da verdade e da justiça. Vermelho, o símbolo cristão do sofrimento e da regeneração pode ser invertido e aplicado a uma mulher "Scarlet" do "distrito da luz vermelha". A cor pode ser usada por razões sociológicas ou políticas como na identificação tribal, cores das gangues, e uniformes dos soldados. Cores individuais têm significados simbólicos que evoluem ao longo do tempo. 
 

*Josivan Pereira é arquiteto urbanista e tecnólogo em Design de Interiores, mestre pela Universidades de São Paulo, com foco no estudo da cor. Professor do IPOG nas Pós-Graduações Master em Arquitetura e Lighting e Design de Interiores – Ambientação e Produção do Espaço.

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