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Marconi Perillo

Juliano Moraes, um artista na fronteira

| 05.10.17 - 17:22

Quem passar até o dia 20 de outubro pelo Centro Cultural Oscar Niemeyer vai ver que o prédio do Museu de Arte Contemporânea (MAC) traz em sua fachada um adorno diferente. Aquele elemento não está ali por acaso: é uma das esculturas e um convite intrigante à exposição Contrarquitetura, do jovem artista visual Juliano Moraes, que marca a reabertura museu.
 
Com 20 anos de carreira, Juliano Moraes, de 45 anos, é um dos gênios da nova geração artistas plásticos de Goiás, composta ainda por Marcelo Solá, Pitágoras Lopes, Rodrigo Godá e Rodrigo Flávio. Eles são os ícones de uma geração que repensou e redefiniu a arte contemporânea no Estado e no Brasil. São artistas e pensadores inquietos, profundamente antenados com a produção cultural do País e do mundo.
 
A exposição de Juliano Morais, aberta gratuitamente ao público do MAC até 20 de outubro é uma excelente oportunidade para conhecer e compreender a produção do jovem artista visual. São esculturas, desenhos e instalações que nos permitem não apenas ver, mas passear e interagir com sua obra, mergulhar no seu universo para imaginar como ele foi capaz de usar, com tanta habilidade, os materiais empregados para se apropriar dos signos.
 
Em entrevista ao programa Roda de Entrevista, da Televisão Brasil Central (TBC), Juliano disse que sua arte, marcada pela "ausência de método", se propõe a apresentar e desafiar as forças horizontais da arte, "compartilhando o sensível". É isso que vemos em suas peças, que parecem desafiar a gravidade e o equilíbrio, a exemplo da escultura grudada à bela curva do MAC desenhada pelo mestre da arquitetura Oscar Niemeyer. Eu me atrevo a dizer que vemos ali um cupinzeiro, um elemento do Cerrado, a expressão do que o artista visual definiu como Contrarquitetura.
 
Juliano, de fato, não rejeita a influência da paisagem de sua terra sobre sua produção. Ao contrário, ele afirma que na impossibilidade de não ser goiano surgem os elementos regionais nas camadas de interpretação de sua produção artística, por meio da qual ele quer reinvocar o sertão mítico e trazer à tona as palavras que se relacionam com suas obras. "Eu discuto a paisagem", disse Juliano na entrevista à TBC para falar de sua exposição.
 
Nas palavras de Juliano, "o papel do artista é estar sempre na fronteira, alongando e questionando seus limites". A exemplo de Juliano Morais, que aos 15 anos teve seu enorme talento reconhecido e realizou sua primeira mostra individual, a efervescência dos artistas visuais, escritores, músicos, pesquisadores, produtores culturais e cientistas de Goiás nos mantem em permanente reflexão sobre a paisagem e o limite de nossas próprias fronteiras. Ou, em outras palavras, uma sobre quem fomos, quem somos e onde pretendemos chegar.

 *Marconi Perillo é governador de Goiás

Comentários

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  • 18.10.2017 17:38 ilza silveira

    Como mãe, imaginam a minha emoção ao ler aqui essa análise, a meu ver tão bem colocada, do governador Marconi Perillo, sobre meu filho, o artista visual Juliano Moraes e sua arte! Parabéns, Governador e obrigada pelas palavras tão sensíveis e que demonstram sua identidade com a arte e a cultura!

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