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Bruno Perillo

As mulheres merecem mais

Reconhecer é a melhor homenagem | 08.03.12 - 09:34
No momento em que se comemora, em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, a melhor homenagem que se pode prestar a elas é reconhecer e valorizar seus desempenhos como mães, esposas, filhas e como profissionais inseridas no mercado de trabalho, em todas as áreas e em diferentes papéis, e que, incontestavelmente, tanta contribuição têm trazido ao progresso do Brasil e do Mundo.
 
As mulheres têm conquistado, cada vez mais, espaço e reconhecimento por suas competências. A chegada de Dilma Rousseff à presidência da República, por exemplo, coroa a luta feminina ao longo da história em nosso país.
 
Elas são a base familiar. O esteio, a viga mestra. As mulheres mães são o alicerce, o centro de qualquer família. Por isso são as mais atingidas quando alguma desestabilidade atinge o seio familiar. Elas lutam com todas as forças de seu ser para não deixar que seus lares desmoronem. Ficam sempre com o legado mais difícil, pois, zelosas, amantíssimas, cuidam dos filhos com responsabilidade sem-igual. Faz parte de seu instinto esse inconfundível e maternal dever.
 
Mulheres mães se desdobram com fibra em defesa de suas crias. Alegram-se, sofrem, amparam, acompanham, assumem dores e, guerreiras, abrem as entranhas de seu amor para resgatar os filhos quando estes caem em desgraça, como a das drogas, por exemplo.
 
Há mulheres que ainda remoem caladas a violência de seus companheiros. Homens boçais que ameaçam, infernizam, agridem, batem, machucam e, insanos, até matam. Desajuste familiar leva a um lar desestruturado. Normalmente as mulheres são vítimas de violência nesse lar desajustado e, por consequência, os filhos também são vítimas físicas e emocionais desse lar em ruínas.
 
Filhos, meninos e meninas (muitos crianças ainda) que, sem estrutura familiar, se perdem por aí, caindo nas mãos de traficantes e conhecendo – numa viagem muitas vezes sem volta – as drogas. Quantas notícias temos lido, visto e ouvido, de mulheres desesperadas, inconsoláveis, sem ter a quem recorrer, tentando resgatar seus filhos desse mundo obscuro, devastador.
 
Percorrem enlouquecidas – na maioria dos casos, em vão - centros de internação, serviços de psiquiatria, delegacias policiais. Apelam para igrejas, autoridades e, impotentes, vêem esgotarem-se suas combalidas forças. Amedrontadas, agigantam-se. Muitas enterram suas ‘crianças’ ainda em tenra idade, assassinadas a mando de impiedosos traficantes que não receberam dívidas (de 10, 20 reais – eis o custo da vida nesse submundo). Para evitar que isso aconteça, vendem o que podem e têm em casa para pagar traficantes credores.
 
Algumas, já no limite da dor incurável e da luta sem guarida, andam feito loucas atrás de seus rebentos, que doidos e transtornados correm atrás de pedra para abastecer cachimbos. Outras, exaustas, entregues, acabam dormindo em insalubres ambientes, em gélidas noites, simplesmente para não perderem seus amores de vista, velando seu sono e acalentando o distante sonho de resgatá-los algum dia.
 
As mulheres, por séculos, vêm imprimindo marcas de vitória à sua história na face da Terra. Agora mais essa: a luta sem trégua contra as drogas que avassalam seus lares. Ninguém mais que elas anseiam resgatar o afeto e a convivência agradável, amorosa entre a família, os pais, os filhos.
 
Aquelas mulheres hoje chamadas de mães do crack, por terem filhos dependentes, merecem encontrar ressonância para seu clamor, que ecoa implorando por mais eficácia no combate ao tráfico e por mais qualidade assistencial na batalha contra a dependência química.
 
Desnecessário falar sobre o sério problema que são as drogas, especialmente em relação ao crack, cujos números crescem em velocidade impressionante, já se constituindo em um dos piores males deste século.
 
A toxicomania avança em inquietante escalada colecionando no mundo milhões de vítimas. A ONU já declarou que o abuso de drogas é uma das mais graves. Em meio ao conturbado tecido social encontra-se o ser humano, que necessita ser decifrado, para que seja compreendido, a fim de se adotarem estratégias adequadas para liberá-lo de dependência.
 
É compreensível que a agressividade desencadeada pelo drogadito, seja ela verbal ou física, derive de sua conturbada personalidade, em permanente conflito, pela necessidade que desenvolve de mentir e manipular, para tentar esconder até onde puder a sua ligação com o mundo das drogas.
 
No epicentro de tudo estão as mulheres, receptoras dessa cruel realidade. As preocupações maiores pesam sobre seus ombros, sejam elas mães, filhas ou irmãs de drogados. Como baluartes dos lares abalados, a maioria dos programas sociais, com muita justiça, dá-lhes maior poder, reconhecendo que elas têm mais disposição para zelar do presente e futuro de suas famílias. No Bolsa Família, por exemplo, 93% dos cartões do programa estão em nome das mulheres. As escrituras do Programa Minha Casa, Minha Vida ficam preferencialmente no nome da mulher etc.
 
Para tanto, fiquemos com as palavras da representante maior das mulheres entre nós, a presidente da República Dilma Rousseff: “No Brasil, a pobreza tem cara: ela é muito feminina, está ligada às mulheres. Quanto mais pobre a família, maior a chance de que ela seja chefiada por uma mulher”.
 
Ao homenagear as mulheres por seu dia, não podemos nos esquecer que hoje elas  chefiam 35% das famílias e representam mais de 40% da força de trabalho do país. A melhor homenagem que as mulheres podem – e merecem – receber é estarem saudáveis, valorizadas, tendo aos seus alcances políticas públicas que as protejam, garantam seus direitos e lhes apoiem, incondicionalmente, nessa luta de titã que empreendem em favor de seus filhos contra as drogas.
 
Bruno Perillo é advogado, pós-graduado em Direito Público

Comentários

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  • 21.04.2012 07:06 nelson remy gillet

    Bruno uma ideia para atuar neste universo seria criar a associaçao de maes e familias com aditos em crack. sair do anonimato e ir a luta para resgatar o ente querido. Att.Nelson Gillet

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