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Míriam J. A. Veiga

Mediação nas empresas: uma vantagem competitiva

| 06.12.17 - 17:31
 
É indiscutível que a partir do momento em que duas ou mais pessoas se juntam para desenvolver algum trabalho, mais cedo ou mais tarde as diferenças entre suas crenças, condutas, experiências e valores virão à tona. Essas diferenças, ao mesmo tempo em que enriquecem o potencial produtivo, são terreno fértil para desentendimentos e conflitos. Pensando nisso, as organizações a cada dia têm adotado internamente práticas que criem um ambiente construtivo, dialogal e saudável para seus colaboradores.
 
O ambiente ou clima organizacional é identificado a partir do sentimento que seus colaboradores estabelecem em relação à empresa. O clima organizacional é o resultado da combinação de valores e comportamentos que afetam a maneira como as pessoas se relacionam mutuamente, influenciando no nível de harmonia, confiança e colaboração entre seus integrantes.
 
Certa vez, fazendo a mediação de conflitos em uma empresa familiar entre seus sócios que não se entendiam, ficou claro como os desentendimentos entre eles, em meio a uma crise de autoridade, hierarquia, choque de valores e crenças, refletiam na postura e envolvimento de toda a equipe, que se via totalmente perdida e sem orientação na condução de suas tarefas cotidianas. Essa situação, além de causar reflexos internos, fragilizava a empresa externamente, uma vez que os serviços prestados não estavam alinhados e coordenados, e desta forma, eram percebidos pelos clientes.
 
O tempo e a energia gastos com as situações geradas pelos conflitos tiravam o foco dos sócios da atividade fim, uma vez que suas ações giravam em torno tão somente das desavenças da cúpula. Outros exemplos de conflitos muito comuns nas empresas e que interferem na sua produtividade dizem respeito a conflito de gerações, conflitos advindos de distribuição de tarefas, remunerações, cumprimento de regras, e vários outros.
 
Em recente pesquisa sobre o tempo que empresas utilizam para gerir conflitos, constatou-se que em um universo de 1348 pesquisados, 35,39% admitem que sua empresa gasta no mínimo cinco horas de trabalho por semana em conflitos entre gerações, o que significa uma perda de produtividade de aproximadamente 12%. Essa pesquisa demonstra como a má gestão de conflitos corporativos absorve o tempo da equipe e, consequentemente, compromete a produtividade e a competitividade da empresa.
 
A gestão adequada de um conflito é tão importante para a saúde de uma empresa, que corporações buscam mediadores para gerir os efeitos danosos dos conflitos cotidianos e potencializar os efeitos produtivos que podem ser gerados pela condução técnica de um mediador capacitado. O mediador empresarial trabalha em conjunto com o RH, advogados e outros profissionais da empresa, no sentido de solucionar os conflitos existentes, tornando-os produtivos para toda a organização.
 
A mediação empresarial, além de solucionar questões internas é também aplicada em outras áreas da empresa, diminuindo consideravelmente a judicialização de demandas, o que é feito em conjunto com seu corpo diretivo e jurídico. Normalmente quando surgem divergências entre pessoas, procedimentos, departamentos e questões societárias é muito salutar a intervenção de um terceiro neutro para ajustar as diferenças e recompor o diálogo, realinhando o ambiente à produtividade desejada pela empresa.
 
Exemplo clássico de resultados obtidos através da mediação empresarial é o caso da venda do Grupo Pão de Açúcar para o grupo francês Casino. Muitos desentendimentos precederam uma complexa ação judicial, processos internacionais de arbitragem, com grande repercussão na mídia, o que causou grandes desagastes à empresa e à vida de todos os envolvidos, até que um mediador foi chamado para tratar o conflito de forma adequada, quando, então, foi possível a solução das controvérsias.
 
As corporações que se preocupam em aperfeiçoar seus resultados e sua competitividade buscam inovações que maximizem seus potenciais produtivos na gestão das relações interpessoais e no fortalecimento da cultura da empresa. De acordo com o pesquisador James Heskett, professor de negócios em Harvard, uma cultura eficiente influencia positivamente na retenção de funcionários, no bom relacionamento com o cliente, lealdade dos consumidores aos produtos e serviços oferecidos.
 
As empresas já perceberam que o cuidado com elemento humano em suas atividades é prioritário para se estabelecer um clima harmônico que incentive a colaboração e a produtividade e fortaleça o vínculo entre empresa, colaboradores, clientes e fornecedores, gerando, como consequência, uma maior competitividade. A adoção da mediação como método para solucionar conflitos empresariais, além de fortalecer os laços entre empresa, equipe, fornecedores e clientes, proporciona uma economia considerável se comparada aos custos da judicialização de questões que poderiam ter sido resolvidas através da mediação.
 
Em 18/01/2016, o jornal Valor Econômico publicou o seguinte resultado de uma pesquisa: "As empresas brasileiras continuam a ter gastos elevados e a comprometer parte do faturamento com processos judiciais. Presentes em 76% das ações em trâmite nos tribunais do país, as companhias usaram quase 2% de suas receitas em 2014 com demandas no Judiciário. Percentual que representou um custo de R$ 124,81 bilhões naquele ano". É certo que ao buscar a mediação como forma de solucionar conflitos internos e externos, a empresa, além de favorecer um ambiente de trabalho colaborativo, está também reduzindo custos com a judicialização dos conflitos, fortalecendo os laços entre colaboradores, fornecedores, sócios e clientes gerando, assim, maior produtividade e competitividade.
 

*Míriam J. A. Veiga é advogada, membro da Comissão de Mediação e Conciliação da OAB/GO, professora e mediadora empresarial

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