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Romildo Machadinho

Melhoramento genético e o retorno para o país

| 08.01.18 - 12:32
Goiânia - Desde que a ovelha Dolly foi anunciada por cientistas escoceses como o primeiro clone de um mamífero, a partir de células adultas, a tecnologia passou a ser menos misteriosa e mais acessível. Isso ajudou substancialmente no desenvolvimento da pecuária, principalmente no quesito qualidade do produto final: a carne. Também elevou as exportações brasileiras a mercados mais exigentes, além, é claro, de abastecer o mercado interno. Num país onde a produção agrícola e pecuária ocupa um dos primeiros lugares do mundo, a atividade exerce grande relevância. 
 
Atualmente, 80% do rebanho nacional é da raça Nelore ou Anelorado, que tem sangue Nelore na composição, mas que não é considerado animal puro e não tem as características predominantes do Nelore. De tudo que o Brasil exporta de carne bovina, a raça Nelore é a que gera algo em torno de U$ 10 bilhões anuais. E isso se deve, em grande proporção, ao melhoramento genético, que tem de ser constante e acontecer em todas as gerações, já que o princípio básico da técnica é o de que os filhos sejam superiores aos pais.
 
Nós, produtores rurais, somos mola-mestra neste processo todo, empurrando adiante a economia do nosso país. Os números não me deixam mentir. Todo o processo para se chegar ao mais próximo da excelência é demorado e caro. Os resultados, muitas vezes, só serão notados após 36 meses de muito trabalho. Durante esse período, investimos em pesquisas e novas técnicas e tecnologias para tornar o nosso produto, a carne, com qualidade suficiente para chegar à mesa dos consumidores ao redor do mundo. E consumidores exigentes, diga-se!
 
Para se ter uma ideia do quão trabalhoso é ter um animal melhorado geneticamente, basta entender o tempo para que as diferenças sejam notadas. Nos bovinos é ainda mais lento, já que o período de gestação é de dez meses. Soma-se a esse tempo mais oito meses, que é a fase de aleitamento. E daí, com toda a tecnologia que temos hoje, o gado pode ser abatido com o tempo aproximado entre 24 a 28 meses. Por isso mesmo os melhoramentos são notados em três anos. O processo é lento para se conhecer a evolução da espécie.
 
E com todo esse processo, com toda a responsabilidade, inclusive com o PIB do país, é preciso investir sempre – e cada vez mais – em qualidade proveniente do melhoramento genético. Mas nós, produtores, não temos os incentivos que merecemos por levar adiante um trabalho que traz muitos retornos ao Brasil, principalmente financeiros. Infelizmente, o único incentivo que o governo oferece hoje é a isenção do ICMS para transitar no território nacional, apenas para transitar, com animais puros, os chamados POs (Puro de Origem) que sejam matrizes. Fora isso, nosso sacrifício e nossa paixão pela Pecuária é que fazem o negócio ir adiante, deixando como legado a competência e a responsabilidade de um trabalho que vai sendo melhor a cada geração.
 




*Romildo Machadinho é Produtor Rural/Pecuarista
 

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