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Em buraco de rato, de rato você tem que transar

Com malandro, não espere um código de ética | 30.08.11 - 11:07


Já dizia Raul Seixas: “quando se quer entrar em buraco de rato, de rato você tem que transar”. Ou seja, se vai mexer com malandro, não espere um código de ética rígido norteando as ações. Tenha consciência de que o golpe pode vir a qualquer momento. Logo, esteja atento e preparado. Me lembrei dessa música quando assisti o vídeo de um rapaz que foi vítima do famoso golpe “Boa Noite, Cinderela!”, em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

Ele conversava com uma prostituta no banco de uma praça. Disfarçadamente, a mulher pingou sonífero na lata de cerveja do rapaz. Serviu o copo dele e, quando bateu o efeito e o cara capotou, limpou sua carteira. Uma segunda mulher chegou e pegou o relógio e um anel do infeliz. Uma terceira o abordou, checou que a carteira já havia sido limpa e apelou para o par de tênis do coitado que ficou estirado no chão da praça, totalmente desacordado.

Mas as gatunas não contavam com o monitoramento da praça. A polícia foi informada da ação e cercou as mulheres quando elas fugiam em um veículo. Elas foram em cana e o cara para um hospital, onde só teve alta no dia seguinte.

A vida de uma prostituta é dura. Lida no limiar do submundo, entre a legalidade o crime, com gente das mais variadas índoles e necessidades. Uma atividade que se não fôssemos um país tão retrógrado, conversador e hipócrita, já tinha sido trazida para a formalidade há tempos. Mas os caras que vão aos prostíbulos com frequência não podem defender isso abertamente. Afinal, suas esposas e filhas achariam um absurdo, não é mesmo...

O embrutecimento e as situações limítrofes pelas quais passam uma mulher no ramo da prostituição são impactantes. Logo, se você optar por ter um relacionamento com prostitutas, esteja sempre com os dois pés atrás. Quem vive naquele limiar pode ser capaz de lhe dar um golpe com a maior naturalidade. Até por que é provável que a própria já tenha sido vítima de golpes mil. É a lei da selva onde o mais forte se impõem sobre o mais fraco. Essa é a lógica da cabeça de quem vive quase no submundo. E se você vai ali dialogar, tem que estar pronto para isso.

É o mesmo caso de quem frequenta casas de jogos ou mexe com agiotagem. Ali é o buraco dos ratos. Um amigo estava em uma casa de pôquer e, quando ganhou uma rodada expressiva, levou um soco na boca de um perdedor inconformado com a jogada que lhe custou um dente. Ele não transou de ratos... Logo, foi uma presa fácil para essa selva que é o buraco.

Então, quando for a um desses ambientes que aqui caracterizei como limítrofes, esteja bem preparado com horas de leitura dos quadrinhos Sin City do gênio Frank Miller e uma boa dose Bezerra da Silva no ouvido. Por que malandro é malandro, mané é mané...


Comentários

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  • Por Fabricio Couto Martins 28.07.2013 14:06

    Concordo plenamente,se você esta mexendo com malandros,mais malandro vc tem que estar preparado pra cer

  • Por Lucídio 31.08.2011 11:15

    Ótimo texto, sem querer corrigi-lo mas já o fazendo, creio que quando você escreveu "...no limiar do submundo, entre a legalidade o crime,..." faltou o "e". Mas um excelente texto que retrata o famoso "mal do malandro".

  • Por Cacio Winder 30.08.2011 13:20

    "Cabeça que não tem juízo o corpo paga!"

Sobre o Colunista

Pablo Kossa
Pablo Kossa

Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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