O Blog  19.09.2011 11h21
A música brasileira na tela

Precisamos de mais filmes sobre a MPB

Assisti dois documentários sobre a música brasileira nos últimos dias. Uma noite em 67 passou no Canal Brasil na semana passada. Ontem, assisti Simonal – Ninguém sabe o duro que eu dei. Recomendo os filmes, que cumprem a nobre função de retratar um período de ouro da música brasileira com enfoques diferentes: enquanto o primeiro discute o início da era dos festivais, o segundo joga luz na carreira de Wilson Simonal, que até bem pouco tempo era subestimada.

 

Fica claro o quanto precisamos de mais e mais filmes com esta temática, que reflete sobre a produção musical no Brasil. A carência que temos desse tipo de obra não condiz com a riqueza estética e a importância sociocultural da música brasileira. Existe campo de trabalho para mais e mais obras que possam aprofundar a pesquisa nesse campo do conhecimento.

 

O filme sobre o Simonal mostra alguns aspectos interessantes sobre a lógica do funcionamento do showbizz brasileiro. A primeira lição que fica é que nada é para sempre. Quem é gigante hoje pode perfeitamente ser mais um na multidão no dia seguinte. E não conte com a solidariedade dos seus companheiros de classe. Durante a fase de ostracismo, ninguém ofereceu a mão para Simonal. Nem mesmo aqueles que no filme se mostravam indignados com o isolamento midiático que lhe foi imposto. Gente do calibre de Pelé, Chico Anysio, Ziraldo... Gente que tinha, e ainda têm, influência para vir a público e sair em defesa do cantor, não fez no momento e agora fica posando de solidário. A fala confrontada com a ação, nesse caso, diz muito...

 

Por outro lado, Uma noite em 67 enfoca a final do III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record. Em 21 de outubro de 1967, subiram ao palco figuras como Chico Buarque, Caetano Veloso com os Beat Boys, Gilberto Gil com os Mutantes, Roberto Carlos, Edu Lobo e outros que defendiam seus singles então inéditos. O fato bizarro ficou por conta de Sérgio Ricardo que quebrou seu violão no palco e o lançou para a plateia depois das vaias para sua música Beto Bom de Bola. O ouro desse filme são as belas imagens de arquivo dos bastidores e as apresentações musicais de clássicos da música brasileira como Roda Viva, Alegria Alegria, Domingo no Parque e Ponteio. Além disso, é interessante perceber a emergência do tropicalismo e o racha artístico que norteava o debate sobre a música no País. Assistir esse documentário ajuda na compreensão em um período de extrema importância para a cultura brasileira por inteiro.

 

Que venham mais e mais filmes nessa linha, pois quanto mais gente estiver disposta a contar as histórias de nossa música por meio da linguagem cinematográfica, mais e mais conhecimento vamos ter sobre nossa produção. E, cá entre nós, conhecimento sobre nossa história nunca é demais.

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