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Pablo Kossa
Pablo Kossa

Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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O mundo precisa mais de Frank Zappa

Disco inédito gravado ao vivo merece a audição | 20.03.14 - 11:09

Goiânia - Frank Zappa é um cara único na história da música. Não há paralelo à sua ousada trajetória e longa discografia. Inquietude talvez seja a palavra que resuma sua carreira. Embora talento seja outra que concorra à altura. O fato é que Zappa é um cara que faz muita falta ao cenário musical contemporâneo pela sua característica de nunca ter aceitado a acomodação.

Falo de Zappa hoje pois caiu na rede o disco Roxy by Proxy. Gravado ao vivo em dezembro de 1973 em uma temporada em Los Angeles na casa The Roxy, algumas faixas do trabalho já haviam sido aproveitadas no álbum Roxy & Elsewhere de 1974. Mas somente agora o disco vem completo, com o material captado nesse show. Um DVD está a caminho e deve estar na praça em breve.

A formação da banda The Mothers (que nesse momento não assinava mais com o “of Invention” e que só teve esse nome por não ter aceitado a sugestão do guitarrista de assinarem The Motherfuckers) que o acompanha nesse show é considerada pelos fãs como uma das mais competentes de todo trabalho de Zappa. O parceiro de longa data Napolean Murphy Brock está no sax, flauta e vocais. Ralph Humphry na bateria, Chester Thompson em outro set de bateria, Tom Fowler no baixo, Ruth Underwood na percussão, George Duke nos teclados e Bruce Fowler no trombone completam o time.

Esse álbum é legal por ser palatável ao ouvido que ainda não é acostumado com o caos estético de Frank Zappa. Essa é uma chance de adentrar no universo do artista com menos estranhamento. Na década de 1970, ele estava mais próximo do fusion, rock progressivo e hard rock, estilos que podem descer mais redondo para neófitos. Mas não espere temas tradicionais dessas vertentes. Aliás, nunca espere nada tradicional de Zappa. Para ele, os limites só existem para ser extrapolados.

Todo estilo musical foi devidamente apropriado pelo guitarrista. Do doo-wop à música eletrônica. Do blues à psicodelia. Da surf music ao hard rock. Do erudito ao reggae. Do jazz à música concreta. Por onde Zappa passou, estuprou o convencional e colocou sua indelével assinatura. Isso o faz um artista único.

Até agora falei só da parte musical, pois o texto de Zappa merece abordagem mais aprofundada em outro momento. O sarcasmo com que ele trata de questões políticas, sociais e comportamentais deixa sua obra ainda mais interessante. Não sobra para ninguém: movimento hippie, censura, guerras, religiões... Além de exímio músico, Zappa também era um atento observador da realidade.

É perfeitamente possível você pirar em um disco de Zappa e sequer conseguir terminar a audição de outro. Normal. Quem chuta muito ao gol não coloca só a bola na rede. Tem vezes que a tentativa vai na arquibancada. Mas Zappa tem uma média de golaços que vale o risco de seguir ouvindo seus trabalhos na ordem cronológica ou na ordem que os discos forem caindo em suas mãos, tanto faz.

Para quem ainda não conhece a extensa discografia de Zappa, vou elaborar uma lista de cinco discos que podem ajudar quem quer começar a tatear esse universo:

1- Roxy by Proxy – aproveitando seu lançamento agora, esse disco mostra um Zappa bem à vontade no palco e com um time afiado;

2- Bongo Fury – também gravado ao vivo e lançado em 1975, é a continuidade do Roxy by Proxy, só que ainda mais rock n' roll;

3- Freak Out – primeiro álbum de Zappa, de 1966, mostra um artista já de extremo talento e sem medo de ousar/sacanear em cima do rock de São Francisco que fazia a cabeça da galera na segunda metade dos anos 1960;

4- We're Only in it for the Money – a continuidade de Freak Out, onde ele escancara as reais motivações do movimento hippie, avacalha a tudo e todos, começando pelos Beatles na capa do álbum;

5- Joe's Garage – ópera rock de Zappa lançada em 1979 que não deixa pedra sobre pedra. Com uma metralhadora giratória disparando contra tudo e todos, o disco tem letras ácidas sempre emoldurada por músicas que fundem a cabeça de qualquer um.


Comentários

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  • 20.03.2014 20:02 Hem Horoóida

    Esse Zappa é muito chato, cara se ele tivesse vivo iria fazer participações especiais com cantores de rap ou country. ainda bem que ele morreu jovem pois hj seria um mais velho chato!

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