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Leticia Borges
Leticia Borges

Leticia Borges é especialista em Língua Portuguesa, jornalista, professora e palestrante. / leticia.textos@gmail.com

Língua e letra

Você gosta de português

É preciso curar os traumas e desfazer mitos | 15.05.14 - 20:24 Você gosta de português (Charge: Fábio Sgroi)
Goiânia - Sempre escuto por aí alguém dizer que não gosta de português. Como é que pode uma pessoa não gostar de seu próprio idioma? Isso significaria não gostar de ouvir, de falar, de interagir, de entender o outro, de usar o whatsapp e o facebook - que dependem da escrita. Ah, aí a história muda.
 
A história deveria realmente mudar. A história do ensino. Porque as pessoas não rejeitam sua língua. Elas só abominam o método arcaico de ensino a que fomos expostos nos bancos escolares. O trauma de ter passado horas a fio enchendo cadernos com análises morfológicas e verbos conjugados em todos os tempos agiu como uma trava no desenvolvimento da nossa capacidade de expressão.
 
Daí resultam as dificuldades na hora de escrever uma dissertação, de redigir um documento, de expressar sentimentos e se fazer entender. A dificuldade na escrita não está relacionada exclusivamente a uma baixa escolaridade. Conheço pessoas inteligentíssimas, muito competentes em suas áreas de atuação, que sentem um verdadeiro branco na hora de colocar ideias no papel.
 
Primeiro mito desfeito (assim espero, de coração), agora fica mais fácil entender que não existe alguém que não saiba nada de português, como se costuma dizer por aí. O que há é uma lacuna preenchida pelos vícios da oralidade, já que a gramática normativa nunca foi apresentada de forma convincente.
 
Não que a língua falada seja errada e a escrita formal seja o caminho das pedras. Nem vou me envolver no debate construtivo entre linguistas e gramáticos sobre o que é aceito ou não. O que nós, falantes, podemos perceber, aqui da superfície, é que não há como negar que a língua precisa se adequar às situações.
 
Nem tudo o que eu falo devo escrever. Nem tudo que escrevo para meus amigos devo escrever para o meu chefe. E por aí vai.
É com base nessa flexibilidade necessária da língua que as empresas estão investindo em cursos para melhorar a capacidade de comunicação de seus funcionários.

Além do que ficou pendente na escola, existem as mudanças e adaptações que aparecem com o tempo. Não há programas capazes de detectar essas tendências nem de colocar “alma” na escrita. Nós somos as ferramentas perfeitas para isso e, de vez em quando, precisamos de manutenção.
 

Comentários

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  • 15.05.2014 21:43 Helton Alves

    Muito bem Letícia!!

  • 15.05.2014 20:39 Diogo Luz

    Excelente coluna! Aprender o português é até mesmo uma questão de cidadania.

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