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Leticia Borges
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Leticia Borges é especialista em Língua Portuguesa, jornalista, professora e palestrante. / leticia.textos@gmail.com

Língua e letra

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Estrangeirismos demais podem atrapalhar | 13.06.14 - 15:42 Traduza seu approach http://www.spotmais.iol.pt/
Goiânia - O Congresso Nacional decreta:
 
Art. 1º Os órgãos e entidades públicas, vinculados aos Poderes Públicos da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, devem utilizar a norma culta da língua portuguesa em documentos oficiais e sítios eletrônicos da Rede Mundial de Computadores, em cumprimento ao art. 13 da Constituição Federal.
 
§ 1º Nos documentos e sítios eletrônicos oficiais especificados no caput, toda e qualquer palavra ou expressão em língua estrangeira deverá ser substituída por palavra ou expressão equivalente em língua portuguesa. 
 
O texto acima provavelmente causou arrepios nos adeptos do branding e do benchmarking e nos que vivem esperando feedback, sugerindo brainstorming e entregando briefings, sem estourar o budget.
 
Trata-se do projeto de lei 6844/2010, do deputado federal pelo PP do Mato Grosso Eliene Lima, que foi arquivado depois de dois anos de tramitação, e que se aprovado, tornaria o estrangeirismo um ato lesivo ao patrimônio cultural nacional.
 
Embora um tanto quanto radical, o projeto buscava combater algo que realmente foge do controle no mundo corporativo. A inserção de termos estrangeiros em nosso vocabulário não é proibida por lei, mas deve ser regida por grande dose de bom senso. 
 
A língua é viva, altera-se de acordo com a utilização de palavras e expressões por seus falantes, o que torna comuns palavras como milk-shake, hot dog, e-mail, site, e centenas de outras.
 
Mas vulgarizar o uso de palavras de sentido específico e abusar dos jargões para impressionar não parece ser uma boa estratégia. Todo excesso é ruim, e não seria diferente no uso da língua. Quem usa termos estrangeiros demais sem contextualização pode ser visto como um ‘deslumbrado’ ou sem conteúdo.
 
Embora seja muitas vezes irresistível - e às vezes necessário -falar ou escrever termos em inglês, é melhor buscar o equilíbrio. O respeito ao interlocutor é essencial quando se considera o uso de jargões profissionais: com pessoas do ramo fica-se mais à vontade para usar termos técnicos e linguagem direcionada, mas ao lidar com o público, com um cliente, e principalmente nas interações sociais, é de bom tom usar uma linguagem de conhecimento geral.
 
Branding quer dizer trabalho para fortalecer a marca no mercado. Brainstorming é tempestade de ideias. Benchmarking nada mais é que a comparação de produtos e serviços com o que há de melhor no mercado. Feedback é retorno, briefing é um relatório e budget é o nosso conhecido orçamento. 
 
Se uma das principais qualidades de um bom texto é a clareza, deu para perceber que traduzir os termos trazidos por autores e executivos americanos contribui bastante para atingir o objetivo da comunicação.
 
Isso não quer dizer que os estrangeirismos devam ser banidos.  Em muitos casos são bem-vindos. Então, se você teve um insight e investiu em networking para chamar a atenção de um headhunter, fique tranquilo. Mas tente fazer mais coisas em português.
 

Comentários

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  • 21.06.2014 09:37 Teresa

    No maior jornal impresso de Goiás e em várias grandes empresas, a cúpula só conversa com termos em inglês intercalados com preposições em português. Uma tragédia. O pior é que aqueles que falam benchmarking se acham cultíssimos. Assoberbados, não percebem que são motivo de gozação pelos funcionários que dominam o português.

  • 18.06.2014 10:58 Fábio Porfírio Silva

    Boa reflexão. É chato mesmo quando as pessoas exageram. Mas algumas palavras (não muitas, é claro) como feedback, envolvem conceitos e muitas vezes não temos termos equivalentes em português. Feedback não é simplismente retorno.

  • 14.06.2014 10:50 Wesley Rodrigues Trigueiro

    Todo exagero é ruim. Simples assim.

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