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Pablo Kossa
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Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Chatice nos impede de achar alguém

Tempo passa e a exigência só aumenta | 03.07.14 - 14:23 Algumas pessoas do meu círculo pessoal vivem um baita momento de angústia. São todas resolvidas profissionalmente, reconhecidas pela extrema capacidade em seus trabalhos, têm seu apartamento próprio, viajam para o exterior com regularidade e pagam seu plano de saúde e financiamento do carro em dia.

Podemos dizer que concluíram o sonho classe média, aquele das pequenas garantias. Mas quem disse que a vida é tão simples quanto nos ensinaram? Quem disse que casa própria, turismo nas férias, carro e plano de saúde garantem felicidade? A independência, ao menos para essas pessoas que observo, é importantíssima, mas insuficiente.

O sonho dos contos de fada de achar a pessoa ideal e com ela constituir família ainda se mostra relevante. O problema é que o passar dos anos aumenta o grau de exigência. Os anos morando sozinho eleva as particularidades (que também podem ser chamadas de frescuras) e complicam o dividir o mesmo teto.

Cá entre nós, casamento é mesmo coisa para jovens. Tal qual acampamento, baseado no bosque da universidade, roda de violão e vinho de garrafão. Se você vir alguém de carteira assinada fazendo tais coisas, pode saber que a pessoa tem um evidente problema mental. Nada mais constrangedor que tiozão pagando de garotão, tiazona pagando de gatinha.

Somente alguém com pouca vivência topa rachar chatices como louça suja, compras no supermercado, faxina no sábado e a disputa pela televisão na hora em que o seriado preferido de um coincide com um jogo da Copa do Mundo.

Casamento só funciona se sairmos diretamente da casa dos nos pais para a que dividiremos com o cônjuge. Se passarmos pelo estágio de morar sozinho, meu amigo, já era. Não tem mais como voltar atrás nessa experiência libertadora.

Mas essa chatice da geração trintona costuma ser acompanhada de uma mania insuportável de culpar o outro. “Ninguém quer compromisso”, “a pessoa já tem filhos do antigo relacionamento”, “o fulano é barrigudo”, “a fulana bebe e fuma demais”... O mimimi é eterno.

Nem parece que estamos conversando com pessoas experientes e sim com adolescentes que ainda assistem a filmes da Disney e idealizam relacionamentos. Desculpe bater tal real, mas a perfeição é coisa de livros, filmes e de sua cabeça. Aqui na vida real, onde o Brasil quase dança nas oitavas de final na decisão dos pênaltis, o mundo é cheio de acasos e imperfeições que deixam tudo mais complicado. Mas também mais verdadeiro.

Então vamos deixar de cobrar aquilo que nem mesmo nós conseguimos fazer e, como diz Lulu Santos, vamos nos permitir. É o melhor a fazer.

Comentários

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  • 06.07.2014 22:42 Sara Marinho

    São poucos os que se dispõem a falar sobre. Que isso sirva de "simancol" para os sonhadores de plantão. Texto bastante parecido com minha forma de pensar, muito bom!

  • 04.07.2014 09:27 telma dos reis silva

    eu achei verdadeiro,inteligente, um assunto que mexe com nossas supostas escolhas "certas" genial!

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