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Pablo Kossa
Pablo Kossa

Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Eu era velho mesmo antes de nascer

Amor inconsequente sempre passou longe de mim | 29.07.14 - 11:07


Lendo sobre a epopeia dos adolescentes paulistas Mateus Alves e Kelly dos Santos percebi o quanto minha juventude foi sem graça. Acho que já nasci velho, com uma prudência desproporcional à imaturidade típica dessa fase da vida. Ou então os dois jovens de 14 anos são daquele tipo de "vida louca" que rendem filmes de tão excepcionais que são. Não sei. 

O fato é que nem no delírio mais amalucado da fase imberbe, nem mesmo a paixão mais arrebatadora que durava um mês, nem mesmo a garota que foi a primeira que me fez tremer as pernas somente por estar ao seu lado me fizeram sonhar com algo tão cinematográfico. Um pragmatismo excessivo contaminou minha vida desde sempre. Eu sabia quais eram os limites que podia forçar o alargamento, sabia as situações onde deveria andar na linha. 

Ou seja, sempre fui chato pra cacete. 

Não é ranhetice de tiozão que sou. Não são os cabelos brancos que começam a surgir que me deixaram mais ponderado. Tal qual os Replicantes acusam Chico Buarque, eu também era velho mesmo antes de nascer. #tamojuntoChico

Que aventura os dois viveram! Com 367 reais no bolso e um monte de inconsequência no coração, eles passaram por maus bocados. Dormiram na rua, sofreram de frio, sentiram medo. Sempre sonhando em morar em uma praia e tocar violão para descolar algum dinheiro… A inocência é bela. A vida crua se mostrou bem mais dura para a jovem dupla. 

Até que um casal de boa alma os recolheu em casa, os alimentou e os ludibriou por uma boa causa - pediu os telefones dos pais de ambos dizendo que iriam avisar que eles estavam bem, quando, na verdade, chamou os responsáveis para encontrar os jovens. Ainda bem que o final foi feliz. Nesse mundo cão que vivemos, o desfecho poderia ter sido terrível.

Sinto que meu sensor de roubada sempre funcionou muito bem. O máximo de emoção que encarei na juventude foi acampamento de doidão em final de semana emendado. Eu sempre soube que tinha um vestibular pela frente e precisa estudar duro para passar em uma universidade pública, pois minha família não teria grana para o ensino superior privado. Todo esse contexto me fez ser um prudente precoce. E chato. E velho. E ranzinza. Ou seja, não me orgulho muito desse senso de responsabilidade na hora errada da vida.

Eu queria ter uma história como a de Mateus e Kelly para contar aos outros, mesmo que minha Kelly hoje fosse só uma amiga de rede social que de vez em nunca eu veja uma publicação. Mas, por outro lado, se alguma de minhas filhas fizesse tal coisa, nem sei qual seria minha reação. Reações de pai para quem é pai...


Comentários

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  • 26.08.2014 18:11 julio soares

    #tamojuntoChico #tamojuntoPablo

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Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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