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Leticia Borges
Leticia Borges

Leticia Borges é especialista em Língua Portuguesa, jornalista, professora e palestrante. / leticia.textos@gmail.com

Língua e letra

Os erros dos candidatos

Propaganda eleitoral castiga o idioma | 21.08.14 - 19:50
Goiânia - A propaganda eleitoral gratuita começou me oferecendo vasto material para análise. Só no primeiro dia foi possível perceber que a preocupação com a comunicação e com o bom português passou longe das prioridades de vários candidatos.

Uma coisa boa foi o cumprimento da seguinte determinação: “Para as propagandas na televisão é obrigatória a utilização de linguagem de sinais ou de recurso de legenda, para que os deficientes auditivos tenham acesso ao conteúdo dos programas”.

Todos as coligações optaram pelas legendas, provavelmente por ser o recurso mais barato. Mas não precisavam economizar tanto a ponto de deixá-las nas mãos de pessoas pouco carinhosas com nosso idioma.

Primeiro ponto: a pontuação estava sofrível. Vírgulas entre sujeitos e verbos e entre verbos e objetos, falta de ponto final e de exclamação, uma loucura. Imagino a dificuldade para quem só leu, sem poder ouvir.

Além disso, nos casos em que o candidato resolveu alterar o texto na hora da gravação, ouvia-se uma coisa e lia-se outra. Se a oração era muito grande, na legenda aparecia reduzida. Talvez isso fira as normas, pois acabam sendo veiculadas informações diferentes para os distintos públicos.

Letras maiúsculas pipocavam sem a menor justificativa, a crase foi ignorada e erros assustadores como “dez porcento” e “A Justiça está caçando (cassando) o direito de greve” também insultaram os eleitores.

Nas falas dos candidatos, as pérolas brilharam mais. Claro que deve haver uma adequação vocabular para dialogar com o eleitor, mas isso não permite erros gritantes.

Uma candidata a presidente disse que evitou que a crise internacional “entrasse porta adentro” no Brasil, e que nos EUA milhões de empregos foram “destruídos” (por armas químicas, talvez?). Ainda disse “ocê” várias vezes e filosofou dizendo que o pessimista é “eminentemente” (não seria iminentemente?) uma pessoa que desistiu antes de começar.

Um candidato disse que não existe esse “mundo rosáceo (palavra pouco usual que significa relativo a rosas) que os governantes falam”. Outro candidato disse que “como presidente, a constituição será cumprida”. É o mesmo de eu dizer que, como colunista, a gramática será respeitada. Ou seja, não faz sentido. O certo seria “como presidente, farei cumprir a constituição”, por exemplo.

Uma candidata disse que atua “junto ao governo federal” para liberar recursos. Como “junto ao” significa “ao lado de”, pode ser que ela tenha tido a intenção de dizer que atua na Praça dos Três Poderes, que dependendo do ângulo, fica ao lado do Palácio do Planalto.

Mas o melhor do dia foi o slogan de uma candidata a deputada: “Futuro já!”.

Reproduzo a pergunta da minha colega jornalista Denise Vargas: “Cadê a assessoriaaaaaaaaaaaa?
 

Comentários

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  • 23.08.2014 05:36 Leticia Borges

    Caro José Luiz, vejamos o que diz o Houaiss: eminente: adjetivo de dois gêneros. Muito acima do que o que está em volta; alto, elevado Que se destaca por sua qualidade ou importância; excelente, superior Iminente: adjetivo de dois gêneros que ameaça se concretizar, que está a ponto de acontecer; próximo, imediato. Não acredito que a presidente tenha desejado chamar um pessimista de excelente ou superior, eu entendi que o pessimista está próximo de desistir antes de começar. Mas se cabem várias interpretações, talvez o calor da hora tenha me impedido de perceber isso.Abraços. Caro Rogério, o posicionamento político e ideológico das pessoas não me diz respeito, não é esse o assunto da coluna. Mas acredito que NINGUÉM seja o dono da razão. Citei a Denise por um comentário que ela fez com relação à qualidade da comunicação na propaganda eleitoral, que foi pertinente e totalmente desvinculado de opiniões subjetivas, já que os erros vieram de candidatos de todos os partidos. Abraços.

  • 22.08.2014 09:54 Rogério

    Essa sua colega Denise Duarte Vargas é aquela que chama os leitores de recalcados e tapados e responde até "que já teve um orgasmo hoje." Cadê a éticaaaaaaaaaa? Leia o artigo da sua colega de jornal "O coro dos idiotas" de Ana Paula Meirelles. Sugiro também dois dedinhos de prosa com a Ana. Confere a dica do Bittencourtt para a sua coluna não cair no descrédito. Já vi outras correções erradas. Cadê a editoria do jornal?

  • 21.08.2014 22:05 José Luiz Bittencourt

    Querida Letícia, acho que, no caso do eminentemente, é eminentemente mesmo e não iminentemente.Confere, por favor. ABs

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