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Pablo Kossa
Pablo Kossa

Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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O discurso do medo

Tática do amedrontamento usada pelo PT é débil | 09.09.14 - 16:43

Goiânia - Estou achando curioso observar a tática eleitoral usada pelo PT contra o crescimento de Marina Silva nas últimas pesquisas. A estratégia é usar o discurso do medo para evitar a vitória da candidata acriana.

A comparação da ex-petista com Jânio Quadros e Fernando Collor foi o primeiro passo. A aterrorização só começou. Na sequência, quem sabe, Regina Duarte pinte nas propagandas petistas. O mundo dá voltas e retorna sempre no mesmo lugar.


O PT fazer uso daquilo de que foi vítima só mostra que quando o assunto é poder, a coerência não é prioridade. Já sou velho o suficiente para me lembrar do que diziam de Lula nas três eleições em que ele foi derrotado antes de subir a rampa do Planalto após a vitória em 2002. Garotada, ouçam o tiozão aqui: é exatamente igual ao que estão dizendo de Marina hoje. A diferença é o emissor.

Dizem que Marina não terá base no Congresso. Diziam exatamente a mesma coisa contra Lula.

Dizem que Marina será uma intolerante religiosa. Diziam que Lula tomaria quartos dos apartamentos de classe média para colocar famílias de sem-teto.

Dizem que Marina não sabe se vestir adequadamente para a liturgia do cargo que pretende ocupar. Diziam que Lula não sabia falar em público e constrangeria o Brasil no estrangeiro.

Dizem que Marina não tem experiência. Diziam que Lula nunca tinha sido sequer síndico de prédio.

Esse último ponto talvez seja o que mais demonstre o desespero petista. Afinal, se formos esquadrinhar, a pessebista já ocupou mais cargos públicos que Lula e Dilma juntos antes de serem eleitos para a presidência. Marina já foi vereadora por Rio Branco, deputada estadual pelo Acre, senadora pelo mesmo estado e ministra. Até ser presidente, Lula havia sido somente deputado federal por São Paulo. Dilma, apenas ministra.

Voltando ao discurso do medo, percebe que o teor, a essência da crítica é sempre a mesma? Normal. É do jogo político. O que chama atenção é tais sentenças serem agora proferidas pelas vítimas de outrora. Uma prova que evolução e aprender com o que sofreu na pele não é prática no universo político tupiniquim.

A verdade é que ninguém encarna melhor o personagem mítico que Lula representou do que Marina. A trajetória de vida improvável, as vitórias pessoais, o carisma, a personificação de um desejo difuso de mudança, a expectativa de algo novo...

Deve ser complicado para o marketing do PT construir uma tese que desabone Marina Silva quando, ao menos no campo simbólico, ela é exatamente aquilo que o PT representou por décadas. O problema do partido é que um projeto de 12 anos de exercício hoje parece mofado para parcela significativa da sociedade brasileira.

Quando adolescente, compus uma música chamada Plutocracia para a banda de punk rock que eu tinha, a Neurose Social. Tenho um pouco de vergonha por uma letra tão pueril, mas se não formos ingênuos na juventude, quando seremos? Ela dizia: “A política é sem escrúpulos, a esquerda amanhã é direita e nós não sabemos em quem acreditar”. Ok, pode rir de mim, eu entendo.

O problema é que o mais vergonhoso é perceber que um adolescente retardado fazendo punk rock conseguiu entender o funcionamento da coisa e o PT joga o jogo do poder sem o menos escrúpulo.


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