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Pablo Kossa
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Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Fernando Haddad e seu legado

Prefeito de São Paulo está surpreendendo | 24.09.14 - 15:46
Goiânia - Antes de tudo, preciso dizer algumas coisas: não moro em São Paulo, a última vez que fui lá tem quase um ano e não acompanho in loco as mudanças que o prefeito Fernando Haddad está implantando. Mas, observando a distância, me parece que sua gestão está em sintonia com o que de mais avançado há quando pensamos em uma cidade conectada com o século XXI.
 
Sua gestão aparece para o Brasil devido dois pontos centrais da questão da mobilidade: prioridade para o transporte coletivo e possibilidade de alternativas para o deslocamento com as ciclovias. Bola dentro do petista.
 
Se já é impossível para cidades de médio porte como Goiânia ter foco único nos carros, numa megalópole como São Paulo o problema é elevado à enésima potência.
 
E como Haddad vem apanhando por conta das escolhas que fez... Normal. O cidadão médio, que ama seu carro mais do que o próximo, prefere ficar preso no congestionamento, de preferência ouvindo sua rádio preferida e com o ar-condicionado ligado, do que ceder espaço nas vias para quem está no ônibus ou tem a possibilidade de se locomover de bicicleta.
 
Por outro lado, parece que a população começa a entender o que o prefeito está implantando. A última pesquisa de popularidade feita pelo Datafolha mostrou que ampla maioria dos paulistanos apoia a instalação das ciclovias e a avaliação da gestão melhora.
 
Confesso que fiquei surpreso com resultados positivos tão breves. Estou certo que até mesmo Haddad não contava com essa aprovação tão rápida.
 
Mudar hábitos é mexer com coisa séria. Somos arraigados demais aos nossos costumes, ao jeito que tocamos tudo em nosso cotidiano. Mesmo quando tal prática não mais funciona devido uma nova realidade que se impõe, não é tarefa simples reconhecer que agora precisamos agir de outra forma.
 
É isso que impede o cidadão médio de perceber que não dá mais para o ônibus ficar parado no congestionamento, carregando mais de uma centena de pessoas, da mesma forma que o carro fica com normalmente uma. É isso que impede o comerciante de perceber que não dá mais para ele e seus funcionários estacionarem em frente ao estabelecimento, ou seus fornecedores pararem ali com caminhões enormes, enquanto tem gente precisando circular por ali com segurança em bicicletas.
 
A real é que a gente quer que as coisas mudem sem que a gente mude.
 
É claro que devem existir falhas pontuais em diversos locais onde a Prefeitura fez intervenções. Não se faz uma mudança de tal porte acertando em todos os casos. Porém, o que aqui destaco é a questão macro, a mudança paradigmática que Haddad propõe. Nesse sentido, palmas para o cara.
 
Haddad pode até não ser reeleito, mas não tenho dúvida que sua gestão entrará para a história da mobilidade de São Paulo por conta das ousadas brigas que ele topou comprar. É claro que os paulistanos terão muito mais elementos para essa avaliação que eu e, caso queiram fazer, ficarei feliz de ler aí nos comentários. Por ora, me parece que os demais municípios do Brasil ainda vão copiar Haddad por algumas décadas.
 
 

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