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Pablo Kossa
Pablo Kossa

Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Acabar com a Secult é erro

Reforma desrespeita a Cultura de Goiás | 14.11.14 - 16:36

Goiânia - O segmento cultural recebeu ontem do governador Marconi Perillo um soco na boca do estômago que até agora não conseguiu recuperar o ar. A decisão de fundir a pasta da Cultura a colocando como anexo da Educação e ainda competindo espaço com Esporte e Lazer foi recebida com unanimidade pelo setor: 100% de desaprovação.

Tem quem está falando horrores nas redes sociais, tem quem está calado – de forma constrangida, é preciso apontar. Compreensível. Cada um sabe onde o sapato aperta seu calo. Mas até o silêncio nesse momento diz muito.

Marconi podia se orgulhar de proferir aos quatro cantos que tinha colocado novamente a Cultura no patamar que lhe é digno, na primeira divisão do Executivo, tal qual fosse um campeonato de futebol. Ele recriou a Secretaria de Estado da Cultura. Esse mérito é indiscutivelmente de seu terceiro mandato.

O governador corrigiu um retrocesso histórico imposto por Iris Rezende no início do segundo mandato do peemedebista, quando extinguiu a Secretaria de Cultura que se destacava no governo Henrique Santillo e a transformou na Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira. Iris rebaixou a Cultura do primeiro para o segundo escalão. E jamais foi perdoado pelo segmento por tal decisão equivocada.

Quando Marconi assumiu o governo pela primeira vez, transformou a fundação em agência. Ou seja, trocou seis por meia dúzia. A mudança real aconteceu só no terceiro mandato, quando a Secult foi recriada e o tucano recebeu justos aplausos.

Como agora está sendo justamente criticado. Marconi conseguiu uma proeza digna de nota: rebaixou a Cultura direto da primeira para a terceira divisão. Dentro do que foi apresentado ontem, a Cultura é somente um insignificante penduricalho dentro da Educação. 

O efeito vai além do campo simbólico, de demonstrar o quão prioritária é a Cultura para o Governo. É também de ordem prática. Goiás conseguiu entrar para o Sistema Nacional de Cultura (SNC) por ter, dentre outras ações, recriado a Secult. Dessa forma, Goiás não poderá receber recursos oriundos do Fundo Nacional de Cultura.

Outro ponto que preciso destacar é a atenção que o setor receberá perante os desafios que a Educação naturalmente impõem. Veja o que o Guia de Orientações do SNC diz em sua página 36: “Em geral, quando a cultura está junto com a educação, ela é considerada de forma marginal, mesmo porque a educação tem muito mais recursos (vinculados constitucionalmente) e exigências legais que naturalmente acabam absorvendo o gestor”.

Impossível discordar. Como a Cultura será prioridade com uma greve de professores? Com uma escola caindo aos pedaços no, sei lá, Nordeste goiano? Com os problemas mil que um secretário de Educação já tem que ordinariamente enfrentar?

Se o projeto nacional de Marconi significa o rebaixamento da Cultura em Goiás, que seja abortado agora. Pelo bem de todos goianos. Espero que a pressão do segmento faça com que o governador reveja essa equivocada decisão. O barulho já foi vencedor em crises anteriores, como a da Lei Goyazes e do Fundo Estadual de Arte e Cultura. Vamos ver se dessa vez a Cultura novamente terá força para se recuperar e reverter esse duro golpe.


Comentários

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  • 22.11.2014 01:04 seu pai

    Pablo Kossa, cooptado desde 2010 em cima de um trio elétrico. coxinha formador de opinião medíocre, não fuja dessa cagada da qual você é coadjuvante ativo.

  • 18.11.2014 15:40 Retroagido

    16 mil trabalhadores na rua já no primeiro dia do ano e o cara preocupado com a SECULT!!!

  • 17.11.2014 17:05 Rogério

    Curso Como Garantir a Reeleição com Foco na Lei de Responsabilidade Fiscal. Lição 1 - Como fazer o servidor balançar bandeira depois do expediente, com oficina prática e métodos de controle. Lição 2 - Propaganda é a alma do negócio. Lição 3 - Cultura boa é aquela que se faz no primeiro mandato. Lição 4 - Obra pra que te quero: um guia prático das obras mais chamativas e nada práticas da administração pública. Lição 5 - Fechando a torneira: Evidenciando a crise mundial para anunciar o fim da festa e não ficar mal com os amigos.

  • 16.11.2014 16:10 Júlio César

    Só chora com essa medida aqueles que se acostumaram a mamar nas tetas do governo pra produzir coisas irrelevantes. Vão trabalhar, cambada! Vão empreender! Não vou mandá-los procurar o patrocínio dos capitalistas porque isso seria demasiado estranho. Com que cara os artistinhas vermelhos iriam chegar de pires não mão diante dos empresários, né?

  • 16.11.2014 16:02 Júlio César

    A SECULT vai tarde! Ver o dinheiro de quem trabalha de verdade indo pra mão desses pseudo artistas é algo estarrecedor. Arte é profissão liberal, não é ofício. Ou o nego professa ou dá o fora da área. Bach, Dante, Dostoievsky ou Mozart sempre correram riscos pra fazer uma arte infinitamente superior à que esses bocós que mamam nas tetas do governo fazem. A medida é impopular, mas corretíssima! Marconi ganhou um ponto comigo. Ganhará outro quando fechar a SEDUC, que não passa de um "bolsa-semiletrado".

  • 16.11.2014 07:51 geraldo van

    vale ler http://www.aredacao.com.br/artigos/50794/cultura-bunda-mole

  • 15.11.2014 16:08 jose px silveira jr

    pessoal, está-se pensando gestão cultural como ainda no século passado, em que a forma, a instituição, o sabe-com-que-está-falando-é-o-secretário é que dava as cartas. gestão cultural hoje tem que ser menos pesada, diluida entre todos os segmentos da política (afinal ela é uma dimensão e não um segmento) e tem que ser estratégica e inteligente. é preciso saber do conteúdo que marconi pretende dar para a cultura neste seu próximo governo. e eu acredito que é de peso. ele que até o momento é o melhor gestor público goiano na área da cultura, na certa não vai ser trouxa de se implodir em praça pública.

  • 15.11.2014 01:44 Néviton César Leão

    Ai está o motivo que nós temos que ir de agora em diante cobrar o fim da reeleição a obrigação de votar. Em felizmente somos os culpados pois não temos Administradores que faz planejamento, controle e objetivo para longos prazos. Temos sim malandros que se dizem aptos a Governar o Estado que Goiás estava em pleno crescimento tudo estava mil maravilha. Para ser eleito vale tudo distribuir barganhas, aumentar o numero de comissionado etc. Então agora em felizmente pessoal da área da cultura ele agora alega que tem que cumprir a lei do orçamento se não será punido. Então e melhor ter um povo sem cultura, pois e mais fácil dar o cope de quatro em quatro anos. Espero que de verdade a partir dessa eleição as pessoas mude mesmo chega de tanta malandragem e de pessoas despreparada para Administrar o Estado ok.

  • 14.11.2014 19:42 Ana Carolina Castro

    Na minha opinião, ele simplesmente lavou as mãos, já que já foi reeleito e em 2018 não poderá concorrer novamente. Levantou a bola pra depois afundá-la ainda mais que antes e ainda sair como o "enxugador" da máquina. Apenas mais um de seus inúmeros absurdos.

  • 14.11.2014 19:41 Ana Carolina Castro

    A meu ver, lavou as mãos depois que não pode mais ser reeleito, já que já o foi pro próximo mandato e não poderá concorrer em 2018. Levantou pra afundar mais depois, e ainda parecer que "está enxugando a máquina". Absurdo.

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Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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