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Rodrigo  Hirose
Rodrigo Hirose

Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia / rodrigohirose@gmail.com

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Não farei faxina no Facebook

Temperatura nas redes sociais começa a baixar | 14.11.14 - 15:48
Goiânia - Três semanas após o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, a temperatura nas redes sociais começa a baixar, ainda que ainda existam algumas brasas prontas para virar labaredas ao menor sopro do vento. Parafraseando o ex-presidente Lula, nunca antes nesse País se viu tanta pancada, cusparada e dedos nos olhos virtuais – tanto que, segundo alguns levantamentos, como os do Safernet, houve um aumento superior a 80% nos crimes de ódio (homofobia, racismo, etc) na rede durante o período.
 
A consequência, como também nunca antes nesse País, foi uma enxurrada de gente manifestando a intenção de fazer uma “faxina” nas suas redes sociais, principalmente no Facebook.
 
Há, nesse desejo, o reflexo de uma série de atitudes que tomamos automaticamente quando aderimos a uma rede social.
A mais óbvia é a compulsão em buscar mais e mais amigos e seguidores indiscriminadamente. Somos dominados pela vontade de ampliar cada vez mais o tamanho da nossa rede de contato, como um viciado em crack que a cada dia precisa de doses maiores e mais frequentes para manter o vício. O resultado é uma rede que invariavelmente dilui nossos reais interesses e características no vasto oceano facebookeano. Daí para termos uma timeline repleta de coisas que só tomam nosso tempo é um pulo.
 
Outra questão é que as redes sociais criaram a figura do opinador contumaz. Assim como nós, jornalistas, o opinador virtual simplesmente não consegue deixar passar batido qualquer tipo de assunto, da traição da celebridade flagrada pelo paparazzi ao pouso da sonda no cometa, todos têm aquela velha opinião formada sobre tudo – como diria Raul.
 
E o ambiente político virtual, assim como o religioso e o futebolístico (para ficar numa tríade clichê), é propício para nos expressarmos com uma veemência que provavelmente não teríamos em uma conversa pessoal. O resultado são ofensas, brigas e até mesmo amizades (virtuais ou reais) desmanchadas por causa daquele post aparentemente inocente.
 
Paradoxalmente, um dos atrativos das redes sociais é ter acesso rápido a informações e opiniões diferentes das nossas. Afinal, é por meio dos olhos dos outros que podemos apurar o nosso olhar.
 
Passado o clima do vale-tudo que impera durante as disputas mais acirradas e passionais, quem sabe o efeito colateral seja benéfico, tornando a discussão política perene nas redes sociais, pois o Brasil está precisando disso.
Não precisa de faxina (até porque muita gente deve pensar que nós é que somos o lixo a ser jogado na lixeira), basta ter cuidado para que o bom debate não ultrapasse o limite e se transforme em MMA.
 
Eu, por enquanto, vou me esforçando para não dar um block naquelas figurinhas carimbadas que teimam em deixar comentários negativos em todos os meus posts. No mínimo, esse esforço servirá como um bom exercício de tolerância.

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