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Pablo Kossa
Pablo Kossa

Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Podemos enterrar o futebol goiano

Como culpar quem torce por times de fora? | 05.12.14 - 11:33

Goiânia - Estava já dentro do carro, saindo do trabalho, quando meu amigo Marcelo, do setor de informática e que torce pelo Atlético da Campininha, me parou no estacionamento: “Estive conversando com um conhecido e ele me falou algo que me deixou pensativo. O cara disse que já podemos acabar com o futebol goiano. Com esses times sem ambição e que não disputam nada além do medíocre, não podemos culpar ninguém por torcer por times de outros estados”. É uma reflexão interessante.

Concordei com Marcelo e com seu conhecido. Comecemos pelo Goiás, meu time de coração. Somente ficar na Série A é muito pouco para o esmeraldino. Isso é piada repetida, não toca nosso coração verde. O Goianão, #pelamordedeus, é mais desinteressante que assistir torneio de pesca pela televisão. O torcedor do Goiás quer um título de expressão. Ponto final. A diferença do interesse em 2014 entre a Sul-Americana e o Brasileirão-sem-graça-de-meio-de-tabela-e-sem-grandes-ambições mostra isso.

Para o torcedor do Dragão, a situação também é desanimadora. Quais são as ambições do Atlético? Em primeiro lugar, ficar na Série B. Isso é considerado título para sua diretoria. Voltar à primeira divisão do Campeonato Brasileiro seria comemorado como conquista de Libertadores da América (e foi por um triz que a façanha não foi alcançada esse ano...). Se rolar de beliscar um Goianão no último minuto, com um gol achado em um escanteio, melhor. Se não rolar, tudo certo também.

E o vilanovense? No contexto atual, o torcedor do Vila Nova se contenta em somente ter um time. Jogadores que coloquem o clube novamente na primeira divisão do Campeonato Goiano e o devolva à Série B do Brasil. Se em 2016 o Vila Nova ganhar o título do Goianão, será motivo de glória para os colorados. Para você ver o estado que o Tigrão se encontra...

Cá entre nós, quanta mediocridade de objetivos por parte de todos, não? Torcedor não gosta de ser humilhado. E o futebol goiano está fazendo isso com nós ano após ano. Não dá para cobrar bairrismo de quem escolhe torcer por times grandes dos estados centrais do Brasil. Masoquismo não é majoritário na sociedade.

Qual a contrapartida que o futebol goiano oferece para quem escolhe um time local? Uma vida de sofrimento e longe das grandes disputas. Espírito estóico não é matéria farta no mercado. Heroísmo é para poucos e não é todo dia que nasce Tiradentes que coloca o pescoço na corda pela causa.

Deveríamos ser acionados pelo Conselho Tutelar por influenciarmos nossos filhos a torcer por times goianos. É muita irresponsabilidade. Impor sofrimento eterno a menor é coisa séria. Ele ainda é incapaz de perceber a roubada que o estamos metendo. É dever do Estado intervir em situações assim.

Mas somos tapados e continuamos acompanhando esse futebol meia-boca, soporífero e que não vai a lugar nenhum. Se existe quem sente prazer no sofrimento, o torcedor dos times goianos é o melhor exemplo desse curioso tipo de gente.


Comentários

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  • 08.12.2014 11:03 Afrânio

    o futebol catarinense é digno de exemplo para seguirmos.

  • 07.12.2014 01:51 Albano de Almeida Pantaleão

    Velho, parabéns. Eu não sei se choro ou sorrio, nós goianos precisamos comer muito pequi pra fazer jus o que nossos antepassados nos ensinou!

  • 07.12.2014 00:12 reinaldo assis pantaleao

    O mais grave,é a falta de sensibilidade dos dirigentes.Mesmo infelizmente sabendo que futebol virou um grande comércio,no entanto o torcedor ainda tem a ilusão de ver um grande espetáculo.Os dirigente não tem criatividade.Poderiam incentivar os torneios regionais no Estado.Precisamos de novos momentos.Eis uma saída a volta do Galo Carijó.Goiânia Esporte Club Abraços amigo.Pablo Kossa..

  • 06.12.2014 18:49 francisco de assis dorneles

    Pablo, eu como atleticano lamentei profundamente o não retorno do Dragão a série A. Mas a questão foi AMARELÃO dos jogadores. E o prejuízo ? Ficou com o clube, foi a derrota mais cara de toda História do A.C.G. No mínimo 25 milhões de um futuro contrato com a globo. E os jogadores vão cuidar das suas vidas. Quanto a regionalizar a paixão ao meu ver fere os entidades nacionais(clubes). O Flamengo não é somente do povo Fluminense, tão pouco o Corinthians etc. Entraríamos na questão das nossas Identidades nacionais X Regionalismos. Na verdade o futebol brasileiro esta quebrado no seu modelo atual e tende a piorar se não for mudado. Esta formula esta enferrujando os grande clubes e os médios e pequenos clubes Brasil a fora. Uma liga mais organizada, uma forma de distribuição da renda aos clubes, maior incentivo do capital privado aos clubes de cada Estado podem mudar esta realidade. Desta forma os nossos amados clubes goianos podem chegar a títulos nacionais.

  • 05.12.2014 17:12 Rogério

    Eu ainda torço para um time que teve sua última glória em 1965: Anápolis Futebol Clube, que com seu futebol pífio dos tempos atuais, alterna entre a série A e B do goianão. Para ser torcedor do Anápolis o sujeito tem que ter a mesma determinação de um Mahatma Ghandi, William Wallace e Nelson Mandela juntos.

  • 05.12.2014 13:52 Cristiano Pires

    Parabéns pelo desabafo. Acredito que expressou muita gente aqui. Infelizmente o futebol, em especial o goiano se transformou em objeto de brinquedo na mão de alguns dirigentes, que ao invés de dirigir com profissionalismo o faz com manias, despeito e ciúmes. Lamentável a falta de respeito com o torcedor...

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