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Bruna Castanheira
Bruna Castanheira

Bruna Castanheira de Freitas é advogada e pesquisadora atuante em Direito Digital e Propriedade Intelectual. / bruna@direitotech.com

Direito e Tecnologia

O dia em que a Sony parou

Entenda a polêmica do filme “A Entrevista" | 30.12.14 - 15:51 O dia em que a Sony parou (Imagem: Dailytech.com)
Goiânia - Em novembro de 2014, um grupo chamado “Guardians of Peace“ hackeou os servidores da Sony Pictures Entertainment. Centenas de documentos foram vazados, revelando fatos embaraçosos dos bastidores de Hollywood (como a Amy Pascal, executiva da Sony, brincando que o presidente Barack Obama só gostava de filmes com personagens negros), informações privadas de vários empregados da empresa, e até indícios de que Hollywood estaria tentando trazer de volta a polêmica lei anti-pirataria "SOPA".
 
Em seguida, o grupo ameaçou as salas de cinema dos EUA - fazendo referências ao atentado do 11 de setembro - caso estas exibissem o filme “A Entrevista“, da Sony. O longa metragem faz chacota expressa contra Kim Jong-un, o que fez as suspeitas do ataque caírem imediatamente na Coréia do Norte. Afinal, em junho deste ano, o país já havia declarado que, se lançado, este filme seria considerado um ato de guerra. As agências de segurança dos EUA acharam que a ameaça do Guardians of Peace não passaria disso, mas várias salas de cinema começaram a acatar o pedido dos terroristas, fazendo com que a própria Sony chegasse a cancelar o lançamento do filme.
 
Depois de muita reprovação do público e mídia pelo cancelamento, inclusive do presidente Barack Obama, a empresa resolveu lançar o filme na internet e em uma pequena quantidade de cinemas. Com o hype gerado pela polêmica, a obra arrecadou cerca de 15 milhões de dólares online e 2.8 milhões de dólares no cinema.
 

(Foto: divulgação/Sony Pictures)
 
Apesar de todos os desdobramentos causados pelo hack, ainda existem dúvidas sobre a titularidade do ataque. Alguns suspeitam que os EUA não possuem evidências concretas de que os hackers são da Coréia do Norte, e muito menos de este ataque ter sido patrocinado pelo Estado.

A agência de segurança IntelCrawler sugeriu que o grupo independente LizardSquad, após conseguir acesso à Sony, cedeu o controle do ataque para a Coréia do Norte (o que explicaria a mudança de alvo para o filme “A Entrevista“); e um dos maiores experts em cyber segurança do mundo, Bruce Schneier, também se declara cético a respeito da concretude das evidências reunidas pelos EUA.  
 
Mesmo aqueles que apostam no país como o responsável ainda questionam os motivos reais da empreitada, sugerindo que tudo isso não passaria de um artifício para distrair o mundo de outra questão: a Coréia do Norte foi recentemente indicada pela assembleia geral da ONU (por 116 votos contra 20) para responder perante a Corte Penal Internacional, por infringir direitos humanos continuamente.
 
Independente do responsável pelo ataque, este conseguiu comover a maior potência bélica e econômica da Terra, assustando milhares de pessoas e trazendo prejuízos para uma das maiores produtoras cinematográficas do mundo. Percebe-se que não é mais necessário um exército para iniciar um conflito ou até mesmo uma guerra, basta um computador conectado à Internet. Além de ser muito mais barato, por não exigir o uso inicial de armas, bombas, espiões, aviões, etc., a "cyber guerra" e o “cyber terrorismo“ possuem um efeito otimizado. Afinal, estamos todos conectados às redes e, logo, somos todos potenciais vítimas, mesmo no conforto de nossas casas.   
 

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