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Pablo Kossa
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Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Será que agora acabou o veranico?

Parece que 2015 (também) será ruim de chuva | 23.01.15 - 16:06 Será que agora acabou o veranico? (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Goiânia - Parece que finalmente terminou o gigantesco veranico de janeiro de 2015. As chuvas de ontem e o céu nublado de hoje em Goiânia apontam para isso. Tomara. O que antes era coisa de três ou quatro dias, tal qual nos ensinaram nossos avós, agora é para mais de 20. O futuro chegou. O veranico agora é de quase um mês. É, garota, bem-vinda ao século XXI.

Tenho uma hipótese que venho refletindo bastante. Tal qual a Primeira Guerra Mundial marca o início real e não o formal do século XX, acho que a crise hídrica de São Paulo marca o começo de verdade do século que vivemos. Aqueles alertas dados desde a década de 1970 dos que eram ridicularizados como ecochatos e catastrofistas começam a fazer sentido.

Em várias cidades do norte da Itália em que anualmente nevava não cai um floco do céu no inverno desde 2012; 2014 foi o ano de média de temperatura mais alta desde que a humanidade domina a tecnologia para esse registro; o ciclo de chuvas brasileiro está completamente alterado. Tenho certeza que você sabe dar uma uma dúzia de exemplos que mostram que as coisas não vão dentro dos conformes.


O descompasso entre os sinais que o meio ambiente emite, as práticas da sociedade e a capacidade de gestão do Estado são gritantes. Enquanto está mais que claro (ao menos para mim) que a conta das alterações provocadas após a Revolução Industrial chegou, nós não queremos abrir mão de pequenos confortos proporcionados pelo consumo e o Estado não tem força para ser o agente da mudança, já que os grupos políticos que estão no poder são reféns do estímulo ao consumo para sua permanência nos postos que ocupam. Essas forças não se equalizam. Esgotamos nossos recursos naturais e ainda queremos mais. Afinal, sempre há a esperança de um volume morto para dar um jeito no final de tudo.

Estamos em uma clara espiral suicida, rumo ao abismo em velocidade máxima. Mas idiotamente felizes, por ser de carro do ano. E com ar condicionado bombando. E mandando mensagens no WhatsApp de vídeo de piada curta com nossos smartphones de última geração. E o abismo está logo ali adiante, cada vez mais perto, cada vez mais perto...


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