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Pablo Kossa
Pablo Kossa

Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Isso é a juventude que diz que quer tomar o poder?

Jovem pode fazer bobagem, mas tem limites | 25.02.15 - 12:31

Goiânia - Dois casos recentes mostram que se dependermos dessa juventude goianiense para um futuro melhor, estamos fritos. Tal qual Caetano Veloso discursou no III Festival Internacional da Canção da Rede Globo no meio de É proibido proibir em 1968, fico aqui me perguntando: mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Se eles forem em política como são nas relações sociais, estamos feitos!

Digo isso em relação aos espancamentos aleatórios praticados aparentemente por adolescentes de bairros nobres de Goiânia e da distribuição na faixa de tequila para garotas de vestidinho ou saia curta na calourada de Engenharia da UFG. É de ficar boquiaberto.

Não quero pagar de inquisidor. Tenho consciência de que jovem faz muita bobagem. Mas muita mesmo. Agradeço aos céus por ter esquecido grande parte das inúmeras que fiz. E as que ainda me recordo, guardo trancadas a sete chaves. Torço para que nunca minhas filhas fiquem sabendo. Colocaria em xeque minha autoridade paterna. Mas nenhuma idiotia que pratiquei nos anos púberes sequer chegam perto do que vejo nesses dois casos.

Disputa de violência entre grupos de jovens existe desde que o mundo é mundo. Existe uma versão da história do futebol que relata que o esporte foi criado como uma tentativa de colocar regras nas sangrentas batalhas entre jovens rivais da Inglaterra. Quem já leu gibis da Luluzinha sabe que a turma do Bolinha tinha seu temido grupo rival. Mas o que as imagens mostram dos jovens espancando aleatoriamente outro adolescente qualquer ultrapassa qualquer limite. Apanhar a esmo na rua enquanto outro ignóbil filma para as redes sociais é demais. Já me disseram pelo WhatsApp que um dos jovens registrados na condenável ação seria parente ou filho de um influente nome da política goiana. Não sei se é verdade e, na real, pouco importa. Independente disso, prova que a molecada perdeu qualquer senso de cidadania ao achar divertido dar porrada a esmo.

Também é incompreensível que universitários de uma escola prestigiada como é a de Engenharia, da principal instituição de ensino superior de Goiás, não percebam o quão grave é ofertar open bar para mulheres de determinada vestimenta. Os caras perpetuam um machismo vil na cara dura, estampam isso no flyer do evento. Será que não acompanham que a sociedade não aceita mais a violência de gênero ou de qualquer tipo nessas infames calouradas? Será que não estão vendo a péssima repercussão da CPI da USP na Assembleia Legislativa de São Paulo? Será que não os incomoda que os cursos de Engenharia e Medicina estarem na berlinda nessa investigação de abusos e estupros?

Como em ambos os casos estamos tratando de jovens da elite, me dá calafrios pensar que daqui uns anos esses caras estarão em posições-chave da sociedade. Nosso futuro é duvidoso... 


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