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Othaniel Alcântara
Othaniel Alcântara

Othaniel Alcântara é professor de Música da Universidade Federal de Goiás (UFG). / othaniel.alcantara@gmail.com

Música clássica

A última sexta-feira 13 de Schoenberg

| 10.03.15 - 19:34
Goiânia - Era 13 de Julho de 1951 em Los Angeles. Deveria ser apenas mais um dia normal de trabalho para o compositor austríaco Arnold Franz Walter Schönberg, que após naturalizar-se norte-americano em 1941, alterou a grafia do sobrenome para Schoenberg. Mas não foi bem assim. Na verdade, acordou bastante ansioso e resolveu ficar em seu quarto. Não estava doente, apenas não queria dar sopa para o azar, sofrer algum tipo de acidente. Afinal, tratava-se da última sexta-feira 13 daquele ano e estava com 76 anos (7 + 6 = 13). Para ele, uma combinação perigosa.
 
Enclausurado pelo medo, naturalmente muitas lembranças ocuparam sua mente. É provável que tenha visitado momentos importantes da sua vida. Posso até imaginar alguns deles: as primeiras arcadas nas cordas do violino aos oito anos de idade; as composições iniciais ainda na adolescência; sua chegada aos Estados Unidos em 1933 fugindo do anti-semitismo alemão; ou ainda, os dias dos seus dois casamentos: o primeiro com Mathilde Zemlinky em 1901 e o segundo, depois de viúvo, com Gertrud Kolisch em 1924.

Gertrud e Schoenberg (década de 1920)
 
Aliás, foi Gertrud que quase à meia-noite entrou no quarto, certamente para comemorar com o marido o término daquele agourento dia. A partir daí a história registra que o músico olhou para a esposa e pronunciou sua última palavra: harmonia. Para alguns, a morte de Schoenberg, consequência de um ataque cardíaco, teria acontecido às 23h47min, ou seja, 13 minutos antes da meia-noite de uma sexta-feira 13. Ou ainda, se mudarmos os números para 11h47min, teríamos: 1+1+4+7 = 13.
 
Tenho dúvidas quanto ao momento exato do óbito de Schoenberg. Como se isso fosse importante! Poderiam pensar alguns durante a leitura desse texto. Todavia, para os supersticiosos, que não é o meu caso, trata-se de um assunto sério. Então, voltando ao instante do passamento, esclareço que outros autores como o renomado compositor brasileiro Flo Menezes em seu livro “Apoteose de Schoenberg” (1987) e Willi Reich autor de “Schoenberg: A Critical Biography” (1971) registram outro horário: 23h45min.
 
Em todo caso, comprovadamente, Arnold Schoenberg sofria de “triscaidecafobia”, ou seja, um medo irracional do número treze. Acreditava cegamente que esse número estaria diretamente relacionado à sua morte. Curiosamente, havia nascido também em um dia treze, mais precisamente do mês de setembro de 1874. Não sabemos exatamente quando o compositor manifestou os primeiros sinais dessa patologia. Contudo, parece que sua relação com a numerologia era bem antiga.
 
Poderíamos considerar irrelevantes esses fatores extramusicais da vida desse importante compositor, professor e teórico vienense que chegou à cena musical, praticamente, como autodidata. Entretanto, a superstição também influenciou algumas de suas decisões na vida profissional. Vamos a um bom exemplo. No final da década de 1920, de forma intencional, grafou o título de sua ópera inacabada como “Moses und Aron”, quando o correto seria “Moses und Aaron”; adivinhem o motivo!
 
E será que esse fascínio pela numerologia influenciou Schoenberg na maior de suas invenções, o sistema dodecafônico de composição? Mas, o que é música dodecafônica? Pretendo falar sobre dodecafonismo e sobre as fases estilísticas do compositor na próxima coluna. Até lá!

Comentários

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  • 31.03.2015 23:12 Fábio Sodré Rocha

    hahahhaha....existe até um nome pra medo do número treze...Cada coisa...Mas cadê o texto sobre dodecafonia? To ansioso pra ler sobre.

  • 20.03.2015 06:24 Luiz Fernando Macedo de Carvalho

    Nossa... eu já vi nome próprio para aversão à muita coisa, mas não sabia que o medo do número 13 também tinha nome próprio rsrs... Interessante! Ancioso pelo próximo artigo!!!

  • 15.03.2015 22:54 lucas vieira lima

    muito bom o texto!!! estou ansioso pra ler a próxima coluna que vai falar sobre dodecafônica.

  • 13.03.2015 14:11 Ana Elisa R.A.

    Que loucura! Muito interessante, nunca tinha escutado sobre isso! Esperando a próxima coluna...

  • 13.03.2015 09:02 fernanda felipe

    Ótimo texto. Digno de vários cafés filósoficos....

  • 12.03.2015 17:14 Priscileny Sales

    Texto muito interessante.

  • 11.03.2015 14:15 Matheus Gondim

    As peculiaridades Schoenberg! Excelente texto.

  • 11.03.2015 14:12 Vladmir Silva

    Bom, ao menos no Brasil, está mais que provado que o 13 dá muito azar.

  • 11.03.2015 11:43 Alfredo Ericeira

    De toda esta trama de vida, morte e superstição, o que mais me impressiona é a última palavra proferida pelo mestre da 2ª Escola de Viena: HARMONIA! Isto me fascina!

  • 11.03.2015 01:36 Jonatan Emanuel Guilharde González

    Piro nessas curiosidades musicais!Aguardo o próximo texto para saber das influências dessa crença no trabalho musical dele!

  • 10.03.2015 23:20 Fabricio Oliveira

    Schoenberg, muito bom professor!

  • 10.03.2015 22:44 Reinaldo Soares Rodrigues

    Opa! Mal posso esperar pelo próximo texto! :)

  • 10.03.2015 21:36 Wilson Medeiros

    Não me canso dessas curiosidades do meio musical. Continue o bom trabalho!

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Othaniel Alcântara é professor de Música da Universidade Federal de Goiás (UFG). / othaniel.alcantara@gmail.com

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