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Sobre o Colunista

Sarah Mohn
Sarah Mohn

É jornalista graduada pela UFG e especialista em Comunicação Empresarial e Publicidade Estratégica. Nesta coluna, escreve artigos de opinião / sarahmohn@gmail.com

Meias Verdades

Feliz dia de O Boticário

| 11.06.15 - 13:49
 
Sarah Mohn
 
Goiânia - Na semana passada, quando a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo publicou uma nota "em defesa da dignidade, da cidadania e da segurança" dos homossexuais, eu compartilhei a notícia no meu Facebook e uma pessoa desconhecida – não sei vocês, mas 90% dos meus amigos virtuais eu nunca vi na vida – comentou que eu estava desrespeitando o direito dos heterossexuais em não aceitar os direitos fundamentais e constitucionais da comunidade LGBTT.
 
“Vcs estão querendo ser ditadores, criticando a opinião contrária a de vcs”, escreveu o indivíduo. Gente. Que preguiça. Não dei sequência ao debate, porque era feriado e eu tinha coisa melhor para fazer do que discutir com quem ostenta pensamento intolerante. Mas agora, sim, vou contra-argumentar, porque preconceito não pode ser ignorado e esse assunto merece um espaço maior e não limitado a um perfil em rede social.
 
Querido colega e demais simpatizantes da intolerância, acho importante deixar claro que os homossexuais não querem ser ditadores. Não querem impor a todo mundo relacionamento sexual e afetivo entre pessoas do mesmo sexo. Os gays não têm interesse algum em infligir a orientação sexual deles ao universo. Eles não querem que vocês sejam iguais a eles. O que exigem é respeito e igualdade de direitos básicos. E, por isso, toda atitude de qualquer pessoa desse planeta, que se aproxime desse objetivo, é necessária e bem-vinda.
 
É preciso que as pessoas compreendam que é fundamental que o combate à homofobia seja perene e ostensivo. Isso não quer dizer que os defensores dos direitos humanos e a mídia estejam “impondo” ou “ditadorizando” opiniões contrárias aos direitos LGBTT. Primeiro, porque direito, no aspecto jurídico, não é questão de opinião, mas de obrigação. Segundo, porque a luta deve existir e se manter firme enquanto a homossexualidade não for tratada com naturalidade pela sociedade.
 
Nesse caminho, ainda é necessário que existam eventos afirmativos, como a Parada Gay; pessoas dispostas a debater e compartilhar em redes sociais assuntos ligados ao tema; articulistas que deem a cara à tapa para criticar intolerância; novelas televisivas que narrem histórias de casais homossexuais; um Papa que frequentemente se posicione a favor da tolerância e provoque reflexão entre religiosos; e campanhas corajosas, como a de O Boticário, veiculadas em horário nobre na rede aberta de TV, nos outdoors, nas revistas, nos jornais, no Youtube etecetera e tal.
 
Tudo o que for feito para naturalizar o que é natural, desde que mundo é mundo, é imprescindível. Homem se relaciona com homem e mulher com mulher, assim como homem com mulher, desde quando primatas éramos. Por interesses culturais e religiosos, essa característica inerente à espécie humana foi sendo censurada e marginalizada ao longo dos séculos. Mas nunca deixou de existir. Nunca. Deixou. De. Existir. E acho importante informar que: vai continuar existindo, independentemente da vontade de quem discorda.
 
Portanto, para garantir uma vida mais justa a todo e qualquer cidadão, devemos reconhecer como iguais mesmo os que são diferentes de nós. Diferentes intelectual, física, profissional, cultural, econômica e sexualmente. E não nos espantarmos com campanhas publicitárias que defendam igualdade, que levantem a bandeira do amor, qualquer que seja.
 
Lamento que essa luta seja ignorada ou mesmo rejeitada por quem mais deveria - já que tem a prerrogativa de criar e votar nossas leis no país. Lamento que nossos representantes políticos estejam postergando a votação do projeto de lei parado no Congresso Nacional que criminaliza a homofobia, a mais básica e óbvia reivindicação da categoria. E lamento, tanto quanto, conviver socialmente com quem critica uma propaganda que compartilha amor.

Algo está muito errado quando fazemos o oposto a reverenciar quem promove atitudes humanizadas. Mesmo que elas advenham de empresas, mesmo que o cunho aparentemente social, lá no fundo, seja comercial. Precisamos de ações corajosas. Precisamos de um mundo realmente justo. Precisamos de mais estratégias de marketing nessa linha. Precisamos de mais O Boticário na sociedade. A próxima data comemorativa é o Dia dos Pais. Fica a dica.

Comentários

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  • 15.06.2015 14:11 Raniel Nascimento de Souza

    A única falha da jornalista é dizer que os membros LGBTT não querem impor à maioria da sociedade sua ideologia. Querem sim. E fazem isso sorrateiramente e na surdina, seja através de várias leis que tem o intuito de "difundir" aquilo que chamo de ideologia. Para mais esclarecimentos, ver o tema da IDEOLOGIA DE GÊNERO, mas vejam a fundo, até mesmo a partir das ideias marxistas constantes na ideologia. Por fim, friso: respeitar a opção sexual de qualquer pessoa é algo humano e salutar. Todavia, aceitar calado uma imposição, é INACEITÁVEL.

  • 15.06.2015 14:10 Sérgio Paiva

    Sarah mais uma vez parabéns pelo texto. E vamos pedir mais educação e cultura em nosso país, cada vez mais me convenço que os que tem dificuldades em respeitar e perceber os diferentes e as minorias precisam na verdade de melhor educação, a maioria não teve valores familiares e muitas vezes berço.

  • 15.06.2015 12:04 Mareba

    José Ricardo Eterno embrulhou a colunista e jogou no lixo com muita autoridade. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Poderia ter ficado sem essa, articulista. E sem o perfume também.

  • 12.06.2015 22:37 João Paulo Silveira

    Eu sinceramente acho q a pessoa tem o Direito de se envolver sexualmente com quem ela bem entender. Acho até q a pessoa pode ir além, pode se vestir como quiser e sair na rua. Um gay tem direito na minha opinião de sair na rua de saia, de se casar com seu parceiro, de receber pensão, de ir a um restaurante, de andar de mãos dadas etc... O que eu não posso concordar é que se faça leis diferentes para seres humanos iguais. Heteros e homo são todos iguais, é inadmissível que se legisle em nome de uma classe e exclusivamente pra ela.

  • 12.06.2015 18:00 Ivana

    Todos nós, inclusive os menos estudiosos, sabemos que uma das regras primordiais para uma comunicação efetiva é a boa vontade do emissor/receptor. Nitidamente o que torna o leitor, apresentado pela articulista, "intolerante" não é a sua opinião e sim a forma como impôs a mesma, em momento algum ele demonstrou estar aberto a debates, ele apenas quis apresentar a sua "crença" diante dos fatos. Espero que se eu estiver errada vocês me corrijam, ok? Eu e metade da população, passaríamos pelo mesmo processo de "preguiça" da nossa querida articulista, afinal, a boa vontade não faz diferença quando as regras que existem para se chegar a uma comunicação efetiva não são cumpridas. Não há o que se discutir quando se fala em intolerância, no caso, em que estamos falando de homossexualidade: https://homofobiamata.files.wordpress.com/2014/03/relatc3b3rio-homocidios-2013.pdf http://blogs.odia.ig.com.br/lgbt/2014/02/12/brasil-tem-uma-morte-de-lgbt-a-cada-28-horas-aponta-estudo/ http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/relatorio-aponta-312-homossexuais-brasileiros-assassinados-em-2013/ http://www.cartacapital.com.br/sociedade/de-quantos-mortos-precisa-o-brasil-para-reagir-contra-a-homofobia-865.html https://homofobiamata.wordpress.com/estatisticas/relatorios/ Nós seres humanos temos uma dificuldade enorme de trazer a realidade do outro para a nossa, vivemos de pré julgamentos e nos metendo em coisas que não interferem em nada em nossas vidas. Qual é a “agressão” que um homossexual faz aos “heterossexuais” que eles se sentem tão ofendidos? Já pararam pra pensar como seria ter pessoas interferindo na sua vida amorosa? Ser impedido de segurar a mão da pessoa que você ama em um lugar público pois aquele tipo de “amor” não é aceito naquele ambiente? Quantos homossexuais já foram agredidos por estarem de mãos dadas? Todos eles humanos: como eu, você, seus filho e os seus netos. Você enfrentaria o mundo para defender os direitos da sua família? Eles possuem esse mesmo direito de enfrentar, não? Imaginem só: você passa metade da sua vida com a mulher que você ama, na saúde e na doença… De repente você morre e por meras burocracias ela passa a não receber os benefícios que ela teria direito. Podemos ir mais a fundo: como seria ver o próprio filho(a) ou neto(a) espancado ou morto por razões que não possui explicação? (não se iluda de que sua família será eternamente “isenta” de tudo que você julga ser ruim, temos uma forte tendência de achar que as coisas só acontecem com os outros) É muito fácil olhar para fora, acreditar que não irá acontecer nunca com você e então julgar.

  • 12.06.2015 08:59 André

    Parabéns Jose Ricardo. Expôs a sua opinião de forma clara e soberana. Não precisou atacar e ofender para demonstrar sua linha de raciocínio que por sinal foi muito bem embasado em fundamentos jurídicos e históricos muito bem ponderados. Quanto a coluna: Sarah, não sei se houve muitas atitudes humanizadas na parada gay em São Paulo a ponto de merecer uma reverência de minha parte. Outrossim propagandas, eu tenho o direito de não gostar sem ser taxado de homofóbico, retrógrado, preconceituoso... eu não posso simplesmente "não gostar"?

  • 11.06.2015 20:24 José Ricardo

    Com o progressivo rebaixamento do nível dos nossos cursos superiores (a média de leitura dos nossos universitários é de 0,45 livros por ano), quem, nas fornadas de graduados despejados nas redações de jornal, nas secretarias de educação e no show business haverá de perguntar, por exemplo, o porquê de a nossa articulista destacar a importância de “pessoas dispostas a debater e compartilhar em redes sociais assuntos ligados ao tema”, se, de antemão, ela diz que os que discordam dela são “intolerantes”, se desde o início ela deixa claro ter preguiça daqueles que, nas redes sociais, propõem o debate desde um ponto de vista que não é o dela? Dá pra acreditar realmente na sua vontade de debater? Ou o debate deve ser feito apenas entre os que concordam com ela? Esse é o conceito de debate da nossa articulista? É com esse mesmo olhar de desconfiança que vejo as recentes tentativas de passar no Congresso os “direitos da comunidade LGBT”. Pra mim, não passam de fraudes legislativas. Por quê? Porque os projetos são feitos para impedir a discussão. Os debatedores contrários ao projeto PL 122, por exemplo, de acordo com o próprio projeto, não podem ser vistos como simples debatedores: são homofóbicos e intolerantes que precisam ser punidos e presos. (Não é engraçado que a esquerda diga o tempo todo que punição e cadeia não resolvem nada e ao mesmo tempo proponha punição e cadeia aos que ela rotula de homofóbicos? Não é curiosa a forma como a palavra homofobia deixou de designar uma patologia para significar qualquer coisa que contrarie militantes LGBT?)Para emplacar a tese dos direitos dos LGBT, ela usa outra falácia: “Por interesses culturais e religiosos, essa característica inerente à espécie humana foi sendo censurada e marginalizada ao longo dos séculos. Mas nunca deixou de existir. Nunca. Deixou. De. Existir. E acho importante informar que: vai continuar existindo, independentemente da vontade de quem discorda.” Há aí um bocado de imprecisões e inverdades. O homossexualismo não foi sempre marginalizado. Na Grécia Antiga e em Roma, tratava-se de um comportamento comum entre algumas classes. Entre intelectuais e aristocratas, o negócio era até louvável. Mas, notem bem, mesmo nesses períodos, onde a homossexualidade gozava de certo glamour, não se tem notícias de que se pretendesse colocar no mesmo nível as uniões heterossexual e homossexual. Nero, que gostava de meninos, que botou fogo em Roma e matou cristãos a rodo, não propôs isso. Mao Tse Tung, que comia os garotinhos do seu exército, também não. Embora a homossexualidade (pra imitar o estilo da articulista) tenha. sempre.existido., não se tem notícia de qualquer civilização que tenha proposto a equiparação legal desta com a heterossexualidade. Nem.Umazinha. Assim, o argumento “do sempre existiu”, da Sarah Mohn vai por água abaixo, uma vez que funciona melhor contra sua própria tese. Ora, eu acho que O Boticário tem todo o direito de fazer a propaganda que quiser e se responsabilizar pelas consequências. Porém, a história dos “direitos gays” é outra questão. Justiça não é dar a todos os mesmo direitos. Isso é uma falácia. Justiça é dar a fenômenos de impacto e peso diferentes, valores diferentes. Outra: justiça não é um princípio autofundante. No Ocidente, é um princípio que resultou de um arranjo feito pela união do cristianismo, judaísmo, direito romano e filosofia grega. Joguem fora um desses pilares e o arranjo será desfeito. Caímos na barbárie de vez. O artigo foi escrito com o espírito de quem quer jogar barro na água pra que ninguém veja mais nada. Aliás, esse é o estilo que reina hoje nas redações, em quase todos os jornais, direitistas e esquerdistas. Mas principalmente os esquerdistas. Nossos articulistas humanizados oferecem-nos análises e comentários sobre a sociedade como um todo, todos os dias. No entanto, via de regra, negam-se obstinadamente a examinar a sociedade como um todo. E parece que já ninguém se espanta com esse tipo de coisa. Ora, se a despeito de todo o falatório humanizador das últimas décadas, nosso país segue na liderança mundial de homicídios (chegamos aos 60 mil/ano) ao mesmo tempo em que despenca nos testes internacionais de educação, deveríamos ao menos tomar o cuidado de nos perguntar se nossas franciscanas intenções estão mesmo nos levando ao paraíso prometido pelos progressistas. E dentre as várias cenouras de burro que nos convidam a marchar na direção do brejo, os tais “direitos da comunidade LGBT” talvez seja a mais apetitosa. Afinal, ninguém quer ser taxado de intolerante e homofóbico, não é mesmo?

  • 11.06.2015 16:22 Renan Rigo

    Ótima reflexão, Sarah! Parabéns pela clareza de opinião e pela lucidez no enfoque. Só lembrando que, antes do Dia dos Pais, tem férias em família também! Que os comerciais contemplem todas!!

  • 11.06.2015 14:41 Thaís Romão

    Sempre linda, Sarah! E eu espero ansiosamente por propagandas lindas do Dia dos Pais que mostrem casais homossexuais que optam por adotar crianças que vivem em situação de abandono, oferecendo um lar de amor, segurança, aconchego e muita tolerância e respeito ao próximo.

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É jornalista graduada pela UFG e especialista em Comunicação Empresarial e Publicidade Estratégica. Nesta coluna, escreve artigos de opinião / sarahmohn@gmail.com

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