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Sarah Mohn
Sarah Mohn

É jornalista graduada pela UFG e especialista em Comunicação Empresarial e Publicidade Estratégica. Nesta coluna, escreve artigos de opinião / sarahmohn@gmail.com

Meias Verdades

Quem não quer arruma desculpa

| 04.09.15 - 11:22
Esse texto poderia ser enviado para a revista Capricho e publicado na seção de autoajuda :poop:. CONCORDO. Mesmo assim quero escrever sobre o tema. Lá vai:
 
Goiânia – A vida é um grande clichê e a maioria dos seres humanos é covarde. Isso pode soar agressivo, mas nada mais é do que uma constatação meio óbvia. Assim como todo clichê e vice-versa.
 
Seja no âmbito pessoal ou no profissional, geralmente as pessoas costumam cultivar sofrimento e insatisfação até o limite da irracionalidade para só depois, geralmente diante de alguma situação muito crítica e insustentável, criar coragem para enfrentar mudanças.
 
Quem nunca passou por isso? Quem nunca permaneceu por anos no mesmo e acomodado trabalho, reclamando todo santo dia que aquilo não era vida, mas sem mover uma palha para mudar qualquer coisa? E quem nunca empurrou com a barriga um relacionamento fracassado, por medo de encarar uma nova realidade ou por falta de coragem de sair do status quo?
 
Apostaria dizer que, ao menos em algum momento da vida, todo mundo já foi protagonista dessa novela de roteiro sem graça. É comum, não é inédito. O ser humano é meio previsível e suas histórias de vida também costumam ser. Salve, Almodóvar!
 
O problema não é passar por esse tipo de situação. O grande absurdo é se manter no erro. É alimentar dia após dia a bactéria da inércia e o vírus da covardia.
 
Fico me perguntando se quem vive situações assim não percebe que faz um mal contra si mesmo. Isso provoca câncer, gente.
 
É por isso que me incomodo, e muito, quando vejo pessoas próximas a mim presas a correntes invisíveis. Fingindo viver uma felicidade plena, mas que é rasa, e ostentando um padrão de comportamento exigido socialmente, mas vazio.
 
Para quê, me pergunto. E para quem? O que é tão mais importante do que si mesmo?
 
Um dia me disseram que a vida só seria boa se fosse leve. Demorei a compreender, mas me intriguei com a ideia. E decidi ir atrás dela. Hoje, não troco a leveza por nada nesse mundo. Hoje, não me troco.
 
Acordar e ir trabalhar com o que desperta prazer é um privilégio, mas não é impossível. É totalmente viável. Basta foco, planejamento e determinação. E um pouco de paciência para que os resultados comecem a aparecer.
 
A fórmula é a mesma para as coisas do coração. É legítimo querer mudar e é possível abraçar a felicidade. Basta querer. Basta ter coragem para enfrentar o que tiver que ser enfrentado. Querer + coragem.
 
Vale terapia profissional, com psicólogo; vale terapia informal, com amigos; vale colo e puxão de orelha de pai e mãe; vale o que tudo o ajudar a abrir os olhos.
 
Mas é preciso ter consciência de que nada cai do céu e de que as consequências são fruto de um processo.
 
O psiquiatra e psicoterapeuta Flávio Gikovate costuma dizer que reconhecer em si mesmo forças suficientes para suportar a queda e ter energias para se reerguer mostra coragem e serenidade no indivíduo.
 
“Uma pessoa é forte quando sabe vencer a dor. Trata-se de um requisito básico para o sucesso em todas as áreas da vida. Ninguém gosta de sofrer, mas não é moralismo religioso dizer que superar as frustrações é a conquista mais importante para quem quer ser feliz”, diz.
 
Seguindo essa linha, cabe bem uma frase que adoro do escritor Caio Fernando Abreu (leiam Morangos Mofados <3): “Quem quer arruma um jeito. Quem não quer arruma uma desculpa.”
 
Uma, duas ou quantas desculpas forem necessárias para semear o autoengano.

Comentários

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  • 09.09.2015 08:42 André

    Mais uma vez, parabéns pelo texto. Pena que a frequencia dos textos aqui é baixa, rs.... demora muito para vir o próximo. De qualquer forma a reflexão da coluna hoje é boa, verdade cruel, impregnada em nossas sociedades. Gostei.

  • 04.09.2015 14:29 Juliane Souto

    Nossa, excelente texto! Melhor ainda é a reflexão que ele nos convida a fazer... Parabéns, Mohn! Entre polêmicas e verdades você consegue fazer a gente pensar... =)

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É jornalista graduada pela UFG e especialista em Comunicação Empresarial e Publicidade Estratégica. Nesta coluna, escreve artigos de opinião / sarahmohn@gmail.com

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