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Declieux Crispim
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Declieux Crispim é jornalista, cinéfilo inveterado, apreciador de música de qualidade e tudo o que se relaciona à arte. / declieuxcrispim@hotmail.com

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O retorno de Mel Gibson

Filme faz parte de mostra em Goiânia | 17.02.17 - 09:40 O retorno de Mel Gibson Até o Último Homem (Foto: divulgação)
Goiânia - Após um hiato de 10 anos sem dirigir um filme, Mel Gibson retorna às telas e seus fetiches como o patriotismo exacerbado do herói, a fé e a violência estão presentes como nunca em Até o Último Homem (2016), um dos filmes presentes na décima edição da mostra O Amor, a Morte e as Paixões. Baseado em fatos verídicos, a história versa sobre Desmond T. Doss (Andrew Garfield), jovem humilde do interior e médico do exército americano na segunda guerra mundial, durante a Batalha de Okinawa.
 
É possível identificar uma amálgama entre seu novo longa e A Paixão de Cristo (2004), seu filme mais conhecido. Em ambos, há uma dor pungente no que tange à vida de seus personagens. Que fique claro que não há comparação entre os personagens, mas sim uma relação perante a dor a que todo e qualquer ser humano é acometido durante a existência. Uns mais e outros menos.
 
O jovem recruta, impregnado de um sentimento pacifista, recusa-se a pegar em armas. Adepto e fiel ao não matarás, mandamento bíblico, mesmo em momentos turbulentos advindos de uma guerra atroz. Cristão fervoroso, Doss vê a guerra como uma missão dada por Deus e, por isso, alista-se e parte para a guerra com um claro propósito de salvar vidas. Para ele, violar este admirável mandamento é inadmissível.
 
Há três atos bem delimitados durante a narrativa. No primeiro, é apresentado o período da juventude do protagonista, o sonho em servir ao país, a forte influência da religião que molda seu comportamento benevolente e a descoberta do amor. No segundo, uma homenagem a Stanley Kubrick, que apresenta o treinamento na academia militar. No terceiro, toda a brutalidade que decorre do conflito bélico.
 
Retrato nu e cru da guerra, de todo o sofrimento que emana ao se observar os sonhos se esvaírem e os companheiros sendo dizimados, todo o negrume que ladeia a ação que se passa no campo de combate. A sequência em que são retratados os primeiros passos dos soldados em direção à guerra é repleta de violência gore regada a uma enxurrada de balas destroçando os corpos dos combatentes, cujas vísceras e sangue se esguicham na tela imiscuídas a cadáveres putrefatos, por meio de uma decupagem eletrizante, evidenciando todos os excessos inerentes a Mel Gibson.
 
Se tivesse a parcimônia e a sensibilidade de um mestre como Clint Eastwood, uma vez que o filme derrapa na falta de sutileza e na dramaturgia, possivelmente, seria erigida uma obra-prima. Contudo, as fortes tintas com as quais Gibson pincela sua película, através do exagero, conferem um intenso apelo emocional a uma história que não poderia passar batida. Doss navega por caminhos ásperos, passa por situações agourentas, vivencia as entranhas de uma guerra, para enfim, ao resgatar 75 soldados, cingir-se em luz. Belo filme tortuoso.
 
 
Confira os dias e horários de exibição do filme na mostra O Amor, a Morte e as Paixões, em Goiânia:
 
- 19/02 - 20h15
- 21/02 - 20h15 
- 26/02 - 17h50


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Comentários

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  • 22.02.2017 17:57 Tamiel khan

    Vamos dar um desconto pro Mel Gibson exagerado, afinal, ele veio da escola Mad Max.

  • 18.02.2017 14:06 Daniela

    Excelente texto, desperta a vontade de ver de tão bem escrito.

  • 17.02.2017 23:36 Jackelline de Castro

    Mesmo com os exageros de Mel Gibson ainda sim vale a pena ver! Também gosto de pensar que a história poderia ter sido contada com sua sutileza Clint Eastwood, mas ainda sim gostei muito do filme! Parabéns pelo texto!

  • 17.02.2017 12:28 Yashmin

    Excelente texto! De fato, desperta a vontade de assistir o filme, ao passo que a descrição dos acontecimentos aguça a imaginação!

  • 17.02.2017 10:41 FLAVIA

    Que texto bom! Quero muito ver esse filme, desperta a vontade de tão bem escrito. Parabéns! Se Clint Eastwood dirigisse seria muito bom, mas a visão do Mel Gibson é inconfundível e muito boa, não é muito sutil, mas a identidade dele é de uma interpretação profunda, sincera e tocante. A mostra é muito boa e os textos que o Declieux escreve desperta ainda mais a vontade de ver todos os filmes, excelente como sempre!

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