Julgamento  05.05.2012 17h21
Audiência do Caso Polyanna será aberta ao público

Pedido foi acatado pelo Ministério Público

Audiência do Caso Polyanna será aberta ao público Publicitária Polyanna Arruda foi assassinada e violentada em 2009 (Foto: álbum de família)


Catherine Moraes

A audiência do Caso Polyanna que foi remarcada para o dia 10 de maio, na próxima quinta-feira (10/5), será aberta. O pedido foi de Tânia Borges, mãe vítima, que durante mais de dois anos fez com que Goiânia conhecesse o caso da publicitária que foi brutalmente assassinada em setembro de 2009. Ela fez o pedido judicial junto ao Ministério Público Estadual e foi atendida. 

Resistência
A última audiência do caso aconteceu em 18 de abril e o julgamento foi iniciamente restrito até mesmo aos pais da vítima. Apenas minutos antes da audiência, um oficial de Justiça informou ao casal, Tânia e Sérgio Borges, que ambos poderiam assistir aos depoimentos caso desejassem. 
 
Tânia foi a primeira das 22 testemunhas a serem ouvidas, mas a audiência foi cancelada porque o advogado de Assad Haidar de Castro não compareceu. Na ocasião, um defensor público foi chamado mas não conseguiu elaborar defesa e desistiu da causa. Uma defensora pública teria assumido a defesa de Assad, mas, após passar mal, foi afastada do caso.
 
“O juiz Wilton Müller queria que a audiência fosse fechada pelo cuidado do processo estar em segredo de justiça. Mas já publicaram tanta coisa, não há nada a esconder. Pedi que fosse aberta pela dificuldade que temos de transmitir, principalmente à imprensa que nos acompanha, tudo o que acontece”, completa Tânia. 
 
A mãe de Polyanna afirma que, por não dominar a parte técnica e estar repleta de nervosismo, é difícil repassar à imprensa tudo o que acontece lá dentro. “Tenho muito a agradecer pelo apoio que todos me deram ao longo desse tempo e acho que os jornais devem ter a oportunidade de estar lá, noticiarem o que, de fato, está sendo dito. Existia uma resistência por parte do Judiciário de expor Polyanna, mas o pedido foi meu”. 
 
"Não acredito mais em Justiça"
Sobre depor novamente, Tânia conta que ainda não sabe se será necessário. Ela diz que o Ministério Público cogitoou a hipótese de ela se pronunciar novamente, mas a informação ainda não foi confirmada. 
 
Questionada sobre a tensão de chegar ao momento tão esperado de encarar os suspeitos cara a cara, Tânia conta que é tenso assim como foi no mês passado. “Não acredito mais em Justiça, porque pra mim, nada é justo. Justo seria se eles pudessem me devolver minha filha, mas isso não vai acontecer. Quero apenas tirar esses bandidos da rua e não me arrependo de nada do que passei até aqui. Uns me dizem que me desgastei demais, mas tenho apenas uma certeza: nada foi em vão”, finaliza.
 
Denúncia 
Diango Gomes Ferreira, Leandro Garcez Cascalho, Marcelo Barros Carvalho e Assad Haidar de Castro foram denunciados pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), sendo Assad e Marcelo por latrocínio (roubo seguido de morte), ocultação de cadáver, estupro e formação de quadrilha, enquanto Diango e Leandro poderão ser condenados por roubo qualificado e formação de quadrilha.
 
O crime
Em um dia de rotina, Polyanna Arruda Borges saiu de casa às 7h30 para ministrar uma palestra a estudantes na 4ª Semana de Publicidade e Propaganda da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), no Jardim Goiás. O grupo, formado por Assad, Marcelo, Lavonierri e Deberson estava em um Gol e avistaram o prisma de Polyanna. Ela foi abordada por Assad que estava em porte de uma arma e anunciou o assalto. A publicitária foi obrigada a entrar na parte traseira do carro. 
 
Ela foi levada para para o Residencial Humaitá, às margens do Córrego  Caveirinha, na Região Norte de Goiânia onde foi violentada, agredida e assassinada. Como a vítima teria atingido Lavonierri com uma pancada, fato sustentado pelo MPGO, Assad reagiu, começou a atirar e atingiu Polyanna com oito tiros. Neste instante, os quatro deixaram o local do crime levando os veículos.
 
Em seguida, ligaram para Diango e contaram sobre o assassinato. O receptador teria determinado que o carro fosse abandonado, já que estaria “sujo”. Os integrantes fugiram em um Clio prata. O Prisma foi encontrado na mesma manhã, parcialmente queimado, na Rua Xavante, no Residencial Caraíbas, por policiais militares acionados por moradores da região. Dentro dele estavam a bolsa com todos os documentos e pertences da publicitária e um notebook.
 
Por volta de 18h30 do dia 24 de setembro de 2009, um homem encontrou Polyanna morta e nua, sob um barranco às margens do Córrego Caveirinha. De acordo com a denúncia, para atender a encomenda feita, o grupo roubou um outro prisma preto no mesmo dia, de propriedade da empresa Pirassununga.

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